O senhor assumiu a presidência do TRE-SC meses antes das eleições municipais que, em 2016, terão fortes reflexos do cenário político nacional. O que espera do próximo pleito? Cesar Abreu - A expectativa é que tenhamos um pleito que honre as tradições do povo catarinense, que se realize num clima de paz e tranquilidade, consagrando-se os candidatos verdadeiramente compromissados com os altos interesses da sociedade. A Justiça eleitoral está preparada para garantir eleições municipais limpas e transparentes? Sim. Estamos preparados e vamos garantir eleições seguras, limpas e transparentes. Temos um corpo funcional competente, juízes capazes e idealistas, um Ministério Público altivo e instituições, na área da segurança pública, responsáveis e comprometidas com os ideais republicanos. Os eleitores terão assegurado, sem dúvida, o direito ao exercício livre do voto. Na sua avaliação, qual a importância dessas eleições municipais para o país? As eleições municipais são as mais importantes eleições do país. É a partir das eleições locais que se projetam as eleições futuras, estadual e nacional. Escolher bem os candidatos municipais corresponde ao primeiro passo para mudar essa triste história de corrupção que abala as estruturas da nação. De que forma o TRE-SC está se preparando para as eleições? Quais os avanços? - O Tribunal Eleitoral se utiliza da ferramenta do planejamento estratégico. Ao término de cada eleição, feitas as avaliações, já se iniciam os trabalhos para a seguinte. Essa preparação envolve treinamento de pessoal, desenvolvimento de projetos tecnológicos, enfim, uma multiplicidade de atividades, também na área de gestão e organização, para conferir mais e mais segurança e confiabilidade às eleições. A urna eletrônica, verdadeira conquista da justiça eleitoral, a par da sua confiabilidade, não deixa de receber especial atenção. A identificação biométrica é outra novidade a conferir segurança na identificação do eleitor, evitando fraudes. Hoje, já contamos com 25% do eleitorado biometrizado. Em 2018, a previsão é de 100% do eleitorado. Estão sendo desenvolvidas campanhas de conscientização dos eleitores e orientação aos partidos e pré-candidatos. Muito tem se falado que o modelo político-partidário do Brasil faliu. Qual sua opinião? Se não faliu, agoniza. Temos partidos demais e poucas as ideologias que lhes poderiam justificar. Precisamos de partidos fortes, comprometidos com o bem-estar social. A solução está em admitir como necessária e inadiável uma reforma política. Essa reforma passa também pela criação de mecanismos mais eficientes e eficazes para afastar da política, com a velocidade esperada, os indignos do mandato. Estamos acompanhando esse momento de tensão política no país, com denúncias de corrupção e descontentamento da população. Como o senhor avalia essa descrença generalizada na política? A corrupção não traduz uma deformação ética só encontrada na classe política. Pelo contrário, é um câncer que corrói as entranhas da sociedade e se dissemina por todos os setores da vida nacional. Quanto mais protagonista o Estado, maior o risco de se ver envolvido em escândalos de corrupção. É o que estamos vivenciando. Entretanto, não há motivo para descrença, muito menos com a política. Só a política praticada pelos bons políticos poderá salvar a nação. As Instituições nacionais estão funcionando plenamente, desvendando os atos de corrupção e punindo seus infratores. Cabe, agora, ao povo, pelo voto, afastar da vida pública os desonestos e valorizar os honestos. O que se pode entender por eleitor consciente? Eleitor consciente é aquele que não vota em troca de favor, que procura conhecer o candidato que lhe inspira confiança e o partido com o qual se identifica, que de alguma forma busca esclarecimentos, ouvindo debates, participando de reuniões, enfim que se preocupa em formar um convencimento pessoal sobre o que é melhor para o conjunto social. Pode-se dizer que o eleitor brasileiro já atingiu esse estágio? Se tivesse alcançado, certamente o voto não seria obrigatório, os candidatos seriam mais bem escolhidos, não estaríamos discutindo o modelo mais adequado de financiamento de campanha eleitoral, nem preocupados com o abuso do poder econômico ou compra de votos. O que o senhor diria a respeito do voto nulo? E das campanhas que circulam incentivando essa prática? Todo voto merece respeito. Toda manifestação de vontade, sendo livre e consciente, é válida. Pessoalmente, considero o voto nulo ou branco um voto de protesto, mas também um voto perigoso. Anular o voto ou votar em branco é o mesmo que permitir que outra pessoa vote por você. Qual a sua mensagem para os partidos, para os pré-candidatos e para os eleitores? Para os partidos que coloquem à escolha pública o melhor dos seus quadros em termos de candidaturas. Para os pré-candidatos, que respeitem os eleitores, que se façam os mais transparentes e honestos possíveis, traduzindo em propostas de ação aquilo que possam cumprir fielmente. Para os eleitores, que façam do voto um ato de justiça, escolhendo o candidato com o qual se identificam e que melhor possa representálos. O país precisa, como nunca, de homens e mulheres de bem.