Aos poucos, os estabelecimentos de Jaraguá do Sul vão passando por mudanças que impactam diretamente no meio ambiente. Mesmo que ainda não seja proibido na cidade, os canudinhos de plástico estão saindo de circulação.

A Naturale, loja de produtos e lanches naturais, resolveu há cerca de duas semanas extinguir de vez os canudos de plástico. O proprietário do estabelecimento, Rafael Francisco Rumpf, 31 anos, relata que no futuro o Brasil inteiro tende a abolir os objetos de plástico e decidiram antecipar a mudança.

"Começamos a utilizar os canudos biodegradáveis e também vendemos os de vidro, que são maiores e pode ser usados para milk shake", destaca.

Ele consegue adquirir um canudo de vidro por R$ 36 e comercializa por R$ 50. A troca do canudinho de plástico convencional pelo biodegradável gera um custo maior para o estabelecimento. Enquanto o primeiro custa quatro centavos a unidade, o novo é comprado por 15 centavos.

"Não trocamos o canudo pelo fator econômico, mas sim olhando para o meio ambiente", ressalta.

Sustentabilidade em dose dupla

O Stannis Pub foi além de apenas parar de utilizar os canudinhos de plástico e também passou a usar copos reutilizáveis para eventos. O gerente Lucas Gasparotto, 23 anos, conta que vendo o estrago que o plástico causa aos animais, eles buscaram eliminar o máximo possível deste material.

Como o consumo de garrafinha de água é muito grande em um pub, eles decidiram usar copos reutilizáveis, onde a pessoa faz a compra por R$ 5, pode trazer em outras oportunidades e ganha o refil de água. "Chegou o momento de todos olharem para o meio ambiente e fazer a sua parte", ressalta.

No fim de 2018, o estabelecimento decidiu fazer um teste com o canudinho de papel e agora está adotando o de vidro que segundo ele, a casa compra por R$ 7, enquanto o copo de acrílico é adquirido por R$ 1,50.

"Não é um negócio muito rentável, mas o importante é a questão ambiental. Nós também sempre reciclamos o canudinho de vidro quando quebra", comenta.

Há cerca de três meses, o Baguette Café e Confeitaria também parou de fornecer o canudinho de plástico, mas, ao contrário dos outros estabelecimentos, não colocou alternativas no lugar. Segundo a sócia do local, Sandra Alves Fabrício, 42 anos, o próximo passo é substituir os copos descartáveis.

Ela destaca que a falta do canudinho é sentida momentaneamente, mas não é algo que impacta na vida da pessoa, como os copos de plástico. "Não é difícil mudar, com o tempo você vai perceber que não precisa dele tanto assim", enfatiza.

O impacto do plástico

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), todos os anos cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico vão parar nos oceanos e os canudos representam 4% desse total. Esse lixo prejudica mais de 600 espécies e 15% estão em extinção.

Canudo biodegradável é cerca de 10 centavos mais caro do que o de plástico convencional | Foto Eduardo Montecino OCP News

Os canudinhos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor na natureza. A culpa é do polipropileno e do poliestireno, materiais que compõem o plástico e que se separam em pequenas partículas, sendo facilmente ingeridas por animais marinhos.

Quando o assunto é poluição nos oceanos, o canudinho vira o centro das atenções, por ser utilizado a todo momento e ser descartado rapidamente. Porém, outros materiais feitos de plásticos e afetam o meio ambiente, como sacolas, garrafas, tampas, potes, entre outros.

Sacolas também são alvo

Em 2016, o ex-prefeito Dieter Jansen chegou a um acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para a distribuição das sacolas verdes nas grandes redes de supermercados da cidade. A ideia que o material substituísse o saco verde distribuído pelo poder público, incentivando a reciclagem. A previsão era que em 2019 a ideia estivesse engajada em Jaraguá do Sul, algo que não aconteceu.

Agora, outra ideia voltada a sustentabilidade ganha corpo. Segundo o o diretor social da CDL, Flávio Henrique de Araújo, eles estão realizando uma parceria com uma empresa de Florianópolis para fornecer sacolas ecológicas feitas de papel kraft. A ideia é que os associados tenham 40% de desconto na compra do material.

"A ideia é fazer o comércio deixar a sacola plástica e migrar para a sacola de papel kraft".

Araújo destaca que o principal pedido dos lojistas é para deixar essas sacolas ecológicas mais bonitas, algo que a empresa da capital catarinense tem feito. "Eles estão nos mostrando vários exemplos de sacolas agradáveis visualmente", completa.

 

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