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A uma semana da decisão, como será o 2º turno em SC?

Imagem gerada com auxílio de IA

Por: Áurea Arendartchuk

17/10/2026 - 06:10

Flávio Bolsonaro recebeu mais de 3 milhões de votos no estado em 4 de outubro, mas diferenças entre municípios e a abstenção colocam novas questões para a votação decisiva do dia 25

A pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, uma pergunta ganha espaço no cenário político catarinense: Santa Catarina repetirá nas urnas o resultado registrado em 4 de outubro? O primeiro turno mostrou uma expressiva vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a análise dos resultados municipais revela diferenças importantes no comportamento do eleitorado.

Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), Flávio Bolsonaro conquistou 3.000.020 votos no estado, equivalentes a 66,65% dos votos válidos. Lula recebeu 1.127.168 votos, ou 25,04%. A diferença entre os dois ultrapassou 1,87 milhão de votos, consolidando um cenário bastante distinto do observado no resultado nacional, em que os candidatos ficaram separados por menos de dois pontos percentuais.

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O desempenho catarinense, entretanto, não foi uniforme. Os mapas eleitorais do primeiro turno mostram variações entre a capital, cidades industriais, municípios do interior e centros regionais. Essas diferenças ajudam a compreender como o eleitorado se distribuiu e quais fatores poderão influenciar o comparecimento às urnas em 25 de outubro.

Um estado, diferentes comportamentos eleitorais

Entre os 25 maiores municípios catarinenses, Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em todos. Apesar disso, os percentuais apresentaram diferenças expressivas.

Em Joinville, maior colégio eleitoral do estado, o candidato do PL recebeu 246.309 votos, representando 69,80% dos válidos. Lula somou 72.919 votos, ou 20,66%. Em Blumenau, o resultado seguiu uma distribuição semelhante: Flávio conquistou 68,83%, enquanto o petista registrou 20,85%.

Florianópolis apresentou um quadro diferente. Na capital, Flávio Bolsonaro obteve 48,63%, contra 40,83% de Lula. A diferença de 7,8 pontos percentuais foi a menor entre as 25 maiores cidades de Santa Catarina.

Outros municípios também registraram percentuais de votação em Lula superiores à média estadual. Em Caçador, o presidente alcançou 31,38%; em São José, 30,88%; e em Chapecó, 30%. Já Brusque e Itapema apresentaram votações elevadas para Flávio Bolsonaro, com 74,49% e 74,35%, respectivamente.

Os resultados evidenciam que, embora exista uma vantagem estadual expressiva para o candidato do PL, o comportamento eleitoral varia conforme o município. Essa diversidade precisa ser considerada em qualquer análise sobre o segundo turno.

Jaraguá do Sul registra vantagem acima da média estadual

No Vale do Itapocu, Jaraguá do Sul apresentou uma diferença ainda maior do que a registrada no conjunto de Santa Catarina.

Flávio Bolsonaro recebeu 78.938 votos no município, alcançando 72,67% dos válidos. Lula conquistou 20.528 votos, equivalentes a 18,90%. A distância entre os dois chegou a 58.410 votos, ou 53,77 pontos percentuais.

O resultado coloca Jaraguá do Sul entre os municípios catarinenses de maior votação proporcional para o candidato do PL, considerando as 25 maiores cidades do estado.

Mas existe outro dado relevante: 19.944 eleitores jaraguaenses não compareceram às urnas no primeiro turno. O contingente de ausentes corresponde a quase toda a votação recebida por Lula na cidade e supera amplamente a quantidade de votos destinados a qualquer um dos demais candidatos.

Isso não significa que esses eleitores votarão ou escolherão determinado candidato no segundo turno. O número, porém, demonstra como o comparecimento pode modificar o volume de votos registrados no município, mesmo que as preferências predominantes permaneçam semelhantes.

Abstenção pode alterar o volume de votos

Outro componente importante para compreender o segundo turno é a participação eleitoral. Em Santa Catarina, 81,05% dos eleitores compareceram às urnas em 4 de outubro, enquanto a abstenção chegou a 18,95%.

O percentual ficou 0,49 ponto acima do registrado no primeiro turno de 2022, segundo o TRE-SC. Em números absolutos, mais de 1 milhão de catarinenses deixaram de votar.

A ausência de parcela significativa do eleitorado representa uma variável para a próxima votação. Mesmo sem mudanças expressivas nas preferências individuais, o aumento ou a redução do comparecimento pode modificar os totais e percentuais alcançados pelos candidatos.

No segundo turno, a disputa terá apenas dois nomes. Por isso, os votos destinados aos demais candidatos em 4 de outubro também entram na análise. Entretanto, não é possível afirmar que esses votos serão automaticamente transferidos para Lula ou Flávio Bolsonaro. Parte dos eleitores poderá mudar de escolha, votar em branco, anular o voto ou não comparecer.

O mapa eleitoral pode mudar?

Os resultados municipais permitem identificar onde cada candidato recebeu maior apoio, mas não são suficientes para antecipar o comportamento dos eleitores em 25 de outubro.

Uma cidade que apresentou ampla vantagem para determinado candidato no primeiro turno pode registrar percentuais diferentes no segundo, mesmo mantendo a mesma ordem de votação. Isso acontece porque a disputa passa a considerar somente dois concorrentes, além das possíveis mudanças de comparecimento.

As pesquisas nacionais também mostram um cenário competitivo. Levantamento Datafolha divulgado em 15 de outubro apontou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Foram entrevistados 2.520 eleitores em 153 municípios brasileiros, nos dias 13 e 14 de outubro, sob registro BR-00466/2026.

O resultado da pesquisa, entretanto, representa o eleitorado nacional e não deve ser interpretado como uma projeção específica para Santa Catarina.

 

A resposta virá em 25 de outubro

A votação decisiva está marcada para domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A partir do encerramento, a Justiça Eleitoral realizará a totalização dos votos e divulgará os resultados da apuração.

Até lá, os números de 4 de outubro permanecem como uma importante referência para compreender a distribuição municipal dos votos catarinenses.

Santa Catarina apresentou uma vantagem expressiva para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A questão agora é verificar se o padrão será mantido, ampliado ou reduzido na votação decisiva. A resposta dependerá das escolhas individuais dos eleitores e de quantos voltarão às urnas.

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Áurea Arendartchuk

Jornalista com mais de 25 anos de experiência, atuou como repórter, colunista, editora e assessora de imprensa