Por Dyovana Koiwaski |Foto Eduardo Montecino Cerca de 600 famílias do bairro Ribeirão Cavalo estão integradas em um novo projeto piloto do Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) em Jaraguá do Sul. Desde a semana passada, uma quantidade mínima de ortopolifosfato é aplicada na água dos reservatórios instalados na rua Paulo Voltolini para tentar solucionar os episódios de água amarelada que ocorrem na região. O presidente do Samae, Ademir Izidoro, explica que o rio Itapocu, de onde é captada água para abastecimento da localidade, contém em sua composição metais como ferro e manganês, que causam incrustações nas tubulações. “Quando ocorrem vazamentos ou falta de água e o abastecimento é interrompido, a pressão da água ao voltar para o encanamento é muito intensa, fazendo com que essa crosta se desprenda e deixe a água que chega às casas dos consumidores com aparência amarelada”, comenta Izidoro. O ortopolifosfato, utilizado em redes de abastecimento de cidades como Curitiba e Itajaí, atua neutralizando o ferro e o manganês e impedindo que o cloro oxide. “A substância não é prejudicial à saúde, pois vem do fósforo, presente em vários alimentos que consumimos com frequência. Além disso, conseguirá deixar a água mais limpa para a população”, destaca o coordenador da ETA (Estação de Tratamento de Água) Central, Erick Correa da Costa.
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Projeto está sendo aplicado nos reservatórios do Ribeirão Cavalo já que o sistema do bairro permite acompanhamento de todo processo | Foto Eduardo Montecino
O bairro foi escolhido para o projeto piloto por contar com o distrito de rede de água, que possibilita o controle desde a captação até o armazenamento. Esta fase inicial terá duração de seis meses e será acompanhada por engenheiros e técnicos da autarquia, recebendo um investimento de R$ 20 mil. Conforme Costa, a cada 200 litros de água são adicionados há 800 mililitros de ortopolifosfato. “A dosagem é pequena, sendo aumentada gradativamente até neutralizar completamente a presença desses metais”, conta o coordenador. Semanalmente, a equipe de trabalho fará uma coleta da água em três pontos da distribuição, na saída do reservatório, no meio e nas últimas residências com o sistema. “A partir disso, vamos levantar os dados e montar um grupo de estudo para observar a aplicabilidade do projeto na ETA Central, para beneficiar toda a cidade”, aponta Costa. - Leia mais: Alerta do Samae: rede de esgoto não é lugar de lixo - Durante os testes que serão feitos, qualquer alteração percebida na água deve ser informada ao Samae pelo telefone 2106-9100. “Pedimos a colaboração de todos neste período, para que avisem quando identificarem alterações de cor na água. Assim agiremos rápido para descobrir as causas do problema”, aponta Izidoro. O presidente do Samae salienta que as famílias receberam um informativo sobre o projeto piloto e foram visitadas por funcionários, que esclareceram dúvidas. O ortopolifosfato é um produto que não altera a qualidade da água distribuída pelo Samae, que segue exigências do Ministério da Saúde. Atual processo de coleta e destinação do lixo é estudado Com a transferência da gestão dos resíduos sólidos domiciliares de Jaraguá do Sul para o Samae a partir de janeiro de 2018, a autarquia municipal deve fazer um acompanhamento mensal para conhecer como o procedimento funciona atualmente. Com os dados recolhidos, será criado um projeto para estruturar as mudanças. A cobrança da tarifa pelo recolhimento de lixo deverá ser incluída nos serviços de água e esgoto. De acordo com o Samae, dessa forma será possível dar condições mais justas de pagamento, que será mensal, reduzindo a inadimplência. Atualmente, o manejo de resíduos sólidos são custeados por meio da Taxa de Coleta de Lixo, cobrados dos contribuintes junto com o IPTU. Nova ETA deve ser inaugurada em maio de 2018 Em construção desde o início de 2016, a nova ETA está com aproximadamente 78% das obras concluídas e deve ser inaugurada no aniversário de 50 anos do Samae, comemorado no dia 28 de maio do ano que vem. Com a entrega do novo empreendimento, a capacidade da ETA central será praticamente triplicada, passando de 375 litros de água tratada por segundo para mil litros. O investimento é de cerca de R$ 38 milhões, recurso que foi financiado pela Caixa Econômica Federal. Além desta obra, a autarquia está implantando uma rede de esgoto no bairro Baependi com mais de três quilômetros de extensão e recurso de R$ 1,1 milhão. Os serviços começaram pela Rua Max Wilhelm e contemplam também outras 14 laterais nas proximidades para interligar a rede e fazer com que o esgoto chegue à estação de tratamento na Ilha da Figueira. O prazo para conclusão do projeto é de cinco a seis meses. Outro objetivo do Samae, conforme o presidente Ademir Izidoro, é melhorar o programa de Controle de Perdas na rede de abastecimento de água. A verba necessária para viabilizar a ação está estimada em R$ 20 milhões, que serão buscados no Ministério das Cidades. Dois reservatórios de água de aço petrificado também devem ser construídos, um no bairro Rau e outro no Baependi.