A agilidade na criação de vacinas contra a Covid-19 foi o incentivo para a criação de um produto eficaz contra o vírus da imunodeficiência humana (Aids/HIV). Em 1981 foi declarada a epidemia de Aids. Somente agora, 40 anos depois, o mundo parece ter um imunizante eficaz contra a infecção.

Um estudo com mais de seis mil pessoas está sendo realizado em vários países da África, Europa, América do Norte e América Latina, inclusive no Brasil. Especialistas acreditam ser o mais promissor em quatro décadas.

O estudo está dividido em duas partes. A primeira está acontecendo na África Subsaariana com 2.637 mulheres heterossexuais. Uma segunda, chamada de Mosaico, acontece na Europa, na América do Norte e na América Latina, que está testando 3.600 voluntários, entre homens homossexuais e pessoas trans.

No Brasil, o estudo ocorre em oito centros de pesquisa nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

A pesquisa está na fase 3, que testa a eficácia da vacina em larga escala. As duas primeiras fases, com poucos voluntários, determinam a segurança do produto e a dose apropriada. O teste foi feito também em macacos, que apresentaram uma proteção de 67% contra a infecção. Em seres humanos, a maior eficácia foi de 30%, mas sua pesquisa foi deixada de lado.

"Nas fases 1 e 2, a vacina se mostrou muito segura. Os efeitos colaterais são parecidos aos da AstraZeneca contra a covid: dor local, febre por um dia, dor de cabeça", afirma o infectologista Ricardo Vasconcelos, coordenador da fase 3 no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

"A imunogenicidade do produto, ou seja, o quanto ele conseguiu induzir uma resposta imune, foi considerada muito satisfatória. Resta saber se essa resposta é capaz de reduzir a incidência da infecção."

A vacina está sendo aplicada em pessoas que tenham testado negativo para a Aids mas que tenham o risco aumentado de exposição à infecção. Os voluntários serão acompanhados por 30 meses. Metade receberá placebo e a outra metade, o imunizante. Ao todo serão quatro doses com três meses de intervalo entre cada uma.

Aids em Santa Catarina

Em todo o planeta, 38 milhões de pessoas possuem o HIV, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde 1981, ao menos 33 milhões de pessoas morreram vítimas da do vírus.

Com a divulgação das formas de prevenção e nos tratamentos, a mortalidade caiu de 1,7 milhão em 2004, ano em que mais morreram pessoas, para 690 mil mortes em 2019, aproximadamente uma redução de 60%.

Segundo o Instituto Barriga Verde Informativo, entre 2007 e 2018, em Santa Catarina foram registrados 11.234 casos da Aids, o recorde de contágio foi em 2011, com 2.561 casos do vírus. Em 2018, foram registrados 747 casos.