Andressa Fischer, 23 anos. Uma jovem idealista, formada em Administração de Empresas e que no dia 2 de outubro recebeu 521 votos. Foi a segunda mais votada para compor a Câmara de Vereadores de Corupá a partir de janeiro de 2017 e uma das mais jovens a ocupar o cargo no país. Filha de agricultores, ela conta que sempre gostou de política e foi influenciada por um tio que tentou, porém, não conseguiu sair vencedor nas urnas. Do período escolar, Andressa recorda com carinho dos debates com os professores, mas daí a disputar uma eleição, diz que foi uma caminhada que surpreendeu a si mesma. Filiada ao PP, a vereadora eleita não esperava receber o convite de João Gottardi para se candidatar tão cedo e agradece ao prefeito eleito pelo empurrãozinho para a vida pública. E apesar do bom resultado nas urnas e de ser da base aliada ao próximo governo, Andressa descarta assumir uma secretaria, defende que vereador tem que cumprir o mandato que recebeu nas urnas e sugere até um projeto para evitar essa dança de cadeiras. Na entrevista, a jovem fala ainda de seus projetos, da campanha e aconselha os jovens e a comunidade em geral a se envolver e participar das decisões que afetam o dia a dia de todos. CONFIRA A ENTREVISTA https://www.youtube.com/watch?v=ED8VOqfRaF8&feature=youtu.be Por que uma jovem de 23 anos decidiu entrar para política em uma época em que esse sistema anda tão desacreditado? Justamente por isso. Não adianta reclamar e não participar. A gente tem que se propor a ser a mudança que espera. Sempre gostei de política, desde pequena e estava cansada de ver sempre as mesmas caras. Adorava debater com os professores em sala de aula. Podia passar horas falando do assunto. E também acredito muito no projeto que o Gottardi tem para Corupá. Há muito que fazer. Sua família é ligada à política? Não, sou filha de agricultores. Tenho um tio que já se candidatou a vereador, mas não se elegeu. Ele me influenciou muito a gostar de política, a participar. O resultado das urnas, ver que foi eleita, a segunda mais votada. Tudo isso te surpreendeu? Sim. Primeiro eu não esperava receber o convite do Gottardi para me candidatar. Jamais imaginei ter essa oportunidade tão cedo. A ficha ainda não caiu para falar a verdade. Acho que no dia primeiro de janeiro eu vou ter certeza que é isso mesmo. Tenho um compromisso de trabalhar pela sociedade. Quais devem ser suas principais bandeiras de atuação na Câmara? Primeiro é incentivar as pessoas a participarem da política. É preciso que a sociedade veja a importância de participar das decisões públicas, que vão interferir no dia a dia de todos. Também, como acabei de me formar, vi na prática quantos jovens saem de Corupá todos os dias para estudar em Jaraguá do Sul e o quanto nossa BR está perigosa. Pretendo desenvolver um projeto para que o município conceda o transporte escolar para quem vem estudar em Jaraguá. Mas o jovem não vai ser beneficiado de graça. Em troca disso, ele vai prestar serviço voluntário que hoje praticamente inexiste no município. Vi nesses 45 dias de campanha como tem gente que precisa de ajuda e o município não consegue fazer tudo sozinho. É um projeto que pode abordar as duas frentes. Existe a possibilidade de você assumir uma secretaria na Prefeitura de Corupá? Nenhuma. Essa foi uma questão debatida pela coligação. Seu Arno, que é o vice, dizia: “Temos que fazer diferente, vereador eleito tem que ficar na Câmara e respeitar o voto que recebeu”. E eu concordo com ele. Não dá para você fazer uma coisa que acha feio quando é o outro quem faz. Fui às casas pedir voto para ser vereadora, não para ser secretária. Defendo até que façamos em conjunto um projeto para proibir que vereador eleito assuma cargo no Executivo, até porque isso acontece muito e tem pessoas despreparadas para funções na Prefeitura que acabam assumindo cargos só porque fizeram bastante votos. O povo não aguenta mais essa política. Ninguém mais quer usar nariz de palhaço. Na sua visão, qual deve ser a prioridade do próximo governo? Andei muito nesses 45 dias e o que as pessoas mais pedem é melhorias na Saúde. Precisamos diminuir as filas. Tem gente esperando três anos por um oftalmologista. Temos que fazer parcerias, buscar recursos, cobrar do Estado e do governo federal. Turismo e cultura também são prioridades. Nesse ano, não teve nem desfile de aniversário. Ser mulher e jovem atrapalhou ou ajudou? Quase dificultou na tomada da decisão, se eu iria ou não me candidatar. Jamais imaginei ter uma aceitação tão boa. Tive receio. Mas era tudo besteira da minha cabeça. Ainda bem que eu tentei, ou nunca saberia o resultado. O que diria para os jovens? Não tenha medo. Vá, faça, participe. Mostre a sua cara, se arrisque. É assim que começa a mudança.