Na Rua Domingos Sanson, onde está a sede do jornal “O Correio do Povo”, árvores da espécie “Magnolia champaca”, a popular Magnolia amarela, lançam suas copas em direção à rede elétrica, enquanto que suas raízes, pouco profundas, provocam rachaduras nas calçadas. Em muitas outras ruas da cidade, esta espécie considerada como exótica (estranha à flora original) também foi plantada anos atrás por conta de um projeto de arborização sem prever consequências ambientais futuras ou critérios de alinhamento em relação ao patrimônio público, neste caso as linhas de transmissão de energia elétrica. A Magnolia é catalogada como uma das espécies invasoras das matas que circundam Jaraguá do Sul, incluindo o que sobrou da Mata Atlântica que vive fase de regeneração. Mesmo que suas sementes sirvam de alimento para várias espécies de pássaros. O Pinnus elliottii, originário do Canadá e Estados Unidos, e eucaliptos, com suas 700 espécies conhecidas e trazidas da Austrália, também estão na lista das plantas invasoras. Como nunca houve e não há, ainda, qualquer trabalho prático voltado ao controle destas espécies dentro das matas, o impacto ambiental que causam é visível e previsível, diz o engenheiro florestal da Prefeitura, Robin Pasold, mais conhecido como “Folha”. “Sem inimigos naturais, como doenças, por exemplo, estas espécies vão se espalhando, crescendo e sufocando as nativas. O ideal seria manter um controle sobre elas e, se necessário, extirpá-las”, diz o engenheiro. O olhar de um leigo sobre a mata, sugere o engenheiro, a princípio nada identifica de estranho. Porém, os problemas causados pelas espécies invasoras estão nas listas de preocupações de órgãos ambientais. Tanto que, em setembro de 2012, o Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina (Consema) publicou uma Resolução reconhecendo o fenômeno. E admitindo a necessidade de se ter um rígido programa de controle porque tais espécies produzem alterações no solo, na cadeia de nutrientes e nas funções dos ecossistemas, por exemplo. Pior ainda, segundo o Conselho, elas são a segunda maior causa da perda de biodiversidade do mundo, porque transformam ambientes naturais em lugares estranhos e prejudiciais às árvores, pássaros, animais e insetos nativos. A lista da bioinvasão formulada pelo Consema inclui várias outras espécies, entre elas três tipos de acácias (trinervis, negra e mimosa) , o sansão do campo, o cinamomo, a jaqueira, amoreira preta, a bananeira-de-jardim - originária da Ásia e cujo cacho cresce ao contrário da banana comestível, o jambolão, a palmeira-real-da-austrália, a maria-sem-vergonha, madressilva, amendoeira, capim gordura, braquiária, uva-do-japão, entre outras. Além de árvores, há uma lista de animais invasores trazidos de outras regiões do país que proliferam pelas florestas localizadas em morros do Vale do Itapocu e pelas matas ciliares ao longo dos rios que cortam a cidade. Por exemplo, o sagüi, javali, o caramujo africano, a mosca-do-figo e o mosquito transmissor da dengue. “É preciso evitar introduzir plantas e animais exóticos. É melhor pesquisar sobre espécies invasoras antes de plantar, ou trazer animais desse tipo para cá”, alerta Robin Pasold. Por enquanto, não há projetos ou pesquisas sobre corte de espécies invasoras em Jaraguá do Sul. O que existe neste sentido são orientações à população pela preferência no plantio de árvores nativas. * Colaborou Sônia Pillon.