A advogada de Jaraguá do Sul Pollyanna Packer Rodrigues, 39 anos, usou as redes sociais para compartilhar seu processo de recuperação da Covid-19. Na intenção de conscientizar as pessoas, ela falou dos sintomas, momentos de isolamento e de como foi passar por cada etapa do tratamento.

Pollyana conta que os sintomas começaram em um sábado a noite, no início de junho. Parecia uma gripe: dor no corpo, tosse e febre. No entanto, pelo cenário de proliferação do vírus e por ter tido contato com um colega que estava afastado por suspeita de Covid-19, ela buscou atendimento no domingo pelo plano de saúde.

A advogada conta que fez o exame, recebeu medicamentos e assinou um termo com ordem de isolamento. Em casa, ela seguiu mal na segunda e terça-feira com febre alta, enjoo e exaustão física.

"Porém, na quarta, eu acordei mais disposta. Eu até pensei: 'não é Covid, não é'. Eu estava na fase da negação", comenta. Pollyanna seguiu o dia bem disposta, começou a trabalhar de casa, fazer reuniões virtuais, no entanto, no fim do dia, vieram novos sintomas.

Ela conta que começou a sentir um forte pressão no peito e na face, além de muita dor de ouvido.

A exaustão física seguiu na quinta, e na sexta-feira ela sentiu que era momento de buscar novamente o atendimento porque os sintomas pareciam piorar.

Pollyanna recebeu novos medicamentos, mais fortes, e voltou para casa, mas ainda se sentia muito fraca. No sábado pela manhã, recebeu uma ligação que confirmou a doença. Por telefone, ela manifestou que todos os sintomas seguiam fortes.

Internação e abalo emocional

Foi então que, no retorno ao médico, uma semana depois, ela foi internada. Uma tomografia indicou um aumento na lesão no pulmão.

A paciente conta que precisou assinar um termo para aceitar um novo protocolo de tratamento, uma vez que não existe um padrão de tratamento até o momento.

"Eu passei momentos muito difíceis, a doença é muito cruel, é muito difícil. Quando você ouve do médico que não existe um tratamento e que você já está vindo de um longo tratamento de remédios fortes e que não estavam dando o resultado que você esperava ter, o psicológico começa a agir de uma forma bastante preocupante", conta.

Pollyanna conta que foi momento de reflexão diante uma situação em que a morte ficou muito presente. O pensamento nos filhos e em Deus e o apoio da família foi fundamental diante de uma sensação de desespero, desamparo, dor física e emocional.

"Você está sozinha. Nem mesmo os enfermeiros que estão ali te assistindo, para ministrar as medicações no momento que elas precisam ser ministradas, podem ter um contato com você. É uma doença solitária", comenta.

A advogada ressalta a importância de receber os cuidados da equipe e o "calor humano" dos profissionais do Hospital Jaraguá, que estão na linha de frente.

Fique em casa

"A gente fica naquela crença que só pessoas mais velhas são atingidas. Ou que tenham comorbidades", diz. "Eu sou uma pessoa que não está nos grupos de risco, que acreditava ter pulmão, eu corria 10 quilômetros", conta, reforçando que mantinha hábitos de vida saudáveis.

A advogada pontua que os hospitais estão em uma situação muito complicada, com muitas internações, e a atitude de cada um é fundamental para reduzir a proliferação do vírus.

"Essa doença é tão cruel, na madrugada eu ouvi tanta coisa. Pessoas pedindo pelo amor de Deus para viver, filhos desesperados porque estavam perdendo seus pais, é desesperador. Eu me peguei por vezes rezando por pessoas que eu não sei quem eram, eu só ouvia essas pessoas", releva.

Pollyanna ressalta a importância das pessoas realmente acreditarem na doença e entenderem como é fundamental usar máscara corretamente, tomar os devidos cuidados e ficar em casa sempre que possível.

"Agora é momento de demonstrar amor ao próximo, respeito", reforça.

Confira o depoimento

 

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