Tainá Lima, de sete anos, mantém os insetos afastados na escola ao passar repelente duas vezes por dia - Foto: Eduardo Montecino

Tainá Lima, de sete anos, mantém os insetos afastados na escola ao passar repelente duas vezes por dia - Foto: Eduardo Montecino

A guerra contra o mosquito Aedes aegypti, que deixou de ser um problema nacional e passou a ser global, se torna ainda mais preocupante quando se trata de crianças, pela vulnerabilidade em relação à dengue e à chikungunya. O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que recomenda formas mais eficazes de evitar o mosquito e também o uso adequado de repelentes.
Dentre as dicas, está a de manter as janelas fechadas ao nascer e ao pôr do sol, pois esses insetos costumam atacar nas primeiras horas da manhã e ao final da tarde. Está constatado que o vetor tem predileção pelo tornozelo e, portanto, é aconselhável cobrir essa parte do corpo com roupas. Condicionadores de ar também ajudam a mantê-los afastados.
Outra providência para afastar o transmissor das doenças é instalar telas e mosquiteiros, que podem receber tratamento com permetrina em spray ou outra substância repelente. Os repelentes elétricos são bem-vindos se colocados próximos a janelas e portas, porém, é preciso ter cuidado para os líquidos, que podem ser retirados e acidentalmente ingeridos por uma criança.
Os repelentes de pele comercializados no Brasil seguem tabela por faixa etária e devem ser escolhidos com orientação especializada. Óleos naturais têm eficácia média, mas evaporação rápida, enquanto as pulseiras de citronela apresentam baixa eficácia e podem causar alergia. Não há comprovação científica de que ingerir vitamina B1 (tiamina) traz bons resultados para afastar insetos.
Em Jaraguá do Sul, seis casos de dengue foram confirmados em 2016.
Repelente por cima da roupa
O pediatra Airton Weber da Silva, que soma 36 anos de profissão, é enfático ao orientar aos pais dos pequenos pacientes que “é fundamental que cada um, no seu ambiente, faça a prevenção e evite criadouros. Todo mundo deve usar roupa adequada e saber utilizar o repelente”, diz.
Segundo ele, o banho é essencial porque o produto é potencialmente tóxico. Sempre que possível, alerta, vestir calças e mangas compridas, preferencialmente claras: “O mosquito tem predileção para roupas escuras e cheiros fortes”, comenta.
Weber observa que passar repelente por cima da roupa potencializa a ação. Outro cuidado é evitar a visita aos locais endêmicos. “O trabalho é muito maior para a saúde pública. É preciso colocar uma tropa de choque na rua para eliminar os criadouros. Cada um tem que fazer a sua parte”, complementa o pediatra.
A diretora de uma escola de apoio pedagógico na Vila Lenzi, Daniele Cristina Marquardt, conta que os 47 alunos, de seis a 11 anos, têm aplicação de repelente ao chegarem e saírem do contraturno: “A maioria traz de casa, mas temos aqui também”, conta.

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Pediatra aconselha passar repelente por cima da roupa e evitar lugares com alta incidência de casos

 
Como evitar o mosquito
• Vestir roupa clara, manga longa e calça comprida;
• Utilizar tela e mosquiteiro;
• Dedetizar ambientes;
• Limpar áreas perto de casa e eliminar criadouros;
• Usar repelente indicado para a idade;
• Vestir roupa clara.
O que não pode
• Aplicar o repelente na mão da criança para ela espalhar;
• Passar perto da boca, do nariz, dos olhos ou de machucados;
• Usar repelente o tempo todo;
• Reaplicar mais vezes do que o indicado.