A estudante Zakya Salihu Larry chegou ao Brasil há cinco meses e vive com o pai, a mãe e o irmão. Vieram de Gana, na África, para iniciar uma nova vida em terras brasileiras e fixaram residência em Criciúma. Nas quintas-feiras à noite, como ela vem para a Unesc para participar do curso Português como Língua Estrangeira (PLE), ocupando uma das vagas remanescentes do curso da Escola de Idiomas, uma forma de dar continuidade ao atendimento do encerrado projeto de extensão Português como Língua de Acolhimento (PLAc).

Filha de mãe brasileira e pai ganês, Zakya já se comunica bem de forma escrita, mas quer aprender a se comunicar de forma verbal com clareza. Tudo isso com o objetivo de dar continuidade aos estudos no Brasil.

"Quero fazer curso de Jornalismo e poder participar das aulas de Português vai me ajudar muito. Gosto de vir na Unesc e das aulas da professora Dayane. Ela explica muito bem", afirma enquanto encara com desenvoltura a câmera do Programa Nossa Unesc.

Zakya faz parte da turma de imigrantes ganeses, togoleses e haitianos que frequentam as aulas do nível 1 do PLE, todas as quintas-feiras na Universidade. A Escola de Idiomas oferece ainda aulas às quartas-feiras, para alunos que estão em um nível de compreensão da Língua Portuguesa maior e aulas on-line para alunos que vivem em outras partes do Brasil.

A professora do curso, Dayane Cortez, conta que o Português como Língua de Acolhimento, PLAc se tratava de um projeto de extensão para atender a comunidade migrante vulnerável. O Projeto aconteceu entre 2018 e 2020 para atender às necessidades imediatas de comunicação dos migrantes. Já o curso de Português como Língua Estrangeira, oferecido pela Escola de Idiomas desde 2017, tem metodologia e material didático como um curso tradicional de qualquer língua estrangeira e é destinado a estrangeiros de qualquer nacionalidade e um público pagante.

Com o encerramento do projeto de PLAc e com a natureza de nosso Universidade Comunitária, percebemos que poderíamos continuar atendendo de alguma forma essa comunidade. Tínhamos algumas vagas ociosas no curso de PLE da Escola de Idiomas, mesmo com os alunos pagantes, e decidimos ocupar essas vagas com alunos das comunidades participantes do projeto Português como Língua de Acolhimento".

A partir disso, relembra a professora, a Universidade realizou o contato com os líderes das comunidades de Gana, Togo e Haiti, que participavam do PLAc para que eles indicassem pessoas que precisariam deste auxílio, que se comprometessem, tivessem disponibilidade e que se enquadrassem dentro dos critérios socioeconômicos para a vaga.

Conforme Dayane, o PLAc se destinava a pessoas em situação de vulnerabilidade e foi criado para atender os imigrantes que precisaram sair de seus países como refugiados por questões financeiras, desastres naturais ou de guerra.

"Nestes casos a língua é uma necessidade de sobrevivência. Eles precisam fazer CPF, escrever currículo, usar um serviço de saúde, comprar comida e entender minimamente a logística e a cultura do país", explica a professora da Unesc.

As aulas do Projeto são planejadas de acordo com as necessidades dos alunos. Assim, eles trazem para os professores quais as necessidades mais urgentes.

"Muitos deles já são formados em seus países, mas precisam aprimorar a como ler e escrever melhor em português. Outros querem fazer as provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ter acesso à universidade", conta.

Impacto social

De acordo com a professora, o impacto social gerado pelo projeto de extensão da Unesc é muito grande, já que estes imigrantes têm, a partir das aulas, a oportunidade de estarem em um ambiente acadêmico, conhecer pessoas e ter novos contatos, além é claro, de melhorarem o seu conhecimento no idioma oficial do seu novo país.

PLE com inscrições abertas

Ao mesmo tempo em que as aulas para os estrangeiros em situação de vulnerabilidade social ocorrem, a Escola de Idiomas da Unesc segue com o curso de Português como Língua Estrangeira, pois são a partir dessas matrículas que é possível estender o atendimento à comunidade vulnerável.

O curso de PLE é voltado a pessoas de outros países que estão morando no Brasil ou realizam negócios em solo brasileiro.

Pelo PLE já passaram alunos de países como a China, a Itália, a Rússia e a Argentina.

Para saber mais sobre o curso de Português como Língua Estrangeira e efetuar a matrícula, basta entrar em contato com a Escola de Idiomas pelo telefone e Whatsapp Business (48) 3431-4533.