Falta de apoio, isolamento, preconceito, julgamento, vergonha, medo. Muitos são os motivos que podem levar pacientes psiquiátricos a desenvolverem quadros mais graves por falta de tratamento adequado, quadros que podem, em casos extremos, resultar em suicídio. Entre as medidas mais eficazes de enfrentar este cenário está a disseminação de informações, e é com este objetivo que o Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Guaramirim promove uma série de palestras e ações durante este mês de setembro.

“É um tema delicado, que muitas pessoas não gostam de tocar ou que julgam simplesmente porque não sabem muito do assunto, e é justamente por isso que é tão importante falarmos sobre as formas de prevenir o suicídio”, afirmou Secretário de Saúde de Guaramirim, Marcelo Deretti.

A programação inclui o desenvolvimento de atividades especiais com pacientes e comunidade atendida pelo CAPS, conscientização da comunidade em geral e também formação sobre saúde mental para os funcionários das Unidades de Saúde do Município. A maior ação foi planejada para o dia 22 de setembro: na Praça Cantalício Érico Flores, no Centro, a população em geral poderá contar com atividades de conscientização sobre prevenção ao suicídio. A ação será realizada das 10h às 14h.

Para além da orientação aos próprios pacientes, as medidas de prevenção ao suicídio e de promoção de saúde mental também se estendem aos amigos e familiares. “Muitas vezes a pessoa que está sofrendo com problemas psiquiátricos não percebe o adoecimento e não tem forças para buscar ajuda, e por isso é muito importante que as pessoas à sua volta também tenham condições de identificar mudanças de comportamentos ou sinais de preocupação e possam ajudar o paciente a encontrar a ajuda mais adequada”, concluiu o Secretário.

A coordenadora do CAPS de Guaramirim, Tatiana Guenther, cita alguns dos sinais que podem aparecer quando a pessoa está pensando em tirar a própria vida. “Esses sinais de alerta podem ser alteração do humor, desleixo com a aparência, atitudes irresponsáveis, falas desesperançosas, isolamento social, abandono de atividades que gostavam de fazer, piora no desempenho escolar e no desempenho profissional. Uma conversa com empatia, compreensão e sem julgamentos é muito importante, e pode ajudar muito”, disse.

Como ajudar e como procurar ajuda

Em Guaramirim, a porta de entrada para o tratamento em saúde mental se dá nas Unidades de Saúde do município. O paciente procura a Unidade e é atendido pelo Clínico Geral que, após a avaliação, inicia o tratamento ou encaminha para o CAPS. Em caso de emergência, a orientação é buscar atendimento no Pronto Socorro do Hospital Santo Antônio. Há ainda o contato do Centro de Valorização à Vida (CVV), pelo telefone 188. O número funciona 24h por dia, todos os dias da semana.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), somente em 2019 mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio no mundo, número que pode ser ainda maior considerando os casos subnotificados. De acordo com a Organização, anualmente, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que devido a HIV, malária, câncer de mama, ou, até, guerras e homicídios. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia. Setembro Amarelo é uma campanha realizada desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para mais informações e orientações sobre serviços voltados à saúde mental e à prevenção do suicídio, a população pode entrar em contato diretamente com o CAPS, pelo (47) 3163-1889 ou (47) 3376-2526 (WhatsApp). O endereço da unidade é Rua Victor Bramorski, 208.