Quando se fala em tradições alemãs, é quase impossível deixar a cerveja de lado. Uma das três bebidas mais consumidas em todo o mundo, ela também movimenta as festas típicas em toda a região, como a Schützenfest, e atrai interessados apreciá-la ou produzi-la. Segundo estimativa da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina (Acerva), na cidade hoje existem cerca de 150 pessoas que se dedicam à produção da bebida caseira, apenas como um passatempo e para consumo próprio. Entre elas está o engenheiro de produção Cristiano Flecha, que há quatro anos se rendeu aos encantos da cerveja. "Acho que todos começam mesmo consumindo estilos diferentes, saindo dos rótulos nacionais. Mas o start foi com um trabalho de faculdade, onde decidi falar sobre o processo de produção dela. Além da parte teórica, resolvi fazer na prática", lembra. Com equipamentos improvisados, ele fez a bebida. O resultado não foi dos melhores, mas serviu como um incentivo para continuar. A partir da primeira produção, Cristiano decidiu estudar mais sobre a bebida, processo e ingredientes utilizados. Participou de cursos, visitou cervejarias e frequentemente troca "figurinhas" com outros cervejeiros caseiros. "O mais legal é que um gosta de ajudar o outro, mostrar novos ingredientes para ajudar a aumentar a qualidade do que cada um produz", conta. Quem o ajuda na produção, em média 50 litros por mês, é a namorada Daniela Pereira. "O mais legal é que você é que faz a cerveja, você consome algo que fez. Quando experimenta, percebe no que pode melhorar e outros ingredientes que pode utilizar. É um processo frequente de auto aperfeiçoamento", defende. Entre os estilos que mais gosta estão a Pilsen, Belgian e Stout. Além dos produtores caseiros, hoje Jaraguá do Sul conta com sete marcas, Königs, Hardbop, Karsten, Maestro, Hammer, Rott North e Stannis, e empreendimentos que comercializam os insumos para a produção da bebida.
Família Meder dá sequência ao trabalho iniciado por Sighart Meder: herança e conhecimento | Foto Divulgação/OCP
Família segue os passos do patriarca Pode-se dizer que o amor pela produção de cerveja também corre nas veias, ao menos nas da família de Sighart Meder. Ele, falecido há pouco mais de um ano, foi um dos primeiros cervejeiros da cidade: em 1998 fez curso de mestre cervejeiro na Alemanha e importou um equipamento de lá para poder produzir em terras jaraguaenses. Hoje, é a família que dá continuidade às receitas deixadas por ele. Conforme Christine Meder, o cunhado, sobrinho e até a irmã aprenderam com o pai, mas foi quando ele morreu que tiveram que por a mão na massa. "Ele deixou uma cerveja escura fermentando e ali já tivemos de começar a aprender para que a cerveja pudesse ficar pronta", lembra. Ela conta que o pai chegou a construir máquinas para produzir cervejas, que ainda hoje estão com a família. "A ideia dele era fazer as máquinas para vender, mas naquela época ninguém fazia em casa e o custo da máquina era alto para algo que a procura não existia", conta. Esse passatempo do pai influenciou toda a família, hoje o genro e o sobrinho trabalham também como mestres cervejeiros. "Seguimos as receitas que ele deixou, uma das preferidas é a Lager Helles, mas continuamos fazendo para tentar chegar no mesmo padrão de qualidade que ele tinha", diz. A maioria das receitas segue a lei de pureza alemã, que institui que a cerveja seja fabricada apenas com água, malte de cevada e lúpulo. Para ela, que aprendeu a fazer a bebida apenas após o falecimento do pai, essa é uma forma de se sentir perto dele. "É maravilhoso poder seguir o que ele fazia, é uma forma de estarmos mais pertos. Profissionalmente não é o momento, mas espero um dia poder realizar o sonho de abrir uma cervejaria e continuar fazendo o que ele tanto gostava", enfatiza.