O Aneurisma é uma dilatação que ocorre em uma artéria e pode ter várias causas. No caso da região cerebral, ele pode ter existido desde o nascimento, ou pode ter se formado com o passar do tempo.

O neurologista Dr. Vicente Caropreso explica que a parte dilatada da artéria tem as paredes mais finas e corre um risco grande de se romper. Entretanto, na maior parte dos casos ele não se rompe, e não causa sintomas, só vindo muitas vezes a ser descoberto através de exames de imagem. Quando se rompe, causa uma série de sinais e sintomas, e geralmente o quadro é muito grave.

Quais são os sintomas e como proceder ao senti-los?

Segundo o especialista, a sensação da ruptura de aneurisma cerebral é brusca, a pessoa sente dores de cabeça muito intensas, levando muitas vezes à perda de consciência imediata. Ocorre extravasamento de sangue diretamente para o tecido cerebral, ou, na maioria das vezes, para o espaço subaracnóideo, que fica entre as duas meninges que revestem o cérebro.

“Os sinais clínicos são de rigidez de nuca, e desde sinais neurológicos leves até estado de coma e morte súbita. Geralmente acontece o rebaixamento do nível de consciência e confusão mental - que pode ser passageira, dando chance para erros de diagnóstico, caso não seja feita uma boa observação clínica”, pontua.

Como confirmar o diagnóstico?

O médico explica que o diagnóstico é feito clinicamente, pela história súbita de cefaléia tipo explosiva, após esforço físico, ou mesmo espontaneamente, sem esforço, seguida de vômitos, com ou sem perda de consciência imediata e com ou sem alterações mentais. Pode haver febre.

Ele ainda pontua que exames complementares são fundamentais para saber como e onde sangrou (localização do aneurisma) o que é feito através de tomografia, ressonância magnética ou estudo angiográfico cerebral (por cateterismo).

Tratamento

Caso o paciente seja diagnosticado com ruptura de aneurisma, ele deve ficar imediatamente em terapia intensiva, já que, não raramente, pode haver uma segunda ruptura do aneurisma, o que geralmente traz sérias consequências ou mesmo a morte.

Dr. Vicente ainda ressalta que nesses casos é necessário a estabilização clínica, o controle da pressão arterial, uso de protocolo de acompanhamento destes casos e em algumas situações o suporte ventilatório.

“Dependendo do estado do paciente, é indicado a neurocirurgia de clipagem do aneurisma (colocação de um grampo para impedir o ressangramento) ou a embolização do aneurisma por cateterismo. O neurocirurgião deverá escolher a opção, dependendo da localização, do tamanho do aneurisma e do estado clínico do paciente. A neurorradiologia intervencionista, desenvolveu técnicas avançadas e não invasivas (não cirúrgicas), preservando ainda mais as condições do paciente”, complementa.

Segundo ele, os casos nem sempre são de quadro clínico estável, geralmente há complicações, por vezes de difícil controle (vasoespasmo – que é um espasmo ou afilamento generalizado dos vasos cerebrais), o que piora sensivelmente o prognóstico dos casos.

Aneurisma deixa sequelas?

A ruptura de um aneurisma cerebral geralmente pode provocar sequelas, as quais podem ser leves ou graves a ponto de causar a morte. O neurologista afirma que o paciente pode ficar apenas com um desvio no olho ou em coma, em estado vegetativo. “Muitas vezes sai sem sequelas, quando o diagnóstico é feito rapidamente e é dado o suporte intensivo adequado para evitar o ressangramento. Assim as chances de recuperação aumentam sensivelmente”, diz Dr. Vicente.

Prevenção!

Evitar o tabagismo (a doença é mais comum nos fumantes), controlar a pressão arterial, evitar uso de drogas injetáveis (como cocaína) e não abusar do álcool, são as principais formas de prevenir casos de aneurisma. Pessoas com histórico na família tem mais chances de apresentar o problema, nestes casos o controle dos fatores acima é fundamental, além da realização de exames para descartar a presença da doença.

Sobre o especialista

O Dr. Vicente Caropreso (CRM-SC 3463 e RQE 618) atende no centro de Jaraguá do Sul. É médico neurologista desde 1983, voluntário da Apae de Jaraguá do Sul. É referência estadual dos Agravos Epidemiológicos Botulismo e Doença de Creutzfeld-Jacob (DCJ) e é médico honorário do Hospital e Maternidade São José.