Desde a segunda-feira (23), a Câmara Municipal de Schroeder passou a contar com intérprete de Libras em todas as sessões ordinárias, extraordinárias e solenes, além de eventos institucionais realizados pelo Legislativo.
A iniciativa tem como objetivo ampliar a acessibilidade e garantir que a comunidade surda possa acompanhar, em tempo real, os debates e decisões do Legislativo municipal.
Segundo a presidente da Câmara, Scheila Ewald, a medida surgiu a partir de uma preocupação concreta com a inclusão. “A implantação do intérprete de Libras nas sessões da Câmara de Schroeder nasce de uma preocupação real com acessibilidade. A gente fala muito sobre inclusão, mas, na prática, muitas vezes se faz só o básico, e nós entendemos que é preciso ir além”, afirmou.
Ela destacou que ferramentas como a transcrição automática disponível em plataformas digitais não atendem plenamente essa demanda. “Hoje, até existem ferramentas como a transcrição automática do YouTube, mas ela não acontece em tempo real e não atende de forma efetiva a comunidade surda durante a sessão. Ou seja, quem precisa acompanhar naquele momento acaba ficando de fora”, explicou.
Para a presidente, a presença do intérprete garante inclusão efetiva. “Trazer o intérprete de Libras é garantir acesso imediato à informação, participação cidadã e respeito. É fazer com que a Câmara seja, de fato, um espaço para todos, não só no discurso, mas na prática.”
A adoção do recurso já é realidade em algumas Câmaras Municipais de Santa Catarina, inclusive na região da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali). No entanto, Scheila ressalta que a prática ainda não é comum, especialmente em cidades menores.
“Não se trata de inventar algo novo, mas de ter sensibilidade e compromisso para fazer o que precisa ser feito. Schroeder dá um passo importante ao garantir que a acessibilidade saia do discurso e chegue, de fato, a quem precisa”, pontuou.
A Câmara se inspirou em experiências bem-sucedidas de municípios como Jaraguá do Sul e Guaramirim.
“Acessibilidade não pode ser algo opcional. Schroeder segue esse caminho de evolução, com o diferencial de mostrar que inclusão não depende do tamanho da cidade, mas sim de vontade e compromisso”, destacou a presidente.
De acordo com Scheila Ewald, a expectativa é que a medida fortaleça a relação entre o Legislativo e a população. Ela relembra uma experiência marcante ocorrida em setembro, durante uma sessão com Moção de Aplausos à Associação da Comunidade Surda de Jaraguá do Sul e Região (Asjar), quando houve intérprete de Libras.
“Foi justamente nesse dia que percebemos, na prática, o quanto esse recurso faz diferença. A Câmara estava cheia, houve mais participação e a comunidade surda conseguiu acompanhar tudo em tempo real”, relatou.
A partir dessa experiência, a decisão foi tornar o recurso permanente.
“Não é algo teórico, é resultado de ver que, quando há acessibilidade, as pessoas vêm, participam e se sentem incluídas. Agora, transformamos aquele momento pontual em uma política permanente”, afirmou.
A população poderá acompanhar a iniciativa tanto presencialmente quanto pelas transmissões online das sessões. Além disso, a presidente reforça que o processo será aberto à participação popular. “A comunidade pode avaliar, sugerir melhorias e apontar o que pode ser aperfeiçoado. Mais do que implantar, queremos garantir que funcione bem”, disse.
Ela finaliza destacando que a medida será constantemente avaliada. “Transparência e escuta são fundamentais, e é assim que a gente pretende aprimorar esse serviço ao longo do tempo”.