O papel da imprensa em tempos de pandemia foi debatido em uma aula magna promovida pelo curso de Jornalismo da Faculdade Satc com a jornalista Sônia Bridi na noite de ontem (28). A repórter da Rede Globo, com mais de 30 anos de experiência, falou sobre a realidade que o país vive por conta do novo coronavírus e deu dicas sobre o assunto para estudantes e também profissionais da área que participaram da conversa. Realizado por videoconferência mediada pela professora Lize Búrigo, o bate-papo reuniu mais de 90 pessoas.

A jornalista começou a conversa explicando sobre as adaptações que foram necessárias para noticiar com segurança, respeitando o isolamento social. Ela contou que está há mais de três semanas fazendo as matérias sem sair de casa. "Sempre gostei de ir aos lugares, falar com as pessoas, olhar nos olhos... E, agora, isso não está mais sendo possível", declarou.

Por outro lado, apesar de os comunicadores estarem vivendo um período mais desafiador, Sonia defendeu que a profissão passou a fazer mais sentido para as pessoas. "Faz uma diferença brutal a presença do Jornalismo que sabe do que está falando, que busca fontes seguras para informar e proteger a população", afirmou. Conforme ela, é um momento em que os jornalistas podem ajudar a salvar vidas.

A comunicadora também comentou sobre os ataques sofridos pela imprensa:

- "Ainda há gente atacando a imprensa como se assim fosse fazer o vírus desaparecer. Eu escuto muito que estamos criando pânico e pavor. Não! O que estamos dizendo é que a Covid-19 não tem cura, não tem tratamento, hospitais ou médicos para todo mundo. E nós estamos apenas informando".

Para Sônia, o Jornalismo profissional é a única forma de combater as fake news. Ela defendeu que o jornalista não deve abaixar a cabeça quando receber um ataque, e sim ter orgulho da profissão que escolheu.

O coronavírus e as incertezas

As incertezas vividas em todo o mundo por conta do coronavírus também foram pauta da aula. A jornalista, que já morou na China e nos Estados Unidos, disse que a situação é preocupante.

- "Se por um lado, você tem alguns países com estrutura muito bem montada para lidar com a doença, como é o caso da China, por outro lado me preocupa o que vai acontecer na Índia, que é um país caótico. Eles não têm água limpa, então como você vai falar, por exemplo sobre lavar as mãos?".

Já no Brasil, na opinião de Sônia, a situação é preocupante porque o Ministério da Saúde está cheio de incertezas e, principalmente, porque os governantes não respeitam a Ciência. "Se a gente não ver um milagre da Medicina, infelizmente, presenciaremos muitas mortes", ressaltou. De acordo com ela, o número oficial de infectados pela doença está muito abaixo da realidade.

O recado, no final da conversa, foi direcionado para os jovens jornalistas, e veio repleto de amor pela profissão. "Vocês não pensem que a profissão que vocês escolheram não é importante, fundamental para a sociedade. Executem com responsabilidade, com carinho, façam um jornalismo de qualidade. Sem esforço não existe jornalismo, ele exige muita dedicação. Por outro lado, duvido que exista outra profissão no planeta que te dê tanta satisfação, que seja tão enriquecedora, então sejam bem-vindos", destacou.

Sobre a Sônia Bridi

Nascida na cidade de Caçador, em Santa Catarina, começou a carreira na televisão como repórter da, na época, RBS TV. Foi correspondente da Rede Globo em Londres, Nova Iorque, Pequim e Paris. Atualmente, mora no Rio de Janeiro, é repórter especial do Fantástico e escritora.