Segundo presidente do Samae, índice que mede turbidez está bem acima do ideal para tratamento de água - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
Segundo presidente do Samae, índice que mede turbidez está bem acima do ideal para tratamento de água - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
A turbidez da água e o aumento da demanda por consumo serão os principais desafios do futuro para a gestão dos recursos hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu. O cenário, apontado por especialistas do setor no Dia Mundial da Água, celebrado hoje, chama a atenção para a importância de ações que visem garantir a quantidade e a qualidade de água para o futuro. Atualmente, 13 municípios e quase meio milhão de pessoas são abastecidos pela bacia, segundo estimativa do presidente do Comitê Itapocu, Sergio Victor Santini.
Em Guaramirim, de 2012 para cá, o número de ligações cresceu 43,8% na cidade. “No ano passado, aumentamos nossa capacidade de tratamento de 123 para 173 litros por segundo. Hoje, temos uma demanda de 150 litros por segundo, mas essa ‘sobra’ terá um período muito curto de duração, pois acreditamos que haverá um aumento de até 30% na demanda nos próximos três anos”, destaca a o diretor da Águas de Guaramirim, Osni Denker.
Em Jaraguá do Sul, o crescimento da cidade segue uma média de 3% ao ano. “Na semana passada, fizemos um levantamento nas margens dos rios, utilizando canoas, e é preocupante. Temos lugares onde o rio está muito largo, falta mata ciliar e a profundidade do rio está diminuindo”, alerta o presidente do Samae, Ademir Izidoro. O órgão pretende realizar inspeções em loteamentos no próximo mês. “Iremos repassar os terrenos irregulares diretamente ao Ministério Público, pois o prejuízo é muito grande. Esses dias tivemos que parar a captação por problemas de terra na água, a UNT (Unidade Nefelométrica de Turbidez) estava em seis mil, quando o normal para tratar a água com tranquilidade é vinte”, indigna-se Izidoro.
Segundo o Comitê Itapocu, Corupá e Guaramirim têm registrado problemas semelhantes. “Estamos falando de uma água barrenta, carregada de argila, o que a deixa muito turva, especialmente depois de enxurradas. Toda esta ‘sujeira’ encarece a operação”, explica Santini.
Prevenção é o melhor caminho 
Para garantir a qualidade da água no futuro, é preciso investir em prevenção. “Existem providências específicas no processo de terraplanagem de terrenos que evita que a argila seja carregada para os rios. Outra solução é investir na recomposição da mata ciliar e da cobertura vegetal em torno dos rios e na fiscalização das empresas, para que utilizem estes recursos adequadamente”, exemplifica Victor. Os temas serão abordados em detalhes pelo Plano de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, que deve apresentar daqui a dois anos estatísticas e soluções para a gestão da água na região.
Na última sexta-feira (18), representantes da Unisul, entidade responsável pelo estudo, visitaram os municípios da microrregião e fizeram um reconhecimento inicial dos recursos hídricos locais. “Esta equipe terá um cronograma de visitas, que serão acompanhadas pelo comitê, a fim de entender qual será a demanda da região no futuro”, detalha Victor. Entre as ações previstas está o monitoramento da qualidade da água em diferentes pontos do Rio Itapocu. “A poluição não é nosso maior problema, mas também está presente e causa danos. São aspectos que precisamos analisar”, diz o presidente do comitê.
Em Guaramirim, a Águas de Guaramirim estuda maneiras de colocar em prática melhorias importantes, como a aquisição de um gerador próprio, a ampliação dos registros dos bairros e o tratamento do esgoto.
“É responsabilidade de cada um cuidar deste recursão, do cidadão comum, das empresas, do produtor rural, das empresas de captação, dos gestores públicos. Se todos tiverem senso de responsabilidade, tomando medidas preventivas e evitando problemas no futuro”, assinala Victor.