A Síndrome de Burnout é uma das consequências do ritmo de vida acelerado, caracterizado por esgotamento físico e mental. O estado de tensão emocional e estresse crônico normalmente é desencadeado por um período de muito desgaste no trabalho, com intervalos pequenos para o descanso e a recuperação.

Esta síndrome é mais comum em profissionais que trabalham direto com pessoas ou que são submetidos a muita pressão, como profissionais da área da saúde, bancários, gerentes de projetos, professores, assistência social, recursos humanos, bombeiros, advogados, jornalistas, executivos, profissionais do mundo digital e pessoas que realizam dupla jornada de trabalho.

De acordo com a nutróloga, Dra. Cristiane Molon, os sintomas são inúmeros e, em fase inicial, podem confundir com depressão. O esgotamento físico e mental pode ser percebido através de mudanças comportamentais, como agressividade, irritabilidade, impaciência, isolamento, oscilação de humor, cansaço físico, dificuldade de concentração, ansiedade, tristeza e pessimismo, fadiga e desmotivação.

Segundo a especialista, também é possível observar outros sintomas associados como: dores de cabeça frequentes, tonturas, insônia, problemas digestivos, cólon irritável, diarreia sem causa aparente, falta de ar, cansaço crônico, diminuição da concentração, oscilações de humor, pressão alta, palpitação e irregularidade do ciclo menstrual.

"Pode ocorrer perda de motivação no trabalho, procrastinação e sentimento de incapacidade. A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho, necessidade de mostrar que é capaz, de querer ser reconhecido são comuns em portadores desta síndrome. A cobrança excessiva e o alto nível de exigência gera a fadiga e a exaustão. Ser multitarefas não é saudável", explica a médica.

Como tratar?

Além de mudanças no estilo de vida, o tratamento muitas vezes é medicamentoso, no entanto, dependendo dos sintomas, fitoterápicos podem auxiliar, assim como a terapia, a acupuntura e férias.

A atividade física regular deve entrar para a rotina, pois ajuda a liberar serotonina e endorfina, envolvidas na sensação de bem-estar e no bom humor, além de melhorar a disposição.

A especialista pontua que buscar qualidade de vida é a melhor estratégia para prevenir o esgotamento mental e isso inclui cuidar da saúde, dormir cedo, alimentar-se bem, praticar exercícios, cultivar hobbies, evitar levar trabalho para casa, descansar no final de semana e tirar férias.

"Se você precisasse se afastar do trabalho por tempo indeterminado, quantas pessoas precisaria contratar para fazer o que você faz?" questiona Dra. Cristiane.

Ela recomenda para quem sofre de síndrome de Bournout, tirar o pé do acelerador e usar o freio. Priorizar o que é importante e deixar de lado o que rouba a energia.

Questione-se!

Você está vivendo ou sobrevivendo? O seu sono é de qualidade? Acorda cheio de energia? Tem o hábito de beber todas às noites para relaxar? Ela enfatiza para que as pessoas fiquem de olho nos hábitos e tenham cuidado para não se sabotar, buscando como válvula de escape a bebida e criando assim uma falsa ilusão que os problemas serão resolvidos.

"Problemas se resolvem de forma consciente e não anestesiando os sentidos", destaca.

Hábitos saudáveis auxiliam no tratamento e prevenção

A Dra. Cris ressalta que é importante investir em uma alimentação balanceada, rica em nutrientes e antioxidantes, pois esta é fundamental em períodos de estresse, já que é a partir da alimentação que temos os nutrientes para produzir enzimas digestivas, hormônios e para que o metabolismo funcione adequadamente.

Ela afirma que deve-se priorizar alimentos que sejam fonte de proteína como: peixes, ovos, queijos, lentilha e feijões que são importantes para a produção de neurotransmissores cerebrais e que auxiliam no humor e bem-estar.

Lembrar também das folhas verdes e vegetais ricos em magnésio, folato, antioxidantes, vitamina C, colina, as frutas vermelhas ricas em antioxidantes que auxiliam na redução do estresse oxidativo, aumentado em momentos de tensão.

Além disso, diminuir o café, substituindo por chás ou pelo descafeinado, pois o café pode, além de agitar a mente, interferir na qualidade do seu sono.

Mais dicas da Dra. Cris:

  • Crie o hábito de dormir mais cedo para que a melatonina, indutor natural do sono, seja liberada e desta forma equilibre seus hormônios e mantenha a sua saúde em dia;
  • Busque momentos de relaxamento e lazer para controlar o cortisol, o hormônio do estresse, normalmente alterado em quem sofre de esgotamento físico e mental;
  • Desacelere e oxigene a sua mente: com meditação, massagem, sauna, reiki, acupuntura, yoga, caminhada ao ar livre. Invista em hobbies, estes são atividades prazerosas como costurar, pintar, pescar, passear, dançar, fotografar, cavalgar, cozinhar, estas atividades estimulam o sistema nervoso parassimpático, promovendo relaxamento.

"Adote um estilo de vida saudável para melhorar a qualidade do sono, o humor, o nível de energia, a motivação. Desacelere e procure ajuda para restaurar a sua saúde física e mental", finaliza Dra. Cris.

Sobre a especialista

A Dra. Cristiane Molon (CRM-SC 11384 | RQE 10352) é nutróloga formada em medicina pela UFSC e pós graduada em prática ortomolecular e modulação hormonal, saúde da família, medicina estética e estudante de saúde quântica, programação neurolinguística e hipnose.