Saiba quais os tipos de câncer que mais matam em Jaraguá do Sul

Saiba quais os tipos de câncer que mais matam em Jaraguá do Sul Saiba quais os tipos de câncer que mais matam em Jaraguá do Sul

Cotidiano

Por: Ana Paula Gonçalves

domingo, 06:00 - 04/02/2018

Ana Paula Gonçalves
Problema de saúde mundial, o câncer é a segunda causa global de mortes de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão estima que no ano de 2030 deva haver pelo menos 27 milhões de casos incidentes de câncer, 17 milhões de mortes pela doença e 75 milhões de pessoas vivas, anualmente, com câncer. Cada vez mais ligada aos hábitos da população, a doença vem ganhando grande proporção, sendo as neoplasias de pulmão as que mais levam a óbito no mundo. Em Jaraguá do Sul, dados de 2016 indicam que este também foi o tipo de câncer que mais matou no município, seguido pelo de estômago. Neste domingo (4), dia mundial de combate à doença, informações sobre prevenção marcarão a data, com especialistas alertando para a importância do diagnóstico e tratamento precoces. Faça parte do grupo de whatsApp OCP News.  Clique aqui  Segundo o médico oncologista Hugo Nora, a palavra câncer designa mais de 200 tipos diferente de doenças, cada qual com um comportamento e prognóstico distintos. Portanto, fica difícil definir uma única causa ou um único tratamento. Estima-se que surjam 14 milhões de novos casos de câncer no mundo a cada ano, sem considerar os cânceres de pele e, conforme explica, não há como reduzir o risco associado às questões genéticas inatas de cada um. Mas, um terço de todos os casos do mundo deriva do tabagismo, ingestão de álcool, sedentarismo e obesidade. “Combater estes fatores de risco deveria ser uma prioridade, pois teríamos um ganho enorme em economia e produtividade. Isso requer decisões alinhadas com urbanistas, vigilância sanitária, ambientalistas, legisladores, profissionais de saúde e o poder Executivo”, aponta. Dados fornecidos pelo responsável pela área de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Luís Fernando Medeiros, referentes a internações e mortes de pessoas residentes em Jaraguá do Sul, apontam que a neoplasia maligna da pele foi a principal causa de internações por câncer em 2017 (janeiro a novembro). No ranking, o câncer de próstata aparece em segundo lugar, seguido por tecido mesotelial (pleura, peritônio, pericárdio) e tecido mole, mama e colo do útero. A faixa etária mais atingida está acima de 60 anos (46,8%), enquanto a que apresenta menor índice de internações é a mais jovem (abaixo dos 30 anos). Sobre o câncer de pele, o médico destaca que a pele branca é a mais suscetível à doença, pois a melanina funciona como um protetor solar. Ele enfatiza que o protetor solar é uma ferramenta extremamente importante na prevenção do câncer de pele, mas infelizmente pouco utilizada. “Não é incomum recebermos casos de paciente que já tiveram câncer de pele em algum momento da vida e que continuam tendo exposição solar fora dos horários recomendados e sem protetor solar”, argumenta. Nora orienta que é preciso comparar a pele de áreas descobertas da pele com áreas cobertas, se a diferença entre elas for muito grande (rugosidade, vermelhidão, bronzeamento excessivo, sardas, pintas), é necessária a redução da exposição solar e, se necessário, buscar avaliação médica. O TABU DA PRÓSTATA O especialista acredita que há menos preconceito hoje em dia e os homens estão buscando proteger-se contra o câncer de próstata, mas certamente ainda há muito a ser melhorado. Conforme Hugo Nora, as campanhas têm ajudado a popularizar o exame do toque e do PSA. “Acredito que este seja o caminho (disseminar a informação para conscientizar os homens)”, opina. Quanto às internações em Jaraguá do Sul, ele diz que estas se devem ao reconhecido do nível de qualidade do atendimento oncológico na cidade, o que acaba por atrair a vinda de pacientes oncológicos de outras regiões, principalmente os casos mais graves. Do lado feminino, o médico aponta que há uma grande polêmica sobre qual o real benefício do autoexame ou mesmo sobre a idade mais apropriada para o início do exame mamográfico.  “O autoexame não substitui a mamografia, mas, de maneira geral, o recomendamos, pois a atenção com o próprio corpo é um princípio básico da boa saúde. A mamografia ainda é o exame recomendado pela OMS anualmente a partir dos 40 anos de idade”, orienta. O Ministério da Saúde segue a diretriz norte-americana e recomenda que a primeira mamografia seja feita a partir dos 45 anos de idade. Porém, cabe lembrar que em pacientes que tenham histórico familiar, o rastreamento pode ser iniciado mais cedo, conforme critério médico. ÓBITOS EM JARAGUÁ DO SUL Os números fornecidos pela Secretaria de Saúde mostram que, entre 2012 e 2016, a doença matou mais 831 pessoas residentes em Jaraguá do Sul, a maioria homens. 56% das mortes por neoplasias no período de cinco anos foram de pessoas do sexo masculino. A faixa etária que mais apresentou óbitos em 2016 foi a de 70 a 79 anos. Seguindo o quadro mundial, o câncer de pulmão foi o que mais matou no município em 2016 (20 mortes). Depois, estão estômago (15 óbitos), cólon, reto e ânus (14), mama (13) e fígado (8). Os dados relativos a 2017 não foram atualizados pelo Ministério da Saúde. O oncologista ressalta que a principal causa de câncer de pulmão é o cigarro. Tanto é, que somente um em cada dez pacientes com câncer não é fumante. Nora ressalta que a queima de combustíveis fósseis e a liberação de poluentes industriais pode ser um fator de risco para câncer de pulmão e a Agência Europeia de Meio Ambiente já detectou que 90% dos moradores das áreas urbanas da União Europeia inalam níveis nocivos de poluentes. “Em algumas cidades da Índia, México e China o nível de poluição é tão alto que obriga seus moradores ao uso de máscaras. Agrotóxicos e asbesto (presente no amianto) são outros poluentes sabidamente causadores de cânceres, não só de pulmão”, revela. COMO EVITAR A DOENÇA “O câncer é uma doença relacionada ao envelhecimento e o aumento da expectativa de vida tem como efeito colateral o aumento cumulativo de surgimento de cânceres”, explica Hugo Nora. Da mesma forma que o envelhecimento saudável começa na infância, a prevenção do câncer do idoso também inicia na infância. Há estudos que comprovaram que obesidade infantil aumenta significativamente o câncer de cólon no idoso, por exemplo. “Assim como a exposição solar na infância causa câncer de pele no adulto, o tabagismo passivo infantil aumenta o risco de cânceres relacionados ao tabaco (bexiga, pulmão, esôfago, boca, pâncreas,  estômago, cólon...)”, exemplifica. De maneira geral, ele diz que é preciso reduzir significativamente o consumo do tabaco, álcool, exposição solar e a obesidade. A atividade física é obrigatória para uma vida saudável e a mesma regra vale para reduzir o risco de cânceres em geral. Fazer a vacinação contra HPV e Hepatite B também ajuda, pois previnem contra o câncer de fígado e do colo do útero. “Devemos exigir exames que atestem a pureza da água e também devemos controlar a poluição ambiental (exames de Raio X, agrotóxicos, poluentes alimentares e inalatórios). Acho que uma forma barata e de grande impacto seria disponibilizar protetores solares nas escolas para crianças usarem nos deslocamentos em horários de grande insolação. Sem dúvida, é necessário fazer ainda mais campanhas de conscientização e garantir que as pessoas tenham acesso aos meios diagnósticos e de tratamentos sem ter que esperar por meses”, enfatiza.          
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