Para muitos, a matemática é uma disciplina complexa e cheia de fórmulas difíceis de aplicar no dia a dia. Outros acreditam que é a oportunidade de plantar o bem e transformar o mundo. E foi com a perspectiva de incentivar as atitudes positivas e conscientes que as alunas Monique Emília Goetten e Raquel Alves Luís de Sousa, ambas com 12 anos, desenvolveram o trabalho “Potenciação: Corrente do Bem, Uma Onda Sem Fim”. Com orientação da professora de matemática, Josiane Cruz Goularte Dorigon, as estudantes do 6º ano do ensino fundamental da Escola Julius Karsten participaram da Feira Regional de Matemática, em Jaraguá do Sul, e, agora, da etapa Estadual, em Criciúma, onde se classificaram para a fase nacional, que será em Rio Branco, no Acre, no próximo ano. Conforme a professora, o trabalho envolve questões que despertam a consciência humana, com abordagens a respeito de onde viemos e para onde vamos, como estamos nos preparando para cuidar do planeta, se estamos sozinhos no universo, entre outros temas. “Até chegarmos à questão de que para uma duna, um grão de areia é só mais um, mas, quando cai no olho, ele faz muita diferença”, ressalta, enfatizando o papel de cada um para que as mudanças aconteçam. Josiane salienta que práticas nocivas, e que muitas vezes se repetem sem que haja consciência por parte das pessoas, são discutidas no projeto. Ela cita como exemplo o fato de que existe o costume entre as famílias de comprar animais de estimação sem pensar no sofrimento que esse processo causa. “Muitas dessas mãezinhas passam a vida inteira só reproduzindo, presas, sendo maltratadas. Seu único propósito de vida é dar lucro às pessoas”, comenta.
Monique e Raquel mostram para os colegas do 6º ano a equação da Corrente do Bem | Foto Eduardo Montecino/OCP
A aluna Raquel diz que o objetivo do trabalho é formar uma corrente do bem e incentivar as pessoas a prosseguirem com ela, de maneira que o mundo se torne melhor. “Entre as ações que apontamos, estão a adoção consciente de animais e o plantio de árvores, práticas aplicadas na potenciação, que serviram para iniciar a corrente”, revela. “Buscamos coisas negativas que acontecem no dia a dia e que deveríamos mudar. Por meio da potenciação, conseguimos mostrar o quanto de maldade e de coisas ruins vêm acontecendo”, complementa Monique. Quando elaboraram o projeto, as alunas não tinham ideia de que poderiam levá-lo a uma Feira de Matemática. Foi por meio do auxílio da professora que veio a confiança para aprofundar mais a pesquisa e inscrever o trabalho na etapa Regional. “Passar dessa fase nos deixou muito felizes. Então, nos propomos a estudar mais e melhorar algumas coisas no nosso projeto, aprimorando o trabalho para levar à Feira Estadual. Havia uma série de projetos bons e foi uma surpresa quando anunciaram o nosso para a etapa nacional”, revela Raquel. De acordo com ela, a expectativa para a próxima fase é a melhor possível, pela oportunidade de conhecer outras pessoas, compartilhar experiências e adquirir conhecimento. “Vamos dar o nosso melhor na apresentação, levando o nome da nossa escola e do nosso município. Esperamos que nosso trabalho ajude melhorar o mundo”, enfatiza a colega, Monique. Direção quer espalhar a corrente pela escola Para a diretora da escola, Margarete Menestrina Luzzane, é uma alegria imensa ver as alunas se destacarem numa competição que envolve escolas municipais, estaduais e particulares, com trabalhos de excelente nível. Além de prestar homenagem às estudantes, aos professores que as acompanharam ao longo dos anos e aos pais, muito atuantes na escola, a direção também convidou Monique e Raquel para apresentarem o trabalho a todos os estudantes, nos três turnos. “Primeiramente, essa corrente precisa se espalhar na escola. Precisamos ter um bom resultado aqui dentro. Portanto, tanto as alunas quanto a professora que orientou o projeto também estão convidadas para participar de uma ação, que pode ser de arborização ou outra iniciativa que ponha em prática o projeto delas”, destaca a diretora. A professora Josiane agradece o apoio da Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente (Fujama), que doou as mudas de árvores oferecidas pelas alunas na execução do projeto. Ela explica que um dos focos principais do trabalho estava na progressão do oxigênio, já que uma árvore é capaz de gerá-lo em quantidade suficiente para manter duas pessoas durante um ano. Foram distribuídas 160 mudas na Feira Estadual e 130 mudas na Feira Regional. “Cada pessoa que recebeu a mudinha, deveria passar outras duas para mais duas pessoas. Essas duas pessoas fariam a progressão do bem passando para outras duas pessoas. No trabalho, essas ações estão detalhadas e inseridas no contexto matemático”, conclui.