A busca pelo consumo de alimentos frescos e livres de agrotóxicos tem feito muitas pessoas, mesmo as que vivem em espaços pequenos e urbanos, cultivarem plantas e hortaliças. Para alguns significa qualidade de vida, enquanto para outros acaba se tornando um hobby.

Criar uma horta com itens que podem ser colhidos na hora para o preparo do que sera servido na mesa é o que muitas pessoas desejam, como o aposentado Adinei Hanemann, de 53 anos.

Buscando conhecer mais sobre o cultivo orgânico, ele participou de uma oficina de compostagem em 2017 e há dois meses está cuidando de sua nova horta. "É um cantinho gostoso. Gosto de vir todos os dias e ver se estão precisando de alguma coisa", diz.

Conversando com as pessoas da comunidade, no bairro Barra do Rio Cerro, Adinei e sua esposa, Celita Roehrs Hanemann, 54 anos, tiveram a ideia de uma horta comunitária.

"Estamos procurando um terreno baldio, onde todos os integrantes possam jogar alimentos orgânicos e depois fazer o processo de compostagem", comenta. Adinei fala que existe muitos terrenos baldios em Jaraguá do Sul que podem ser aproveitados para este fim.

A inspiração de Adinei veio pelo fato do seu irmão mais velho e vizinho ter uma grande horta no lado de casa. Adelir Hanemann, de 56 anos, cultiva desde salsinha até aipim. A variedade de verduras e legumes é o que cativa o aposentado. "Não existe monocultura na minha horta, eu gosto de plantar tudo que conseguir", ressalta.

Adelir gosta de cultivar a maior variedade possível de frutas e vegetais | Foto Eduardo Montecino/OCP News

O cultivo de horta proporcionou grandes momentos para Adinei, como o último 18 de maio - dia que, no quintal de casa, colheu um aipim de 12 quilos e quase um metro e meio. "Fiquei surpreso quando vi o tamanho do aipim". Para o aposentado, ter uma horta no lado de casa significa qualidade de vida e algo para passar o tempo. "É o meu hobby", sorri.

Para Adinei, plantar, cuidar, colher e comer, participando de todos os processos da plantas fresquinhas, sem veneno, não tem preço. "A horta requer alguns cuidados, mas o que importa de verdade é gostar das plantinhas. É preciso buscar conhecimento para saber que cada espécie tem suas particularidades", confessa. Para ele, ter boa vontade é o principal para ter uma horta.

Como cuidar

Segundo o educador ambiental, Marcus Vinicius Bona Negri, de 32 anos, três fatores são essenciais para ter uma horta caseira: luz, temperatura e água. Ele recomenda deixar a planta pelo menos até quatro horas no sol. "É importante ficar atento a quantidade de luz que incide na planta e ficar atento para, se precisar, trocar os vasos de lugar", alerta.

O hábito de molhar as plantinhas é algo que o hortelão urbano precisa ter. Negri fala que todo ser vivo necessita de água e a quantidade está relacionada com a espécie e o tempo de vida. Se a planta for nova, precisa de menos, quando ela for crescendo é necessário jogar mais. A água deve ser lançada diretamente na terra, pois é lá que estão os nutrientes.

Educador ambiental alerta as regas que deve entrar na rotina dos novos hortelãos | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A temperatura também é algo fundamental no cultivo das hortaliças. Em um clima quente, a chance é maior da planta ficar seca e até morrer. Em um ambiente frio, o crescimento da horta fica paralisado. Por isso, a melhor época indicada para o cultivo é na primavera, onde o clima está mais ameno. “Um ambiente perfeito para as plantas crescerem da maneira adequada”, destaca o educador ambiental.

Para quem quer cultivar hortas em apartamentos, mas se preocupa com a pouca luminosidade que a planta vai receber, Negri avisa que existem algumas plantas que crescem com menos iluminação do sol. Salsinha, cebolinha, manjericão e alecrim são algumas das plantas que se encaixam nos exemplos do educador.

Dicas antes de plantar

Para começar o cultivo de uma horta caseira, é preciso saber sobre compostagem. Pensando nisso, o educador ambiental, Marcus Vinicius Bona Negri, promove cursos e oficinas sobre o tema em Jaraguá do Sul. "Primeiro faço oficinas sobre compostagem e depois que o pessoal já tem a terra pronta eu realizo sobre o cultivo de hortas", comenta.

Ele explica que, ao utilizar o resíduo orgânico para adubação, a matéria orgânica perde a característica de lixo. “A gente para de pensar que aquilo é lixo e passa a pensar que vai servir para alguma coisa, que tem uma finalidade, e vai ser útil para hortas, plantas, flores e outros cultivos”, ressalta.

Na chamada composteira de apartamentos (que também serve para casas onde não há um espaço maior para reunir os resíduos), é preciso dosar alguns cítricos, por causa da acidez, assim como o café e a erva-mate.

Podem ser colocadas as podas do jardim e da grama, resíduos de frutas e verduras, cascas de ovo e restos de comida que não foi cozida e sem sal, já que o produto retira a umidade necessária para a minhoca.

Negri ressalta que importante manter o controle da umidade para não dar cheiro. "Para esse controle, são necessárias uma parte de matéria orgânica fresca para duas a três partes de matéria orgânica seca”, explica.

Além disso, o ideal é que a composteira esteja à sombra, pois a minhoca não gosta de calor. No verão, leva aproximadamente dois a três meses para o processo ser concluído e o material virar terra. No inverno, em quatro a seis meses o composto fica pronto.

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