Por Dyovana Koiwaski  A Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu) lança nesta segunda-feira (5) o projeto Manancial, que deve investir mais de R$ 2,9 milhões para recuperar matas ciliares e nascentes em 500 pequenas propriedades rurais da região. A data coincide com o Dia Mundial do Meio Ambiente para destacar a importância da preservação dos recursos naturais. A engenheira florestal da Amvali, Karine Holler, explica que a vegetação nas margens dos rios e a proteção do ponto onde inicia o curso da água é fundamental para garantir recursos para as cidades da região. Segundo ela, dados levantados pelo Comitê da Bacia Rio Itapocu indicam que a situação hídrica da região estará péssima em 2027 se o atual ritmo de uso for mantido, em virtude do desaparecimento das nascentes. “Os moradores mais antigos comentam que antes, por exemplo, os rios eram mais profundos”, observa Karine.
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Locais precisam estar localizados acima dos sistemas de captação de água das cidades| Foto Eduardo Montecino
Após o lançamento do projeto, começa a fase de mobilização voluntária dos proprietários das áreas para participar do projeto. Os agricultores precisam estar inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e suas propriedades devem ter, no máximo, 48 hectares. Os beneficiados devem assinar um termo de compromisso. Com isso, a equipe responsável pelo projeto irá avaliar qual técnica será utilizada para recuperar a respectiva mata ciliar ou nascente, podendo ser através do plantio de mudas ou prevenção da erosão. “A vegetação consegue proteger os rios e segura as águas na bacia hidrográfica”, aponta a engenheira. Agricultores podem receber por preservação  As 500 propriedades estabelecidas como meta devem estar instaladas em localidades mais elevadas, acima do sistema de captação de água do município. De acordo com Karine, existem mais de 2,4 mil propriedades cadastrados no CAR atendendo esses critérios, são 1.100 áreas em Corupá, 650 em Schroeder, 600 em Jaraguá, 90 no município de Massaranduba e 50 em Barra Velha. Os bairros Santa Luzia, Garibaldi e João Pessoa concentram a maioria destas localidades em Jaraguá do Sul, por serem pontos mais altos e com grande presença de agricultores. Os agricultores que aderirem ao projeto ainda podem receber uma quantia em dinheiro para realizar a manutenção da área, o Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), que está em análise. Durante a execução do projeto, as mudas serão recebidas, guardadas e cultivadas no Viveiro Municipal de Corupá. O tempo total de duração está estimado em quatro anos. Para esta primeira fase, de identificação e autorização dos proprietários para o uso dos terrenos, será investido R$ 423 mil. Na segunda etapa, a verba de R$ 1,1 milhão deve ser aplicada na compra de equipamentos para recuperação e preservação. O recurso é do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O projeto Mananciais foi aprovado em dezembro através do edital Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para produção de Água e conta com a parceira das prefeituras municipais, Epagri e secretarias do Meio Ambiente.