A delicadeza em podar cada folha, dar forma aos galhos com arames com a preocupação de não ferir a planta e saber exatamente quais necessidades de cada espécie. Diariamente, o cultivador André Suzigan direciona algumas horas para cuidados como estes aos cerca de 100 vasos de bonsai, sejam eles em muda, fase de preparação ou plantas já prontas, que tem em casa. Foi a partir do contato com essas preciosidades, pequenas no tamanho, mas grandiosas na história e beleza, que ele conheceu um novo significado para a sua vida. Desde 2009, Suzigan dedica o tempo livre ao cultivo do bonsai e com isso descobriu uma forma de exercitar a paciência e criar verdadeiras obras de arte. “É uma paixão que consome tempo, mas é viciante e fascinante também. Ainda mais quando se chega no resultado desejado”, conta. Considerado uma réplica de árvores da natureza em miniatura, o bonsai – palavra japonesa que significa algo como “planta cultivada na bandeja rasa” – é uma técnica milenar que se espalhou pelo mundo. De acordo com Suzigan, que há oito anos se dedica aos cuidados com essas plantas, a região Sul se destaca nesse segmento. “Claro que estamos ainda engatinhando nessa arte, mas o Sul do país é uma das potências”, conta ele, que participa frequentemente de encontros, feiras e dá até cursos para quem deseja aprender a técnica.
Cultivo do bonsai requer paciência, André chega a passar quatro horas trabalhando em uma espécie | Foto Eduardo Montecino/OCP
Ele diz que sempre se interessou em cultivar plantas, mas foi ao conhecer os bonsais que se apaixonou. “Procurei algo que treine paciência, eu sou muito elétrico e pensei em algo para me concentrar e comprei um bonsai. Peguei uma plantinha para iniciar e não consegui parar mais”, lembra. Para se ter uma ideia, Suzigan conta que, apenas para a limpeza, já gastou cerca de quatro horas trabalhando em uma planta. Em outra espécie maior e acompanhado de um amigo, ficou 12 horas cuidando da aramação dos galhos. De acordo com o especialista, como o bonsai está sempre em desenvolvimento, o cultivo é contínuo.
Considerado uma réplica de árvores da natureza em miniatura, o bonsai  é uma técnica milenar que se espalhou pelo mundo | Foto Eduardo Montecino/OCP
Suzigan estudou na Escola Europeia de Bonsai, em Curitiba, e em janeiro irá para Milão, na Itália. Lá participará de um curso no Studio Botânico de Salvatore Liporace e depois segue para a Bélgica, onde acompanhará a maior exposição de bonsai da Europa. CUIDADOS GARANTEM A LONGEVIDADE DAS PLANTAS É muito comum vermos bonsais à venda em floriculturas e até supermercados, mas o cultivador André Suzigan alerta que é preciso alguns cuidados para manter as espécies. Ele conta que as mais comuns no Brasil são as tropicais, como a jabuticaba, azaleia, pitanga e acerola, por se adaptarem bem ao clima. Já a mais difícil é o “Pinheiro Negro”, por justamente ter necessidades específicas. “O bonsai sempre está em desenvolvimento e por isso é preciso fazer a manutenção das raízes, aramação, galhos, tudo para no tempo da planta”, conta. Uma das principais necessidades do bonsai é a luz solar. “Às vezes as pessoas compram e não tem a mínima noção de como cuidar e ela (planta) dura poucos meses. O bonsai precisa de luz, pode até ser indireta, para fazer a fotossíntese. Além disso, precisa ser regado – no inverno rega um dia sim outro não, no outono e primavera uma vez por dia e no verão chega a regar até duas vezes por dia e ainda borrifar um pouco de água nas plantas – e é preciso fazer adubação e manutenção dela como um todo”, explica.
Bonsais podem ter até 1,5 metros de altura e as plantas se adaptam ao tamanho | Foto Eduardo Montecino/OCP
Os bonsais podem ter até 1,5 metros de altura e as plantas se adaptam ao tamanho, produzindo flores e até mesmo frutos na mesma escala. Suzigan comenta ainda que existem milhares de formas de cultivo, mas é o cultivador que define o estilo de cada planta. “Ele é a expressão artística de cada pessoa”, finaliza.