Por Heloísa Jahn "Essa casa ainda vai trazer mais boas histórias, só depende da gente.” É desta forma que o auxiliar de expedição, Evandro Rux, encara a vida na centenária casa que leva seu sobrenome, no bairro Rio da Luz. Desde a infância ouvindo relatos sobre acontecimentos que o imóvel testemunhou, ele agora constrói novas memórias no local ao lado da mulher Andressa e da filha, Fernanda, na espera do mais novo integrante: Guilherme, que deve nascer no dia 19. Evandro vive desde pequeno na casa construída por seu tataravó, Augusto Rux, em 1915, e se orgulha por manter um patrimônio que resiste ao tempo e está nas mãos da quinta geração da família. “Viver aqui é abrir mão de certos luxos, mas também é reviver as lembranças e construir novas em um local que faz parte da história da família Rux”, conta.
Casa Rux restaurada - em (25)
Casa é rica em detalhes por dentro e rodeada por flores e árvores na parte externa | Foto: Eduardo Montecino
Símbolo da imigração germânica na cidade e com as mesmas características das construções alemãs do início do século 20, o imóvel enxaimel é reconhecido como Patrimônio Cultural Nacional desde 2007 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um tombamento que se estende por todo o bairro Rio da Luz pela importância da região na colonização de Jaraguá do Sul.
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Evandro Rux mora na casa e é o responsável por cuidar do patrimônio que atravessa gerações da família | Foto: Eduardo Montecino
O Iphan foi o responsável por destinar R$ 470 mil à restauração total da residência em 2015, que recuperou com riqueza de detalhes as pinturas manuais aplicadas e estrutura da época. O primeiro restauro havia sido feito em 1989. Família pretende abrir local para turismo no futuro A casa, composta por uma sala, cozinha e três quartos – dois deles no sótão –, conta ainda com uma estrutura construída posteriormente nos fundos do imóvel com um banheiro e lavanderia. Toda a edificação mantém as características originais da estrutura como os tijolos à vista e portas e janelas em madeira. “Ela (casa) sempre foi utilizada para moradia da família, apenas o sótão, que era muito quente no verão e por isso não era usado para dormir, por alguns anos serviu para secar grãos, principalmente o arroz para consumo próprio”, lembra Rux. O conjunto tombado pelo Iphan conta ainda com quatro ranchos de madeira utilizados nas atividades rurais.
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Casa é rica em detalhes por dentro e rodeada por flores e árvores na parte externa | Foto: Eduardo Montecino
O atual proprietário conta que a beleza singular e o ambiente onde a residência está inserida, rodeada por flores e árvores, atraem diversos turistas. Porém, por enquanto, o “castelo”, como a pequena Fernanda chama a casa, não abre as portas para visitas. Apenas a área externa pode ser admirada, já que a família vive na casa. “Eles param aqui e fazem fotos na área externa porque dentro, como moramos, é mais complicado. Ainda pretendemos fazer algo para fins turísticos nela”, projeta. Rux comenta que o casal gostaria de transformar a casa em museu e abrir para visitantes.