Manifestações ultrajantes de cunho preconceituoso, sejam em relação à cor, sexo, etnia, religião ou política, sejam em relação à posição social, cultural ou filosófica, sempre se fizeram presentes nas sociedades desde os tempos mais remotos. Impropérios dessa natureza ostentam traços genéticos de conduta primitiva e subdesenvolvida e persistem feito vírus mutante e resistente na sociedade pós-moderna. Lamentavelmente, proliferam-se graças ao meio favorável da tecnologia da informação. Confesso que tenho explorado estudos de cunho antropológico, sociológico e teológico buscando respostas para raiz dessa questão. Evidências genéticas de paleontólogos nos dão conta que nossos ancestrais chegaram ao norte da Europa há cerca de 40 mil anos. Detalhe, antes disso, passaram cinco milhões de anos, esteticamente padronizados, no berço africano. Então poderíamos deduzir, em tese, que a diversidade de caracteres físicos começa a se revelar há cerca de 40 mil anos, graças ao processo de deslocamento. Por decorrência, surge a multiplicidade de raças com suas condições peculiares e, por fim, o racismo. Um retrospecto bem abreviado. Como a raiz histórica do racismo envolve uma miríade de teorias, sintetizo tudo em duas principais visões históricas: a “visão classificatória reducionista”, invenção hierarquizada do modernismo ocidental, apoiada no pseudo princípio de que os caracteres físicos convertem-se em raça e influenciam o comportamento. Cabe aqui, a propósito, um conceito muito lúcido do Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP): “o racismo nasce quando faz-se intervir caracteres biológicos como justificativa de tal ou tal comportamento”. E a “visão teológica” baseada em passagens bíblicas como a de Noé que amaldiçoa seu único filho negro, profetizando que seus descendentes seriam escravizados pelos descendentes de seus irmãos. Essas duas equivocadas visões têm legitimado barbáries históricas como a escravidão, o holocausto, o apartheid e genocídios diversos. Minha particular visão é a de que a raiz do racismo não carece de estudos aprofundados para a sua compreensão. Tomamos dois episódios: 1º) a recente manifestação injuriosa “macaca de salto alto” dirigida à primeira dama Michelle Obama, com ampla repercussão na mídia global ocorrida, paradoxalmente, na principal democracia mundial, postada por Pamela Ramsey Taylor e corroborada por sua amiga Beverly Whaling, prefeita da pequena cidade de Clay, na Virgínia Ocidental; 2º) O caso do goleiro santista Aranha injuriado pela torcida gremista em agosto de 2014, protagonizado pela torcedora Patrícia Moreira. Ambos os casos possuem elementos comuns reveladores da raiz racista, ou seja, as justificativas patéticas expostas pelas agressoras: “foi apenas uma diversão de rede social”; ou, “não tinha intenção de ser racista”, ou ainda, “me encontrava no calor da torcida, mas não sou racista”. Podemos atestar, por dedução lógica, que a raiz do racismo está umbilicalmente relacionada à “burrice genética”.