Um ano conturbado economicamente, mas que se encerra com esperança. É assim que o prefeito de Guaramirim, Luís Chiodini (PP), resume o ano de 2018 à frente do Município. Para o mandatário, as incertezas quanto à entrada de recursos ao caixa da Prefeitura prejudica o planejamento dos investimentos.

No entanto, a esperança é que em 2019 a situação se normalize, principalmente pelo comprometimento do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de rever o pacto federativo em favor dos municípios, para que tenham mais recursos próprios.

“Se hoje nós conseguirmos colocar uma Organização Social para administrar o Hospital Municipal Santo Antônio, para ele poder sobreviver com a verba dele, e o governo deixasse R$ 1 milhão a mais por mês para o município, ou repasse esse valor, com certeza nós nunca mais iríamos a Brasília ou Florianópolis mendigar recursos ou incomodar os deputados e senadores”, declara Chiodini.

Em entrevista ao OCP, o prefeito faz um balanço do ano de 2018, destaca as principais conquistas e anuncia as metas para 2019.

Prefeito, como foi este ano de 2018?

Foi um ano bastante conturbado economicamente, porque os recursos variaram a cada mês, principalmente o FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. Tu esperava um valor e vinha menos.

 

Ano passado nós tivemos o repasse de verba do fundo do petróleo, que nos dava entre R$ 60 mil até R$ 100 mil por mês, e esse ano teve mês que não chegou a R$ 5 mil. Então, foi um ano de desequilíbrio, de descontrole financeiro muito forte.

 

E isso compromete o teu planejamento de investimento, porque tu não sabe realmente quanto vai ter de recurso.

Em relação a obras, programas e mesmo mudanças dentro da prefeitura, o que o senhor destaca como principais ações do governo?

A questão do funcionalismo público, do atendimento ao cidadão guaramirenese, a questão da responsabilidade e da humanização.

 

Muitos aqui dentro da prefeitura começaram a me chamar de Trump guaramirense, mas quando assumi a prefeitura entrei determinado para resgatar o respeito ao funcionalismo público, e me deixa feliz quando vem um funcionário da prefeitura e me diz que não tem mais vergonha de ir ao banco, porque antes eram alvo de comentários maldosos.

 

Hoje a população conversa, pergunta, critica mas de uma forma respeitosa, ela está vendo que grande parte, 95% do funcionário público entendeu que apesar de sermos uma instituição pública, temos que seguir o meio privado, ter atendimento de excelência, porque o cidadão é o cliente da prefeitura, não estamos prestando um favor a eles.

Em relação à infraestrutura, qual a principal conquista?

Conseguimos a pavimentação da estrada Bananal que era um sonho, de 25 ou 30 anos, que a gente conseguiu elaborar o projeto, fazer o projeto, partimos do zero.

 

Em termos de pavimentação, Guaramirim está indo muito bem. Porque quanto mais ruas tiver pavimentado, menos eu vou gastar com minérios, com caminhões, mão de obra, e esse dinheiro daí sim eu vou conseguir reverter para saúde, educação.

 

Só esse ano foram mais de 25 ruas pavimentadas, dando um total de 57 mil a 58 mil metros quadrados de pavimentação, entre ruas concretadas, asfalto e pedras, então essa parte foi muito trabalhada no sentido de fazer investimento.

Nos demais setores, quais seriam as principais realizações?

Também conseguimos o ginásio para a escola Escola Iaro Eugênio Hansch, no bairro Imigrantes; na área da saúde a gente conseguiu valorizar o funcionário público, nós demos um aumento de 22% para os técnicos de enfermagem e auxiliar de enfermagem.

 

Isso porque o impacto não foi tão grande para os cofres públicos e porque como que você vai atender a população, no momento em que ela está mais fragilizada, recebendo um salário de R$ 1,6 mil por mês? Isso não existe, enquanto serviços gerais, auxiliar de setor, ganham mais de R$ 2 mil por mês.

 

E também colocamos em funcionamento o posto de saúde do Guamiranga e estamos terminando agora o do Bananal, ano que vem vai estar à disposição da comunidade, assim como aumentamos para 28 especialidades médicas no AME [Ambulatório Municipal de Especialidades], fizemos mais de 500 cirurgias de catarata.

Quais as mudanças feitas no Hospital Municipal Santo Antônio?

Vamos fechar o ano com mais de 500 cirurgias no hospital, que estava com o centro cirúrgico fechado, ampliamos o Pronto Atendimento do hospital, fizemos heliporto novo, reformamos todos os corredores, os quartos, voltamos a fazer cirurgia.

 

Eu sempre brinco que sou o sucupira porque fiz o necrotério novo no hospital, mas ninguém queria inaugurar. Enfim, a saúde a gente busca constantemente e é nossa esperança que, segundo o presidente eleito [Jair Bolsonaro], ele vai rever a tabela SUS, que tem 20 anos de atraso.

 

Se ele só revesse a tabela eu digo que talvez nós não precisaríamos de uma Organização Social para administrar o hospital.

E como está a contratação da Organização Social?

Dia 17 agora vamos abrir os envelopes, vamos ver as propostas, tem 12 credenciadas, e vamos ver se todas cumprem com o edital e a proposta delas, nossa proposta é de R$ 950 mil para administrar o hospital.

 

Se vier uma OS que consegue tocar com R$ 800 mil, e provar que ela tem condições para isso, a gente pode fechar com eles. Só ali já daria R$ 2,4 milhões de economia, que vamos investir em saúde.

Quais são as metas para 2019?

Na questão da infraestrutura, é dar continuidade às pavimentações, principalmente das vias de expansão, como é a estrada Bananal por exemplo.

 

Nós temos também a estrada Jacu Açu, a rua Ângelo Zanluca, no bairro Caixa D’Água, que liga o bairro à BR-280, a rua Hermínio Stringari, que liga o Guamiranga ao Corticeira. Pavimentar essas vias de expansão, que são muito importantes porque o fluxo de veículos é muito grande.

 

Tem também a rua Atanásio Rosa, que é paralela à BR-280, que hoje ainda é de pedra, mas que no projeto já existe. Vão ser retiradas essas pedras e utilizadas nos bairros, e aí fazer toda a infraestrutura na parte de baixo.

Educação

Na educação abrimos duas salas de creche na Vila Amizade, também na Figueirinha, mas a perspectiva para o ano que vem, foi deixado orçado recurso próprio, para a construção do novo centro educacional Dorvalino Felipe, que o investimento está em torno de R$ 1,5 milhão, uma nova escola que vamos fazer.

 

Também estamos discutindo a compra de vagas em creche no setor privado, para poder atender a demanda, que hoje é em torno de 350 crianças.

 

E hoje a lista está disponível para consulta, onde se pode ver os nomes, o local, para que não tenha mais apadrinhamento e a fila seja respeitada.

Desenvolvimento econômico

Na Secretaria de Desenvolvimento Econômico temos a pavimentação da área industrial, que vai ser a partir do ano que vem, e a secretaria está trabalhando em uma lei de incentivo às empresas, que a gente deve colocar em discussão na Aciag [Associação Empresarial de Guaramirim] e depois enviar à Câmara.

 

Na Cultura, há o projeto de construir uma escola-teatro no município, estão buscando através da Lei Rouanet, lei de incentivo à cultura, conversando com empresários para buscar os recursos.

 

E a questão da Águas de Guaramirim, nós precisamos urgente melhorar a distribuição. Hoje o problema não é nem tanto a captação, mas a distribuição, precisamos de no mínimo dois centros de distribuição, no bairro Bananal e no Corticeira, com no mínimo 1 milhão de litros de capacidade, para atender essa nova demanda.

E como você avalia a relação com a Câmara de Vereadores?

Muito boa, a gente tem impregnado e propagado esse modo de gestão de que os vereadores possuem portas abertas com o prefeito, só não conversa com o prefeito o vereador que não quer.

 

Mas nós temos feito parcerias com a Câmara, com o presidente Ernesto Friedemann [PP], que é da base também, mas não podemos reclamar.

 

Os projetos que vão são discutidos, alguns pedem vistas, que é o papel do vereador realmente, se existe alguma incerteza, mas o respeito é mútuo e espero que ano que vem continue.

 

A gente sabe que a tendência é quanto mais próxima a eleição fica, a postura e a cobrança política ficam mais acirradas, porque existe o interesse político partidário.

 

Mas torcemos para que o respeito continue, o prefeito vai ter essa postura sempre e esperamos continuar isso no ano que vem.

 

Essa parceria que, por exemplo, permitiu repassar R$ 300 mil para o novo prédio da Apae [Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais], com R$ 150 mil devolvidos pela Câmara.

 

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