Sustentabilidade e economia. Com esses dois pilares, o vereador Charles Longhi (PMDB) defende o projeto de lei para obrigar todas as construções acima de 90 metros quadrados da cidade a implantar sistema para captação de água da chuva. Para aquelas construções que já existem e se encaixam neste perfil, o projeto prevê um prazo de 10 anos para adequação. A capacidade mínima da cisterna deverá ser de 500 litros e, no máximo, cinco mil litros. Para o vereador, o projeto irá promover o uso consciente de água, fazendo com que o recurso captado pela cisterna seja utilizado para limpeza de residência, automóveis, calçadas e irrigação de jardins, por exemplo. Longhi cita exemplos de consumo consciente através de sistemas de captação já existentes na cidade. “Meu vizinho mesmo implantou quando construiu. Ele me disse que conseguiu diminuir em 50% o consumo de água da rede”, diz. Além disso, ele aponta a iniciativa da escola São Pedro, no Guamiranga, como exemplo a ser seguido. “Queremos evitar que haja o consumo de água tratada para esses fins. Sabemos que o sistema de tratamento de água está cada vez mais complicado porque o tratamento e distribuição são processos caros”, afirma. Outro ponto positivo do sistema, aponta o vereador, é a possibilidade de minimizar os pontos de alagamento, comuns na cidade. “Se as residências coletassem parte da água da chuva do telhado, essa água não iria para o córrego e no meu entendimento isso pode diminuir os alagamentos porque essa água será armazenada nas cisternas. Já existem experiências neste sentido em outras cidades e tem dado certo. Então, o objetivo do projeto é diminuir o consumo de água tratada e contribuir para a diminuição de pontos de alagamento”, destaca. Confiante na aprovação do projeto, o vereador destaca que não haverá custos para a administração e chama a atenção também para o foco do projeto. “Há muita gente questionando porque pessoas com rendas mais baixas poderiam ter custo extra, mas é preciso deixar claro que o projeto é voltado para construções acima dos 90 metros quadrados. Outro ponto que precisa ser levado em consideração é a economia gerada, visto que com a captação, o consumo de água tratada cai consideravelmente”, ressalta. Mesmo sem ter tido o retorno do jurídico da Casa, Longhi acredita que o projeto será levado à votação. Para o presidente da Câmara de Vereadores, Ernesto Friedemann, o assunto precisa ser melhor discutido. Ele pondera que a obrigatoriedade pode não ser a melhor forma de conduzir um processo de conscientização no que diz respeito ao consumo da água. “No meu ponto de vista, a forma em que você obriga o cidadão a fazer uma cisterna é um pouco pesada demais. Teríamos que pensar a respeito disso, não sei se é viável”, diz. Friedemann afirma estar dialogando com a população e ouvindo pontos de vista favoráveis e contrários para pesar o que é benéfico para a população de Guaramirim. “Há bastante diversidade de opinião e muitas dúvidas ainda. É um projeto muito bom, mas não sei se o município está preparado”, completa. Sem ter o voto ou posição definidos, o presidente garante que o projeto deve entrar na pauta de votação desta semana.

Água da chuva é reaproveitada para serviços gerais em escola

Com um recurso de R$ 14 mil do governo do Estado, captado justamente para ações em sustentabilidade, a escola São Pedro, no bairro Guamiranga, implantou este ano um sistema de captação da água da chuva. A expectativa é de uma redução nas contas e ainda dar uma lição de cuidado com o meio ambiente. “É muita chuva na nossa região. Chove quase todos os dias. Por que não aproveitar essa água da chuva para outra coisa?”, questiona a assessora de direção, Betânia Coelho. A partir dessa constatação, a escola instalou uma estrutura para canalizar a água que escorre no telhado do ginásio de esportes a uma caixa d’água com capacidade de 15 mil litros. O recurso já está sendo utilizado para lavar o pátio da escola, o próprio ginásio, irrigar a horta e como tema para a sala de aula. Na última semana, destaca Betânia, o trabalho de valorização da água da chuva foi debatido como parte V Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, criada pelo Ministério da Educação. O tema para ser debatido nacionalmente neste ano, primeiramente com as conferências escolares, é justamente a água. Betânia ressalta a importância desse tipo de ação no ambiente escolar, mas também estimula a população a tomar atitudes sustentáveis. “A água da chuva vai fora. Não custa captar, nem que seja com baldes, para fazer os serviços da casa sem usar a água tratada”, completa.