A busca pelo consumo de alimentos frescos e livres de agrotóxicos tem feito muitas pessoas cultivarem plantas e hortaliças. Para alguns significa qualidade de vida, enquanto para outros, acaba se tornando um hobby ou até mesmo um meio de renda.

Guilherme Augusto Klinkoski, de 26 anos, alia o prazer de cuidar de sua horta com o dinheiro que ganha vendendo seus produtos, além da satisfação de contribuir para o crescimento de produtos orgânicos em Jaraguá do Sul.

Como um bom filho, ele herdou a paixão pelo cultivo de plantas de seu pai. Em 2016, Guilherme aproveitou que vendia peixes para começar a cultivar temperos e folhas, comercializando como seu produto principal.

"Comecei a produzir cebola, manjericão, salsinha e alface. Pouco tempo depois, com o nascimento do meu filho, pensei que daria para fazer mais algumas coisas", destaca.

No fim de 2019, ele começou a participar do programa Cinturão Verde, da Prefeitura de Jaraguá do Sul, onde fez diversos cursos e ganhou uma estufa.

Guilherme colhe a alface que foi cultivada na estufa cedida pela Prefeitura | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo o produtor, a estufa funciona como um guarda-chuva, já que os fungos e vírus começam a partir da chuva e são carregados para outras plantas por meio dos insetos.

"Como nosso clima em Jaraguá do Sul é muito úmido, mesmo com a estufa, ainda temos problemas", comenta.

Produção

Em três terrenos perto de sua casa, no bairro Jaraguá Esquerdo, Guilherme planta desde adoçantes naturais até aipim e milho. Utilizando adubação biorgânica, ele destaca algumas diferenças entre a agricultura orgânica e a convencional.

"Na orgânica não esperamos dar uma doença na planta para curá-la. Vamos manter a planta saudável até o fim da vida dela, deixando-a cumprir seu ciclo, sem precisar utilizar um defensivo biológico", enfatiza.

Guilherme relata que sempre quis tornar a produção sem agrotóxico viável, mas lamenta que a mão de obra é cara. "Por isso minha produção é diversificada, se der um problema em uma planta, tem outra que me segura", explica.

Guilherme sempre gosta de dar um passada em sua horta | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Venda

Cada semana, Guilherme distribui um combo com cinco a seis produtos para seus clientes, com o selo Natucultivo. Atualmente, ele tem cerca de 15 clientes fiéis, para quem vende toda a semana, além dos pedidos esporádicos que recebe.

"Estou pensando em fazer assinaturas mensais e a cada semana vou disponibilizar o combo para as pessoas", planeja.

Para quem acredita que ele produz pensando primordialmente em vender, está enganado. Guilherme quer contribuir para a expansão do mercado de produtos sem agrotóxicos em Jaraguá do Sul, desde para quem comercializa, até para os hortelões urbanos (projeto que busca inspirar as pessoas a plantar, mesmo que seja um único vaso dentro do apartamento).

Para quem quiser conhecer mais do trabalho de Guilherme, a Natucultivo está no Instagram como @Natucultivo. O contato dele é (47) 99974-2326. Suas três hortas ficam perto de sua casa, na rua Osni Antônio Pradi.

Combo que é vendido pela Natucultivo | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Cinturão Verde

Implantando há menos de três anos, o Projeto Cinturão Verde triplicou o número de produtores de hortaliças protegidas em Jaraguá do Sul. “Eram apenas 10; hoje são 32”, comemora o secretário Municipal de Desenvolvimento Rural e Abastecimento, Daniel Peach.

O projeto consiste na entrega de kits de abrigos protegidos. O kit maior, que compreende arco, plástico, mangueira de gotejamento, conectores e perfil de alumínio, custa cerca de R$ 4 mil, sendo que no ano passado foram entregues 33 kits para 27 agricultores.

Segundo Peach, há uma lista de espera com outros 19 interessados. A produção é destinada, principalmente, para mercados locais, Centrais de Abastecimento (Ceasa), escolas e creches, além de distribuidores

 

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