Um servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi preso em flagrante por contrabando nesta sexta-feira (30), durante operação da Polícia Federal (PF) em São Francisco do Sul. Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa do servidor, foram encontradas mercadorias estrangeiras ilegais, sem nota fiscal.

O homem é suspeito de fraudar inspeções de navios que atracam no porto de São Francisco do Sul, no litoral norte do Estado. Segundo a PF, o servidor exigia vantagens indevidas e mercadorias estrangeiras para não autuar as embarcações que atracavam no porto.

A PF acredita que o crime era cometido há pelo menos 5 anos. De acordo com o delegado Alexandre de Andrade Silva, chefe da Polícia Federal em Joinville, as mercadorias ilegais apreendidas na casa do suspeito indicam a prática ilegal da qual o servidor é suspeito.

"O inquérito aponta que ele solicitava bens diversos, de procedência estrangeira, como cigarros, bebidas alcoólicas e até alimentos, para não autuar as embarcações. E na residência do suspeito foram encontradas bebidas e cigarros estrangeiros, sem nota fiscal", afirmou o delegado.

O suspeito segue detido no Presídio Regional de Joinville. Cabe ao judiciário estipular se ele continuará preso ou aguardará a conclusão do inquérito em liberdade.

Outros dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal nesta sexta-feira (30), relacionados ao caso.

A operação

Intitulada de "A Bordo", o objetivo da operação é combater crimes praticados no complexo portuário de São Francisco do Sul. Policiais federais cumpriram 3 mandados de busca e apreensão em São Chico nesta sexta-feira (30).

O inquérito policial, instaurado em 2015, apura condutas irregulares de um servidor da Anvisa na inspeção de navios que atracam no porto. O servidor teve suas funções públicas suspensas nesta sexta-feira (30), por ordem judicial.

A investigação da Policia Federal apontou que a atuação criminosa consistia na exigência de vantagens indevidas e na imposição de serviços extraordinários, para não autuar as embarcações e liberar o prosseguimento em curso normal.

Também foi objeto das investigações a prática de câmbio ilegal de moeda estrangeira e a solicitação de bens diversos, de procedência estrangeira, por parte do responsável pelas inspeções a bordo.

De acordo com a PF, um dos indícios da ação foi a quantidade de inspeções a bordo dos navios que atracam no porto de São Francisco do Sul. Isso porque ela é muito superior à média nacional, superando consideravelmente portos de maior movimento, sem justificativa.

Outra circunstância que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de existir inspeções em finais de semana e feriados, quando não há expediente no posto local da Anvisa.

Os mandados de busca

Os mandados de busca e apreensão são uma fase ostensiva da operação. "Nesse momento, agentes foram a campo para obter provas para o inquérito", explica o chefe da Polícia Federal em Joinville, Alexandre de Andrade Silva. "Essa é uma das fases finais do inquérito. Agora, o suspeito sabe que está sendo investigado. Até o momento ele não tinha ciência disso", concluiu.

A expectativa da Polícia Federal é concluir o inquérito em 30 dias. Os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de concussão, corrupção ativa e prevaricação.

 

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