A região pode estar próxima de ter uma solução para combater o mosquito maruim, que afeta principalmente os moradores da área rural.

Após 12 anos de estudos, o Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública do Vale do Itapocu (Cigamvali) finalmente dará início aos testes de campo, previstos para começar até o dia 20 de abril.

As prefeituras aprovaram para 2019, de forma consorciada, o orçamento de R$ 423,4 mil, que será utilizado para a montagem do laboratório e compra de materiais para os primeiros experimentos.

O espaço terá equipamentos como microscópio, freezer e spray dryer para produção de clorofila - composto natural que será usado para controle do mosquito.

Esse repasse veio dos sete municípios que estão inseridos no projeto e cada cidade deu o valor de acordo com sua população.

Jaraguá do Sul captou R$ 179,3 mil, Guaramirim R$ 60,8 mil, Barra Velha R$ 46,8 mil, Schroeder R$ 39,7 mil, Corupá R$ 35,5 mil, enquanto Massaranduba ajudou com R$ 36,5 mil e São João do Itaperiú contribuiu com R$ 24,5 mil.

O diretor executivo do Cigamvali, Fenísio Pires Júnior, diz que neste mês entrou R$ 180,4 mil na conta do projeto, oriundos de Jaraguá do Sul, Corupá e Schroeder. O restante da quantia deve ser depositada nas próximas semanas.

Pires aponta que ainda existe a possibilidade de Luís Alves, São Bento do Sul e outros municípios passarem a integrar o projeto, mas tudo depende do sucesso do teste de campo.

Captação por município para equipar o laboratório

  • Jaraguá do Sul: R$ 179,340,81
  • Guaramirim: R$ 60,864,97
  • Barra Velha: R$ 46,892,82
  • Schroeder: R$ 39,776,76
  • Corupá: R$ 35,560,29
  • Massaranduba: R$ 36,406,53
  • São João do Itaperiú: R$ 24,587,92
  • Valor total: R$ 423,430,10

Testes de campo

O laboratório para produção do defensivo a base de clorofila será montado em espaço anexo à Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Jaraguá do Sul, na rua Ângelo Rubini, no bairro Barra do Rio Cerro. "Ele é um laboratório bem comum, parecido com os das universidades da região", destaca Pires.

O diretor afirma que durante o período de testes, será preciso extrair o insumo da fórmula e transforma-lo em pó para fazer a aplicação. "A intenção é conseguirmos abrir uma área de teste em cada município", ressalta.

A ideia do Consórcio é procurar as áreas mais afetadas para os períodos de testes. Segundo Pires, a aplicação deverá ter início até a metade de abril, com a duração de um ano. "No primeiro trimestre de 2020 teremos os resultados", ressalta.

Dependendo do desfecho, será feito a abertura do edital com objetivo de buscar interessados na produção e comercialização em escala industrial do produto desenvolvido pelo laboratório.

Etapa laboratorial

De 2014 a 2018, o Consórcio pagou o doutorado do biólogo e pesquisador joinvilense Luiz Américo de Souza, que em sua tese descobriu a solução para o controle do mosquito. A pesquisa busca uma forma efetiva de controle, agindo na causa da proliferação.

"O pesquisador desenvolveu um defensivo agrícola com o intuito de agir diretamente sobre os insetos e sua reprodução", informa Pires.

O defensivo é a base de clorofila, podendo ser encapsulado e aplicado nos locais que o maruim se reproduz. A ideia é realizar um controle biológico e de natalidade do mosquito.

Os testes de laboratório mostraram uma eficácia entre 75% e 90% na eliminação do maruim combatendo-o na fase de larvas e deixando a área tratada livre do mosquito. "Não tem como eliminar 100% do maruim, mas queremos deixá-lo somente onde tenha mato mesmo", enfatiza.

Pires destaca que esse ano será uma base para o teste final, por isso, ele pede a torcida de todos para os ajustes darem certo. "Se fosse fácil aplicar esse defensivo, já teria no mercado para comprar", completa.

 

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