Há muita polêmica sobre o que é um parto humanizado, mas a maioria aceita que é aquele que devolve o protagonismo do parto à mulher. Segundo a ginecologista e obstetra, Thais Straliotto Lebtag, humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família. "É acreditar na fisiologia da gestação e do parto, garantir o direito de conhecimento e escolha da mulher" afirma.

Ela explica que o nascimento deve ser humanizado e não há diferença de via de parto. “O processo exige confiança, orientação, afeto e respeito com a gestante. Os direitos reprodutivos se estabelecem em quatro grandes pilares: integridade corporal, autonomia pessoal, igualdade e diversidade”, pontua.

A portaria do Programa de Humanização do Parto e Nascimento (GM 569/2000) e a Rede Cegonha (Lei 1.459/2011) preveem que toda mulher e sua família sejam recebidas com dignidade nos serviços de saúde, através de um ambiente acolhedor e atitudes éticas.

Thais ressalta que o principal objetivo do parto humanizado é resgatar o nascimento pela sua simplicidade e promover mudanças no comportamento e nas atitudes dos profissionais envolvidos no processo.

Benefícios

  • Poder ter a presença de um acompanhante escolhido pela parturiente, seja do sexo masculino ou feminino;
  • A comunicação efetiva dos procedimentos que serão feitos, bem como ouvir e considerar suas escolhas. Em um parto humanizado, não pode, por exemplo, optar por uma intervenção cirúrgica sem o consentimento e a comunicação à gestante;
  • Cuidado respeitoso à mãe: esse princípio requer que, durante o parto, sejam respeitadas a dignidade, confidencialidade e privacidade da gestante;
  • Alimentação e hidratação: durante um parto humanizado, é essencial oferecer e permitir que a parturiente se alimente e beba água;
  • Respeitar a melhor posição para mulher. A mulher é a protagonista do parto, por isso, ela deve escolher a posição em que se sente mais confortável para dar a luz;
  • Técnicas para prevenir lesão perineal: a equipe de assistência ao parto deve oferecer técnicas que aliviam e evitam lesões do períneo;
  • Contato pele a pele: logo após o nascimento, o bebê deve ser entregue à mãe para que tenham contato pele a pele;
  • Filho e mãe juntos: o bebê e a mãe saudáveis não devem ser separados durante os primeiros dias de vida;
  • Amamentação logo após o nascimento: deve ser estimulado que o bebê seja amamentado pela mãe o quanto antes.

Foto: Matheus Wittkowski

A ginecologista e obstetra reforça que, assim como a mãe, o bebê nascido com uma assistência humanizada não sofrerá nenhuma intervenção desnecessária (aspiração, banho precoce), bem como ficará próximo à mãe, o que é importante para estabelecer um vínculo entre os dois.

“Há grandes assimetrias no que diz respeito ao acesso e a disponibilidade de informação no pré-natal para mulheres. A falta de acesso às informações sobre o parto as impossibilita de exercerem autonomia e protagonismo de suas escolhas. O pré-natal deve ser um espaço de oferta de informações de qualidade”, reforça.

Estudos sugerem a falta de informação e de comunicação entre os profissionais e as mulheres, dificultando a realização de escolha com liberdade. A melhor forma de descobrir que um obstetra exerce práticas humanizadas é através da indicação de outras mulheres que já foram atendidas por esse profissional.

Segundo Thais, fortalecer a rede de mulheres também fortalece os profissionais para que possam participar da assistência de uma forma mais amorosa, segura e responsável.

Onde encontrar

A Dra. Thaís Straliotto Lebtag (CRM/SC 14849 e RQE 12.383) atende no Hospital e Maternidade Jaraguá, na rua dos Motoristas, 120. E também na Policlínica Rio Branco, na rua Barão do Rio Branco, 207, 1º andar, sala 05. Contato pelo (47) 3275-1063.