No ano em que completa 25 anos de existência, a Associação de Amigos do Autista (AMA) de Jaraguá do Sul mostra que a união é a melhor ferramenta para alcançar grandes conquistas. Formada por uma equipe de 26 profissionais, entre educadores e equipe de apoio, e mais de 100 voluntários, a entidade atende 83 estudantes com idade entre dois e 31 anos, alguns dos quais estão lá desde a fundação. Na sede da AMA, no bairro Vila Baependi, cada sala guarda uma pequena surpresa. Em meio aos brinquedos e materiais didáticos, o que se vê são olhares curiosos e muita vontade de aprender. Reunidos em uma sala, os alunos Guilherme Pellis, de 11 anos, Samuel Röcker, 13, e Gabriel Ferreira, 12, se mantêm engajados em criar novas figuras com os blocos de montar. Concentrados, eles estudam cada peça e dão vida, pouco a pouco, aos personagens que imaginaram. “O meu vai ser uma espécie de avestruz, não sei ainda”, diz Guilherme, entretido. A diretora da escola da AMA, Tania Krause, não esconde o orgulho que sente de cada aluno que passa por ali. “Nós que estamos aqui todos os dias sabemos o que cada conquista representa”, comenta, emocionada. Cada atividade é um passo a mais no processo de interação e inclusão social. E o trabalho tem dado resultados importantes, como é o exemplo de Guilherme, Samuel e Gabriel, que hoje frequentam as escolas do município e não param de surpreender os professores. “Aqui é o meu lugar favorito da semana”, destaca Guilherme, só para deixar a equipe ainda mais sorridente.

Da esquerda para a direita - Samuel Röcker, Guilherme Pellis e Gabriel Ferreira 1-2Samuel, Guilherme e Gabriel participam de atividades que estimulam concentração e habilidades

Para estimular o desenvolvimento dos alunos, a AMA atua com base no método Teacch, que trabalha os pontos fortes e fracos dos alunos de forma individualizada. “Temos um leque de atividades, como oficinas de horta, informática, tapeçaria, artes, educação física, música, tudo através de metodologias pedagógicas e lúdicas”, explica Tania. Segundo ela, a informação e o diagnóstico precoce têm auxiliado cada vez mais na desmistificação e no tratamento do autismo. “Estas pessoas podem se desenvolver como outra qualquer e ter uma vida ativa socialmente”, afirma a profissional. Voluntariado é o diferencial da entidade Para se manter, a entidade conta com o apoio de um grupo ativo de voluntários, que auxiliam na captação de recursos. “Nossa grande fonte de renda é confecção de cartões, feitos com papel reciclado que nós mesmos produzidos. Também temos os eventos produzidos durante o ano. O voluntariado é o nosso grande diferencial”, comenta o presidente da AMA, Célio Bayer. A diretoria da entidade é formada por voluntários. O engajamento da população local chega a surpreender. “Esta semana ficamos sabendo de um casal de Jaraguá do Sul que está completando 25 anos de casado e pediu a todos os convidados da festa que o presente fosse uma doação à AMA”, exemplifica. Histórias de solidariedade não faltam. “Temos empresas que nos apoiam há anos e que até estimulam os funcionários a serem voluntários”, diz a diretora de Eventos, Marili Zanotti. Solidariedade Para ser voluntário, basta ir até a entidade, conhecer os grupos de trabalho e escolher qual deseja frequentar. Qualquer pessoa pode participar. Mais informações pelo telefone 3370-1555 ou pelo e-mail ama.autista@brturbo.com.br.   Ação arrecada fundos à AMA Nas próximas semanas, quem passar pelo Centro Empresarial de Jaraguá do Sul irá notar um visitante inusitado. É que até o dia 10 de março, um dos elefantes da Elephant Parade estará “de passagem” pela cidade para divulgar a iniciativa, que visa auxiliar entidades filantrópicas e lutar em prol da preservação dos elefantes. A obra, pintada pelo artista Jullian Gallasch, será leiloada e terá 20% do valor arrecadado destinado à Associação de Amigos do Autista (AMA) de Jaraguá do Sul. Elefante da AMA - em

Peça foi patrocinada por empresários e será leiloada

No total, a iniciativa reúne 80 obras expostas em Santa Catarina, que devem beneficiar cerca de 60 entidades. “A obra de arte é algo contagiante, especialmente quando ela está espalhada pela cidade. As pessoas se envolvem, se interessam e acabam se engajando nesse cunho social”, acredita o empresário Diego Censi, que patrocinou a peça junto com o também empresário Charles Balbinote. Além da peça exposta em Jaraguá do Sul, o público encontra uma em Joinville, duas em Balneário Camboriú, quatro em Capivari de Baixo e 72 em Florianópolis, onde o projeto brasileiro foi criado. O leilão das obras ocorre em duas partes: a etapa online, pelo site elephantparade.com.br/leilao, e a etapa presencial, que será no dia 2 de abril no Jurerê Sports Center, em Jurerê Internacional, na Capital.