Quando a torneira ou o chuveiro é aberto, corre água. Os sacos de lixo depositados nas calçadas são levados durante a noite. Ao dar a descarga, os resíduos vão para tratamento. O trabalho pode passar despercebido, mas faz toda a diferença no funcionamento de uma cidade - ainda mais em Jaraguá do Sul que é referência em saneamento básico.

O Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), composto por mais de 240 servidores, completa 53 anos de atividade com grandes índices que representam em si um desafio.

Conforme o diretor presidente da autarquia Ademir Izidoro, uma estrutura gigantesca de tubos, coleta e sistemas complexos de tratamento exige trabalho para ser mantida em funcionamento e ainda mais esforço para ser aperfeiçoada.

Ademir Izidoro, diretor-presidente do Samae. Foto: Divulgação

Água nas torneiras

Atualmente o município conta com cobertura de 99,8% de abastecimento de água. A maior parte, em torno de 80%, é suprida pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Água Verde, que capta do Rio Itapocu, e o restante é abastecido pela ETA Garibaldi, na bacia do Rio Jaraguá.

A primeira estação foi completamente refeita e passou a funcionar em 2018, em um investimento de R$ 40 milhões.

“Se não tivesse executado essa obra teríamos falta de água em Jaraguá do Sul no ano seguinte”, afirma Izidoro.

Rede de distribuição da água da Samae | Foto Arquivo/OCP News

A antiga estação captava 380 litros por segundo e atualmente a capacidade está em 500 litros por segundo - a estrutura ainda pode dobrar essa capacidade, o que deve atender a demanda de crescimento dos próximos 50 anos.

Outra frente importante encampada pela autarquia é a preservação da mata ciliar do Rio Itapocu, que deve plantar 30 mil árvores e refazer o corredor verde.

A ação garante a sustentabilidade do rio, que com seu volume é capaz de atingir uma capacidade de 3.500 litros por segundo.

Foto Reprodução/PMJS/Samae

O desafio dos alagamentos

Há um ano o Samae também passou a atuar com a gestão de drenagem pluvial, que é um dos quatro braços do saneamento básico, mas antes ficava a cargo da Secretaria de Obras.

Conforme Izidoro, a intenção é tirar o caráter emergencial desse trabalho e passar ao planejamento. “É um problema sério para Jaraguá do Sul”, diz. “Tem que ser planejado, não adianta improvisar.”

Foto Divulgação

Atualmente não se tem um mapeamento das redes de tubulação existentes nas ruas da cidade, o que deve mudar. A autarquia contratou uma empresa terceirizada para fazer todo esse levantamento, o que dará origem ao Plano Diretor de Drenagem e Manejo das Águas Pluviais Urbanas;

Com isso, se planeja buscar recursos federais para executar melhorias em pontos que são frequentemente afetados pelos alagamentos, além de passar a executar redes de tubulação pautadas em dados técnicos de cada região.

Expansão do tratamento de esgoto

Um dos índices de maior destaque para Jaraguá do Sul são os 90% de tratamento de esgoto. Algo notório enquanto Santa Catarina, segundo Izidoro, está entre os 18 piores estados do país em cobertura.

Mesmo estando em posição de vantagem, existe planejamento para que as estruturas sigam dando conta da demanda, além de estender o serviço.

Nos próximos meses a nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Água Verde deve ser inaugurada, depois de um investimento de R$ 16 milhões.

Foto Arquivo OCP News

Para esse ano ainda, uma das metas é realizar o projeto da nova ETE da Ilha da Figueira. Hoje, a estrutura está localizada na Via Verde e opera com o máximo da capacidade.

O projeto técnico dessa estrutura deve custar em torno de R$ 800 mil e a construção em si mais de R$ 35 milhões.

Outro planejamento para o ano é executar pelo menos 50% da rede de esgoto dos bairros Três Rios do Sul e do Norte - que ao todo deve custar R$ 12 milhões.

Lixo bem destinado

Jaraguá do Sul recicla em média 30% dos resíduos sólidos coletados. O trabalho, que foi fortalecido com o uso dos sacos verdes, leva renda para cerca de 11 cooperativas que atuam nessa destinação.

“É lixo que não vai para o aterro e isso é muito importante”, comenta Izidoro.

Foto Divulgação/Samae

Mas o olhar agora está voltado para o potencial do que ainda precisa ser descartado: o Samae deve lançar esse ano um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber propostas de tecnologias que possam resolver esse problema.

Existem soluções que transformam os resíduos em energia, outras que produzem tijolos, neste procedimento serão apresentadas propostas e com base nisso o município deve escolher uma alternativa e, depois, lançar uma concessão.

Gestão e planejamento

Izidoro atribui o bom desempenho de Jaraguá do Sul em saneamento básico a um trabalho focado em gestão que vem sendo conduzido pelo Samae.

O presidente da autarquia avalia que, ao seu ver, no decorrer dessas cinco décadas não houve engajamento político, mantendo o trabalho técnico, visando o futuro.

Também enfatiza o trabalho em equipe. “O sucesso foi ter o compromisso dos nossos líderes, que a gente faz o planejamento anual, todos os anos, a curto, médio e a longo prazo é a renovação do plano municipal”, ressalta. “Saneamento é planejamento”, afirma.