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Consórcio ganha espaço como estratégia de investimento em cenário de juros altos

Por: Maria Luiza Venturelli

13/05/2026 - 13:05 - Atualizada em: 13/05/2026 - 15:02

Com juros elevados e crédito mais caro no Brasil, o consórcio vem ampliando espaço além da função tradicional de compra parcelada de bens. A modalidade tem sido cada vez mais utilizada como ferramenta de planejamento financeiro e estratégia de investimento, especialmente nos setores imobiliário e automotivo.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o sistema fechou 2025 com resultados recordes. O número de participantes ativos chegou a 12,76 milhões, crescimento de 13,8% em relação ao ano anterior. As vendas de cotas somaram 5,16 milhões, alta de 15%, enquanto o volume de créditos comercializados ultrapassou R$ 500 bilhões, avanço de 32,1% sobre 2024.

O desempenho ocorre em um momento em que o custo do crédito segue elevado no país. A taxa Selic permaneceu em patamares historicamente altos ao longo dos últimos meses, impactando diretamente financiamentos imobiliários, empréstimos e crédito ao consumidor. Nesse contexto, especialistas apontam que o consórcio passou a ser visto por parte dos investidores como alternativa para aquisição patrimonial sem incidência de juros.

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Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio não possui cobrança de juros, embora inclua taxas administrativas e fundo de reserva. Para muitos consumidores, a modalidade passou a representar uma forma de planejamento de médio e longo prazo, especialmente em momentos de maior cautela financeira.

O avanço do setor também acompanha uma mudança no comportamento do investidor brasileiro. Com o crédito mais restrito e caro, cresce a busca por alternativas consideradas menos onerosas para aquisição de imóveis, veículos e ampliação patrimonial.

Segundo levantamento da ABAC, o segmento imobiliário foi um dos destaques do sistema de consórcios em 2025. Apenas no primeiro semestre do ano, as vendas de cotas para imóveis cresceram 40,8%, enquanto os créditos comercializados ultrapassaram R$ 118 bilhões, alta de 51,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A tendência também encontra reflexos no cenário regional. Em cidades como Jaraguá do Sul e municípios do Norte de Santa Catarina, o aquecimento do mercado imobiliário e o crescimento de novos empreendimentos têm ampliado o interesse por alternativas de aquisição e investimento patrimonial.

Na avaliação de especialistas do setor financeiro, o consórcio passou a integrar estratégias de diversificação de patrimônio, principalmente entre consumidores que não possuem urgência na aquisição do bem e buscam previsibilidade financeira.

Segundo o gerente regional de desenvolvimento da Sicredi Norte SC, Luiz Augusto Eisele, o consórcio vem ganhando espaço entre consumidores que buscam planejamento financeiro e formação de patrimônio em um cenário de crédito mais caro.

“No contexto atual, o consórcio passa a ser considerado uma ferramenta estratégica para formação de patrimônio, principalmente por permitir a aquisição de ativos com previsibilidade e menor impacto do custo do crédito ao longo do tempo”, afirma.

Além da aquisição direta de imóveis ou veículos, o consórcio também vem sendo utilizado por investidores para formação de patrimônio no longo prazo, aproveitando contemplações para compra de imóveis destinados à locação, revenda ou expansão de ativos.

O crescimento da modalidade acompanha ainda um movimento de maior educação financeira entre consumidores, que passaram a avaliar não apenas o acesso imediato ao crédito, mas também o custo efetivo das operações ao longo dos anos.

Embora o consórcio não seja indicado para perfis que necessitam de acesso imediato ao recurso, especialistas apontam que a modalidade tende a ganhar relevância em períodos de juros elevados, justamente por oferecer uma alternativa menos exposta às taxas praticadas no mercado financeiro tradicional.

Segundo a ABAC, o sistema de consórcios já representa mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em ativos administrados, reforçando o avanço da modalidade dentro do mercado financeiro nacional.

O movimento indica uma mudança mais ampla na forma como os brasileiros encaram o planejamento financeiro: menos imediatista e cada vez mais orientada à construção de patrimônio no longo prazo.

 

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Maria Luiza Venturelli

Jornalista formada pela Faculdade IELUSC, especializada em conteúdo publicitário, cultura e entretenimento.