A bronquiolite viral aguda é a principal causa de hospitalizações de crianças com menos de 1 ano de idade, principalmente nos meses de inverno. Trata-se de um quadro obstrutivo das vias aéreas inferiores desencadeada por uma resposta inflamatória local geralmente precedida por um resfriado comum, com presença de coriza, tosse e febre.

Na maioria das vezes é uma doença causada por vírus, sendo que o principal envolvido é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Mas também pode ser ocasionado por outros vírus respiratórios, como o Rinovírus, Parainfluenza, Adenovírus (sorotipos 1, 3, 5, 7 e 21), Influenza, Metapneumovírus, Coronavírus e Bocavirus. Além da bronquiolite, esses vírus podem causar pneumonias virais.

O VSR é transmitido de pessoa a pessoa pelo contato direto com gotículas respiratórias eliminadas ao tossir, espirrar ou falar; ou de forma indireta pelo contato com superfícies e objetos contaminados nos quais o vírus pode sobreviver por várias horas.

A infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório costuma causar sintomas leves e semelhantes ao resfriado, como coriza, espirros, tosse, febre, dor de garganta, dor de cabeça e diminuição do apetite. A maioria das pessoas se recupera em uma ou duas semanas, mas o VRS pode ser potencialmente grave para bebês e idosos.

Apesar de não existir vacina para prevenir a infecção é utilizado um anticorpo monoclonal, o Palivizumabe. Este medicamento está disponível gratuitamente pelo SUS, especificamente para crianças que possuem alto risco de agravamento devido a infecção.

O Palivizumabe é administrado em unidades ambulatoriais e hospitalares da rede pública em bebês recém-nascidos e crianças pequenas nascidas prematuras (idade gestacional menor ou igual a 28 semanas) com idade inferior a 1 ano de idade, e para crianças menores de 2 anos de idade que apresentem doença pulmonar crônica da prematuridade, displasia broncopulmonar ou cardiopatia congênita, que atendam ao Protocolo de Uso do Palivizumabe para a Prevenção da Infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório.

Para ter direito a receber o medicamento pelo SUS, os pais devem cadastrar as crianças que se enquadrem nas situações de risco para doença grave pelo VSR nas unidades de assistência farmacêutica das Secretarias Municipais de Saúde. Estas unidades encaminham a documentação completa para a Diretoria de Assistência Farmacêutica (DIAF) da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC). Para atendimento pelo SUS o paciente deverá atender aos critérios de inclusão dispostos no Protocolo do Ministério da Saúde segundo a Portaria nº 23/2018.

As doses são aplicadas durante os meses de março a agosto, em um total de até 5 doses, e resultados de estudos apontam que o uso do Palivizumabe é extremamente eficaz na redução de internações por infecções respiratórias em unidades neonatais e pediátricas de pacientes de alto risco, principalmente durante o período de sazonalidade do vírus.

Prevenção

Existem maneiras de prevenir e reduzir a propagação do VSR. Pessoas que apresentem sintomas de resfriado, devem seguir os seguintes passos:

  • Praticar a etiqueta da tosse, cobrindo a boca e o nariz com um lenço de papel ou com o antebraço ao tossir ou espirrar, jogando o lenço no lixo;
  • Higienizar as mãos com frequência, utilizando água e sabão por pelo menos 20 segundos, auxiliando as crianças pequenas a fazerem o mesmo. Se água e sabão não estiverem disponíveis, utilize desinfetante à base de álcool ou álcool gel a 70%;
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas;
  • Limpar e desinfetar superfícies e objetos que as pessoas tocam com frequência, como brinquedos, maçanetas e dispositivos móveis;
  • Evitar contato próximo com outras pessoas, evitando beijar ou compartilhar copos, talheres ou objetos pessoais;
  • Utilizar máscaras de proteção facial de forma consistente e adequada, cobrindo o nariz e a boca, e promovendo trocas constantes sempre que estiverem úmidas;
  • Evitar frequentar espaços coletivos e com aglomeração de pessoas.

Pessoas com sintomas de resfriado não devem interagir com crianças que apresentam alto risco de doença grave por VSR, incluindo bebês prematuros, crianças menores de 2 anos com doenças pulmonares ou cardíacas crônicas e crianças com sistema imunológico enfraquecido. Se isso não for possível, eles devem seguir cuidadosamente as etapas de prevenção mencionadas acima e lavar as mãos antes de interagir com essas crianças. Eles também devem abster-se de beijar crianças de alto risco enquanto estiverem com sintomas de resfriado.

Os pais de crianças com alto risco de desenvolver doença grave por VSR devem ser orientados a realizar os seguintes cuidados:

  • Evitar contato próximo com pessoas com doentes ou com sintomas de resfriado;
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos;
  • Evitar tocar o rosto com as mãos não lavadas;

Atenção redobrada às medidas de higienização e limpeza devem ser seguidas por creches, escolas ou outros ambientes que apresentam risco potencial de transmissão de doenças respiratórias, principalmente durante os meses de outono e inverno.