A interdição da SC-108 não para de causar problemas na região e a quantidade de buracos nas vias utilizadas como rotas escape da rodovia só cresce. Caminhoneiros, empresários e moradores fazem coro para reclamar da falta de qualidade das ruas.

A rua Carlos Oechsler possuía uma ciclovia utilizada por muitos trabalhadores e estudantes, mas a grande quantidade de caminhões que está passando por ali desde fevereiro fez o asfalto se despedaçar e, agora, o espaço só existe na memória.

O perigo fica maior quando os pedestres precisam dividir  espaço na calçada, já pequena e também esburacada, com as bicicletas.

Crianças e adolescentes que estudam na escola Lília Ayroso Oechsler, em Jaraguá, trafegam todos os dias pela região e são obrigadas a andar próximas de carros, motos, caminhões e ciclistas.

Rosimeri Danker, de 40 anos, mora bem de frente ao trecho mais crítico da rua Carlos Oechsler. Sua voz é bem conhecida pela ouvidoria da Prefeitura de Jaraguá do Sul, pois toda semana ela liga para reclamar.

"Eu tive que pegar uma pá, enxada e um carrinho de mão para poder sair de casa e ir ao médico", conta.

Rosimeri reclama da demora da Prefeitura para arrumar a via esburacada | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A moradora recorda que quando o calçamento foi colocado na rua, a Prefeitura cobrou dos moradores, algo que aconteceu novamente há alguns anos quando a via então foi asfaltada. "Tivemos despesa duas vezes e agora não poder sair de casa", diz.

O secretário de Obras de Jaraguá do Sul, Onésimo José Sell, relata que no último sábado (23), a Prefeitura fez uma limpeza e escavação profunda no local, fechando os buracos com barro.

Porém, ele estima que os problemas continuarão afetando várias vias da cidade até que a SC-108 seja recuperada pelo governo do Estado.

"A tendência é que as ruas se deteriorem cada vez mais. Vai ter que ser feito uma prevenção paliativa e se bobear a cada 15 dias", lamenta.

Rosimeri flagrou a via antes de a prefeitura fazer um ajuste emergencial | Foto Divulgação

Sell alega que o grande fluxo de veículos nas estradas de acesso à SC-108 coloca a Prefeitura em um beco, deixando apenas sábado a tarde e domingo de manhã como os dias para os trabalhos de reparo. "Vamos fazer a manutenção dentro do possível", completa Sell.

Os custos gerados pela manutenção também preocupam as prefeituras de Jaraguá do Sul e Guaramirim. O valor só será conhecido após a reabertura da rodovia.

Poeira também é problema

Apesar de morar em uma estrada de chão, na rua Vendelino Kamer, em Guaramirim, o mecânico Ivo Bergnann, 42 anos, nunca teve problemas com pó até a interdição da SC-108. Cenário bem diferente dos dias atuais, em que a via fica repleta de caminhões. "Eles passam a 70 km/h em uma via onde passavam a 30 km/h", destaca o morador.

Seu emprego também está sendo prejudicado, pois depois de consertar a latoaria, Ivo precisa pintar e lavar os veículos, mas se o cliente chegar no horário certo, o pó já toma conta do carro. "Está impossível viver assim. Os buracos surgem e o pó toma conta do local", completa.

Estrada Bananal é uma vias alternativas utilizada pelos motoristas | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Outro que reclama da poeira é Claudemir de Souza, 40 anos. O caminhoneiro, morador da rua Bartolomeu Spezia, conta que os veículos estão passando muito acima da velocidade permitida e as pessoas são obrigadas a deixar suas casas fechadas para diminuir o prejuízo com o pó. "Minha piscina já está laranja", lamenta.

Em alguns trechos, como na Estrada Bananal, em Guaramirim, os buracos forçam os motoristas a utilizarem a contramão, mesmo andando a mais de 60 km/h. "Precisamos achar uma solução rápida", pede Claudemir.

Previsão da obra

Enquanto os motoristas, moradores, ciclistas e pedestres sofrem com a interdição da SC-108, a obra de revitalização da rodovia se arrasta ainda sem uma definição de tempo, valor e, até mesmo, modelo de execução.

A expectativa do prefeito de Guaramirim, Luís Antônio Chiodini (PP), é que nesta semana seja possível fazer uma previsão. "Essa semana eles devem divulgar o valor e quando a obra deverá começar", estima Chiodini.

 

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