A partir de 1º de janeiro de 2019, um novo governo se inicia no país e também no estado.

Eleito presidente do Brasil com o voto de 55,1% da população, Jair Bolsonaro (PSL) defende um estado liberal na economia e se apresenta com uma nova proposta de fazer política, começando pela nomeação da equipe de governo, prometendo que não será feita a partir de indicações políticas.

Escute esta notícia no player ou continue a leitura abaixo

Futuro do país e do estado

Em seu discurso da vitória, Bolsonaro falou em um futuro melhor para o país, que passa por um governo que crie as condições para que todos cresçam.

“Isso significa que o governo federal dará um passo atrás - reduzindo a sua estrutura e a burocracia; cortando desperdícios e privilégios -, para que as pessoas possam dar muitos passos à frente”, disse.

Para o governo de Santa Catarina, Comandante Moisés, também do PSL, igualmente propõe a renovação política no estado. O eleito, que contou com o apoio de 71,09% dos catarinenses, destacou seu projeto de mudança no pronunciamento após o resultado do segundo turno.

“É um novo momento na política. Uma nova história acaba de iniciar. Vamos devolver ao nosso estado a celeridade que ele e seus cidadãos merecem”, declarou.

Na microrregião de Jaraguá do Sul, lideranças políticas, empresariais e dos trabalhadores falam sobre a expectativa para os próximos governos. Veja a seguir o que eles pensam.

Antídio Lunelli, prefeito de Jaraguá do Sul e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali)

Em relação ao governo estadual, Antídio Lunelli (MDB) defende uma aproximação entre o governo estadual e a microrregião de Jaraguá do Sul, para que os anseios dos municípios do entorno sejam atendidos, principalmente a questão da duplicação da BR-280.

“Que o nosso ex-governador também já tinha prometido e até agora não aconteceu nada”, lembra Lunelli.

A respeito da gestão, o prefeito espera que o novo governador atenda aos anseios dos eleitores para uma desburocratização e redução da máquina pública.

Lunelli vê novas governanças com bons olhos | Foto Arquivo OCP News

“Acho que esse foi o recado que o povo deu, espero que haja um trabalho realmente em cima da simplificação, da desburocratização e que seja um trabalho mais objetivo”, pontua.

Quanto ao governo federal, o prefeito reforça o pleito municipalista, de uma descentralização dos recursos concentrados em Brasília, voltando-se aos municípios – “uma vez que tudo acontece nos municípios" - e também aos estados.

Lunelli também espera o mesmo trabalho de desburocratização e simplificação na esfera federal do poder público, assim como a retomada do crescimento econômico.

“Eu espero que aconteça a simplificação e a redução do tamanho do estado, o Estado se meteu demais na vida do cidadão, das empresas, precisamos simplificar e facilitar a vida das pessoas, das empresas, para que nossa economia retome o crescimento”, reforça o mandatário.

Anselmo Ramos, presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs)

Representando o setor empresarial, Anselmo Ramos diz esperar dos dois governos um trabalho que promova o equilíbrio das contas públicas, diminuindo o tamanho da máquina pública e aumentando a sua eficiência de gestão.

“Isso é condição fundamental para que o governo estadual e federal tenham melhores gerenciamentos dos recursos e até possam fazer a retomada de investimos em obras de infraestrutura”, analisa o presidente.

Para Santa Catarina, Ramos espera uma melhora na performance do sistema educacional que é atribuído ao estado, pois considera que está muito abaixo do municipal.

A retomada dos investimentos em infraestrutura também é esperada pela categoria, notadamente no Norte do estado.

“É onde temos um setor produtivo que está muito limitado em função da sua infraestrutura de escoamento de cargas. Isso é imprescindível para que retome o desenvolvimento do estado”, destaca o presidente.

Ramos espera que a educação melhore em Santa Catarina | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Outro ponto importante, salienta Ramos, é a questão da sobreposição de atribuições do corpo de bombeiros voluntários de Jaraguá do Sul e Joinville com relação aos bombeiros militares.

O presidente acredita que o assunto precisa ser discutido e resolvido nos próximos meses. “Temos que deixar essa pauta bem limpa para que ambas [as corporações] tenham eficiência de trabalhar naquilo que lhes compete.”

No governo federal, Ramos fala das reformas, tanto da previdência, como da fiscal, com o objetivo de diminuir o déficit público, além de uma reforma tributária, trazendo a simplificação do sistema.

Hoje, segundo o presidente, a complexidade com “os inúmeros impostos diferentes criados em várias esferas” é muito grande, o que dificulta às empresas se manterem em dia.

Um programa de privatizações também é outra das expectativas do presidente, ainda em um curto prazo. Com o programa, defende Ramos, haveria aumento da qualidade dos serviços oferecidos às pessoas e às empresas.

“Como o governo federal não tem condições de investimento naquilo que está gerindo, a melhor coisa é entregar isso ao setor privado”, reforça.

Outra vantagem seria a entrada de recursos no caixa da União, permitindo investir mais saúde, educação e segurança, “que é a base constitucional de suas atribuições”, diz.

Gabriel Seifert – presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Jaraguá do Sul

Representando a CDL, Gabriel Seifert diz que a esperança em relação às próximas gestões executivas, tanto do estado quanto do país, é que as promessas de campanha sejam cumpridas, com prioridade às reformas, para que o governo volte a investir focando no avanço do país.

A partir de uma reforma administrativa, Seifert diz que a categoria espera a redução de cargos, ministérios, secretárias e privilégios.

Seifert diz que reformas são necessárias | Foto Arquivo OCP News

Com a reforma da Previdência, a expectativa é que haja a equiparação entre as previdências do funcionalismo público a do setor privado, com o equilíbrio das contas do governo.

Outra reforma esperada é a política, com a diminuição do número de cargos acessórios, privilégios, partidos e fundos “e contra a manutenção dos mesmos no poder”.

Finalmente, por meio de uma reforma tributária, o setor espera uma redução drástica na burocrática quantidade de obrigações e cargas tributárias”, destaca o presidente. 

Gildo Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário (Stiv)

Representante dos trabalhadores, Gildo Alves espera que o novo governador possa fazer um bom governo.

Destacando o candidato eleito Carlos Moisés como uma figura nova na política, Alves espera que ele tenha êxito, interrompendo a sequência de 16 anos em que depois partidos principais, MDB e PSBD, dividiram o comando do estado.

“Que ele tenha sucesso e que possa fazer um trabalho para o nosso estado, que é sem sombra de dúvida um estado diferenciado, que tem mantido um crescimento de emprego, mas que precisa de muito mais”, pontua o presidente.

Ele também espera que a nova Administração estadual volte mais o olhar para a microrregião de Jaraguá do Sul. "Uma região pujante e que foi bastante esquecida pelos governadores anteriores”, considera.

Alves espera que os sindicatos possam atuar sem interferências | Foto Divulgação

Em relação ao governo federal, o presidente resume a expectativa da categoria: “Espero que ele faça o trabalho dele e que faça com que nós possamos fazer o nosso trabalho”.

Alves considera que a reforma trabalhista criou um problema para o movimento sindical que, segundo o presidente, era visto como algo ruim para o trabalhador e para a empresa.

O presidente destaca que, além da atuação nas questões trabalhistas, os sindicatos também oferecem oportunidade de atendimentos médicos e de saúde, como odontológicos e farmacêuticos.

“Eu espero nós possamos continuar fazendo nosso trabalho como a gente sempre fez, e dando ao trabalhador as condições dele poder ir no médico, no dentista e procurar o sindicato e ser atendido, é isso que esperamos, que não tenhamos interferência nas nossas entidades sindicais”, reforça.

De modo geral, Alves torce para que o próximo presidente faça um bom governo e analisa que o Brasil está passando por um problema muito sério de desemprego e precisa de uma reviravolta. “Espero que os eleitos resolvam pelo menos 10% do que prometem, que já melhora o país”, finaliza.

Luiz Cesar Schorner, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e Região (Sinsep)

Em relação ao governo do estado, Luiz Cesar Schorner espera a implementação de políticas públicas de saúde, segurança e educação, “que são as principais prerrogativas do Estado”.

Por ser um candidato até então desconhecido, o presidente fala que é difícil fazer uma análise do que esperar, mas reforça que a principal questão é a de que o próximo governo consiga suprir aquilo que a população trabalhadora mais precisa.

Quanto ao governo federal, considerando as ideias que o candidato eleito manifestava antes mesmo da campanha, Schorner espera que o discurso realmente tenha mudado e que não haja perseguição à oposição.

Schorner pede que as instituições democráticas do país sejam respeitadas | Foto Divulgação

“Que se respeite as instâncias democráticas do país”, diz o presidente, citando o poder Judiciário, Legislativo e também os sindicatos.

A categoria também espera que os direitos dos trabalhadores sejam mantidos e até ampliados, para que a população possa viver melhor do que vive hoje, e defende que o combate à corrupção, prometido pelo eleito, não seja apenas um discurso, mas que se refira a todo e qualquer tipo de corrupção.

“Basicamente é isso, torcer para que os dois governos venham realmente para mudar para melhor a vida das pessoas”, finaliza.

 

Quer receber as notícias no WhatsApp?