A vereadora mirim Pâmela Faustino usou a tribuna da Câmara de Vereadores na sessão desta quarta-feira (09) para falar sobre racismo e suas consequências para os negros na sociedade brasileira.
Ela lembrou que não é possível classificar os seres humanos por raça biologicamente, mas apenas socialmente. Pâmela apontou dados sobre a morte de negros no Brasil e advertiu que o número é maior do que o de regiões em guerra.
A jovem afirmou que o racismo está concebido na construção mental do povo brasileiro e que as pessoas o operam antes mesmo de qualquer reflexão.
“Alguns indivíduos se negam a atender pessoas negras em alguns estabelecimentos e chegam a ferir os sentimentos delas. Isso é realizado frequentemente em vários locais. Mesmo sabendo da lei contra o racismo e que esse ato é de discriminação, grande parte da população o pratica. Quem comete esse crime pode levar de dois a cinco anos de prisão”, salientou.
Pâmela ainda recitou um de seus poemas em sua fala. “Eu escrevo poemas, crônicas e afins, resolvi escrever um poema baseado na minha realidade e sei que muitos outros jovens negros poderão se identificar”:

A cor dela

E lá se foi mais um dia
Olhei a revista e não me via
Olhava pras mulheres de olhos azuis e corpo padrão
Suplicava ao céus o porque da minha cor ser tão similar a escuridão
Tantos questionamentos e poucas respostas
Me julgavam pelas tranças que eu usava
Me julgavam pelo tambor que eu batia
Na internet só do racismo falava
Cara a cara, se via um negro na calçada, saía
Aaaaah, eu fico é encabulado
Fala tão mal das preta
Mas se vê uma na rua, já pensa, ah! Essa aí tem a cor do pecado
Fala tanto da minha religião
Mas na sexta tá lá no terreiro pedindo ajuda, quero só ver…
Você implorando pra Ogum te socorrer
Eu vivo do som do atabaque
Eu piso na terra onde morreram escravos
Eu sinto sangue derramado
Moro no chão onde povos morreram sacrificados
Agora entende por que ser preto é tão complicado?
Dizem que a escravidão não existe mais
Mas continuam pisando em nós
E a luta é pela paz
Eu só quero ver quando ‘’ceis’’ darem de cara com Deus
É nessa hora que não tem padre nem pastor
Deus vai ser uma mulher preta e pobre
Uma mulher de cor
E já dizia o mano Brown:
“amo minha raça, luto pela cor
o que quer que eu faça é por nós, por amor”
Mas ei, ‘’cê’’ acha que a gente não sente o tempo da escravidão?
Onde negras foram estupradas e o resultado foi o que?
A linda miscigenação
A gente sente a senzala no nosso corpo
Sentimos na nossa a pele a dor
De sermos julgados por ser causa da nossa cor
Pedimos respeito
Tem uma imensidão de ferida no nosso peito
Somos o resto de suor de um povo preto que morreu
E eu só tô aqui pra lembrar dessa raça que tanto se esqueceu…
Mas continuam dizendo que a escravidão já se foi
Então me dá uma única resposta:
Por que ainda sinto a dor do chicote nas costas?
*Com informações de Assessoria de Imprensa

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