Rodrigo Ferreira, 17 anos, conseguiu em janeiro o estágio em uma empresa e divide a rotina com as aulas aprendizagem industrial no Senai, de Jaraguá do Sul. Trabalhar, se profissionalizar e poder planejar um futuro era algo que não passava pela cabeça do jovem há um ano e meio. Agora, ele imagina novas realidades. “Eu não tinha expectativa, não pensava que teria um emprego, ano que vem faço 18 anos e tenho meu dinheiro para ter uma casa, um carro”, conta. O jovem faz parte do programa Novos Caminhos. A iniciativa da Fiesc (Federação da Indústria de Santa Catarina), Tribunal de Justiça e Associação dos Magistrados começou há dois anos na região e já atendeu 30 jovens, com idade a partir de 14 anos, que estão ou estiveram sob tutela do Estado. Ontem, um grupo de 12 alunos começou a trilhar a preparação através de mais de 20 mini cursos e ao fim, um curso técnico. O vice-presidente regional da Fiesc, Célio Bayer, explica que o programa tem diversas fases e incluiu formação social, profissional e a inserção no mercado de trabalho. Dos jovens que já passaram pelo processo, oito estão empregados. “Trabalhamos em conjunto para atingir esse público que muitas vezes não tem oportunidade de passar por um processo normal de educação pela situação em que se encontram, além de profissionalizar, formamos bons cidadãos”, destaca. Preocupada em ter um bom aprendizado, Sabrina Faust, 14 anos, pretender fazer o maior número de cursos disponíveis. “Quero descobrir coisas novas, ser mais comunicativa, sou muito tímida. Sei que vai ajudar muito para o meu futuro”, disse. A garota espera conseguir decidir a área em que irá atuar. “Já pensei em trabalhar em empresas ou ser professora, ainda não sei”, completa. Este ano, a expectativa é atender mais de 300 jovens e adolescentes em toda Santa Catarina. Desde 2013, 426 deles já passaram pelos cursos. A coordenadora do programa em Jaraguá do Sul, Alice Picoli, afirma que os profissionais que atuam nos abrigos tem papel fundamental para incentivar os jovens a participarem e o resultado tem sido positivo. “Essa é nossa missão porque com 18 anos eles precisam deixar o sistema de acolhimento, e nós, enquanto sociedade, estamos fazendo o papel de preparar eles”, finaliza.