Preocupado com a escassez e a falta de cuidado com o rio Itapocu e suas margens, o Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) de Jaraguá do Sul começa um projeto para revitalizar um milhão de metros quadrados em lotes vizinhos ao rio na área urbana do município.

O rio Itapocu atende cerca de 70% da população de Jaraguá do Sul e é nele que a autarquia capta, trata e distribui a água potável. O objetivo do projeto é recuperar as matas ciliares, mantendo suas condições ambientais.

O presidente do Samae, Ademir Izidoro, afirma que de nada adianta ter uma estação moderna, tratando mil litros por segundo, se não houver quantidade de água suficiente e qualidade. "A recuperação da mata ciliar busca garantir a qualidade da água que é oferecida a população", frisa.

Izidoro ressalta a importância de dar início a uma recuperação como esse, um legado para as próximas gerações. "Quando comecei a bolar esse programa, pensei sobre Jaraguá do Sul daqui a 30 anos, com uma estação moderna e água potável. A cidade vive do rio e o rio vive da mata ciliar", enfatiza

De acordo com o presidente, o uso das áreas naturais e do solo para a agricultura, pecuária e loteamentos contribuíram para a redução da vegetação original, chegando a muitos casos na ausência da mata ciliar ao longo do rio.

“A ausência da mata ciliar faz com que a água da chuva escoe sobre a superfície, não permitindo sua infiltração e reduzindo o armazenamento no lençol freático", conta.

A consequência é o menor volume disponível no rio, que prejudica a captação e abastecimento de água para a cidade, além de causar a erosão das margens levando terra para dentro do rio, tornando-o barrento e dificultando o processo de tratamento.

Izidoro fala que o projeto consiste em desenvolver um diagnóstico socioambiental das matas ciliares para identificação e localização dos lotes no entorno do rio.

Será feito registro fotográfico das condições nas Áreas de Preservação Permanente (APP) para a elaboração de um plano de ação com medidas a serem adotadas em cada caso para recuperar e prevenir possíveis danos sobre as margens e, consequentemente, sobre o rio.

 

Ações começam em 2019

Segundo Samae, já foi realizado o levantamento das propriedades urbanas potenciais, visitando informativamente 223 lotes com apresentação e assinatura do termo de apoio, que teve quase 75% de adesão ao projeto. O início das ações está previsto para janeiro de 2019.

Izidoro afirma que no primeiro momento o projeto será realizado nos bairros Três Rios do Norte, Santo Antonio, Nereu Ramos, Três Rios do Sul, Rau, Chico de Paulo, Água Verde, Centro, Czerniewicz e Amizade, totalizando 379 lotes. O investimento total até a finalização dos trabalhos é de aproximadamente R$ 700 mil.

O projeto prevê ainda a identificação de instrumentos, metodologias e estratégias para viabilizar um programa de revitalização de matas ciliares de longo prazo e abrangência geral no município com os objetivo de regularizar todas as propriedades.

"Procuramos apoiar a conservação da biodiversidade, a redução da erosão, o assoreamento e a perda de solo, mantendo a qualidade das águas e a quantidade retirada para captação e abastecimento público", destaca Izidoro.

Mais de 40 mil espécies serão plantadas nos 363 lotes vizinhos do rio. O projeto piloto do plantio da revitalização da mata ciliar foi desenvolvido no terreno de Irio Grützmacher, que mora no bairro Amizade.

Para realizar essa recuperação, o Samae contou com apoio da Prefeitura de Jaraguá do Sul, do Ministério Público (MPSC) e da Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente.

O lançamento do projeto acontece dia 7 de novembro, quinta-feira, às 19 horas, na Sociedade Amizade. A apresentação do programa de revitalização vai contar com a presença do prefeito Antídio Lunelli, colaboradores do Samae, alunos e pessoas que moram no bairro Amizade e Czerniewiz. Izidoro gostaria que outros jaraguaenses possam comparecer.

"A água não é só para os moradores desses lotes, mas para toda a cidade".

-

Quer receber as notícias no WhatsApp?