A falta de alguns medicamentos distribuídos pela Farmácia Escola de Joinville e a forma de como o atendimento é prestado à população tem incomodado muitos usuários. “O problema é que a demanda por atendimento é muito grande, e apenas duas funcionárias se desdobram para prestarem o serviço. Muitas vezes, precisamos pegar uma senha e ficar esperando por uma, duas horas. Quando finalmente nos chamam e pedimos o medicamento receitado pelo médico, as atendentes dizem que ele está em falta. Perdemos uma manhã ou tarde toda, e voltamos para casa de mãos vazias”, comenta um usuário de 35 anos que não quis ser identificado. Ele faz o uso contínuo de Mesalazina, um medicamento para o tratamento de doenças inflamatórias intestinais. “Estive lá no dia 27 de fevereiro. Após esperar mais de uma hora, disseram que a Mesalazina estava em falta, que era para eu retornar na segunda-feira, 12 de março. Quando retornei, as atendentes disseram que o medicamento tinha chegado e queriam que eu enfrentasse toda a fila. Mas não fiquei convencido porque elas nem consultaram os dados no sistema. Questionei a funcionária mais uma vez e, à contragosto, ela checou o sistema e mais uma vez o sistema acusou que o remédio está em falta”, conta, “ou seja, queriam fazer com que eu perdesse tempo esperando novamente”. Segundo o entrevistado, a falta de medicamento tem sido frequente. Em agosto não tinha meu remédio. Em novembro e dezembro consegui pegar parcialmente. Em janeiro a Farmácia ficou fechada. Fevereiro não consegui pegar toda a quantidade prescrita. É complicado. Nesta semana tive que comprar Mesalazina para não comprometer o tratamento. O remédio para dez dias custou R$ 70. Se fosse comprar para todo o mês gastaria mais de R$ 200”, acrescenta. Para o usuário, o principal problema é a burocracia e falta de pessoal para atender à comunidade. “A farmácia é essencial para muita gente. Precisamos de um atendimento mais humanizado, com mais funcionários para que eles de fato ajudem a comunidade “, finaliza o homem de 35 anos. Quer receber as notícias do Jornal de Joinville no WhatsApp? Basta clicar aqui Mais de seis meses de espera Em alguns casos a espera por um medicamento dura mais de seis meses. Esta é a realidade da dona de casa Maria Zuleide. O filho dela tem mielomeningocele, um defeito congênito que afeta a medula espinhal. Ele precisa tomar uma série de medicamentos, entre eles o Cloridato de Oxibutinina. “Há seis meses tenho ido frequentemente à Farmácia Escola em busca deste medicamento e nunca encontro. Está sempre em falta. Meu filho precisa do remédio para ter uma melhor qualidade de vida. Como não consigo na Farmácia Escola, tenho que comprar. Este dinheiro faz falta no fim do mês e impede, por exemplo, que eu dê uma alimentação melhor para meu filho”, comenta a dona de casa. Nesta terça-feira (13), após o caso dela ter sido exibido no Balanço Geral da RICTV Record de Joinville, ela foi informada que o medicamento havia chegado. “Nesta quarta (14) vou lá novamente, disseram que chegou, tomara. A Farmácia Escola é uma aliada da comunidade, mas precisa de mais atenção do poder público”, conclui. O Jornal de Joinville conversou com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Joinville, que informou que o problema relacionado ao medicamento Cloridato de Oxibutinina já tinha sido resolvido. Já com relação as outras situações, a pasta deve se manifestar em breve. Saiba mais: | Farmácia Escola Farmácia Escola é uma unidade da Secretaria Municipal da Saúde cuja finalidade é atuar na dispensa de medicamentos do Componente Especializado de Assistência Farmacêutica, por meio de parceria entre o Município de Joinville e a Universidade da Região de Joinville, atendendo a população do Município pelo Sistema Único de Saúde. A unidade faz mais de 130 mil atendimentos por ano.