Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) referente ao mês de abril de 2020, o Brasil tem mais 80 milhões de automóveis e motos. Com a pandemia da Covid-19 e a adoção do isolamento social como medida preventiva para conter a disseminação do vírus, grande parte da população tem ficado mais tempo em casa e, como consequência, os veículos automotores também passaram a circular menos nas ruas.

O engenheiro de produção mecânica e professor dos cursos de engenharia da Anhanguera São José, faculdade da Grande Florianópolis, Luiz Henrique Souza Mendonça, lista os principais problemas causados por falta de uso dos veículos, cuidados necessários para evitá-los e algumas recomendações técnicas. Além disso, o especialista traz dicas para motoristas de aplicativos e lista cuidados com álcool em gel nos automóveis. Confira abaixo:

 

Motor deve ter atenção especial | Foto Divulgação

Principais problemas

  • Descarga da bateria dos automóveis e motocicletas;
  • Aparecimento de pontos de corrosão/manchas na pintura
  • Alteração nas características dos fluídos lubrificantes ou de trabalho, podendo posteriormente causar mau-funcionamento;
  • Envelhecimento da gasolina no tanque de combustível ocasionando deposição de partículas, que podem causar dificuldade ou falha de partida, entupimento dos bicos injetores e até mesmo no carburador (carros antigos), além de possíveis engasgos do veículo durante o funcionamento.
  • Infestação de insetos/roedores
  • Deformação das cintas de aço nos pneus.

 

 

Principais cuidados para evitar os problemas citados acima

  • Primeiramente, guarde o carro num local coberto, seco e ventilado. Se não for possível, recomenda-se o uso de uma capa de proteção para o veículo.
  • É importante que a capa esteja seca e o veículo esteja limpo e seco, antes de recebê-la, pois umidade retida entre o veículo e a capa pode causar manchas e/ou pontos de corrosão.
  • Tampar a saída do escapamento, ou entrada de ar com bombril é uma opção para prevenir a entrada de roedores.
  • Recomenda-se que os veículos tenham a partida acionada ao menos uma vez a cada 15 dias durante 15 e 20 minutos.
  • O ideal é que, se possível, os veículos rodem por pelo menos 15km, com velocidades superiores a 80 km/h.
  • Ligando o motor por 10 minutos irá fazer com que o mesmo alcance a temperatura de trabalho, mas dirigir com o carro por vários quilômetros irá “acordar” os sistemas de transmissão, freios, suspensão, direção, climatização (recomenda-se ligar o ar condicionado por uns minutos, e depois o aquecimento também por alguns minutos) e demais fluidos, anéis e vedações.
  • Se o tempo de parada do veículo superar os 30 dias, para veículos antigos, recomenda-se que a bateria seja desligada aos cabos, evitando assim a descarga total dela.
  • Para veículos novos, recomenda-se checar com a concessionária, pois o desligamento da bateria pode “resetar” alguns dos sistemas eletrônicos do carro.
  • Em relação aos pneus, recomenda-se a calibragem no limite superior da indicação do fabricante. Se o carro for ficar mais de 3 meses parado, recomenda-se a utilização de cavaletes para deixa-lo suspenso. Isso evita a deformação das cintas, citada anteriormente.
  • Não deixe o freio de mão acionado, pois com o tempo poderá haver uma fusão das lonas com o tambor. Nesse caso, será necessário o uso de calços nos pneus, para evitar que o carro se movimente.
  • Em relação ao óleo de motor, é recomendada a troca do óleo antes de deixar o caro parado por períodos prolongados, pois este óleo se deteriora não somente com o uso, mas também com o tempo, tendo uma validade aproximada de 6 meses.
  • Os combustíveis têm prazo de validade: a gasolina comum tem validade de 2 a 3 meses no tanque do veículo; já a gasolina aditivada pode ter a validade entre 6 e 10 meses. 7
  • Os prazos de validade nos tanques dos veículos se diferem das bombas de gasolina, pois nos tanques estão sujeitos a calor e oxigênio, que deterioram o combustível. 7
  • Alguns mecânicos recomendam o esvaziamento do tanque de combustível e do reservatório de partida a frio. Mas aí tem-se uma contradição, pois o esvaziamento do tanque causa desperdício de combustível caro, expõe as paredes metálicas do tanque à corrosão, resseca as juntas e vedações de borracha, além de que é muito difícil retirar toda a gasolina do sistema, deixando resquícios que podem formar incrustações e outros problemas.
  • A melhor solução seria manter o tanque cheio e utilizar um aditivo chamado “estabilizador de combustível”, que prolonga a vida útil em até 24 meses. Infelizmente, esse tipo de aditivo não é muito comum no Brasil e pode ser difícil de encontrar. Nesse caso, então, a recomendação é: se o carro for ficar pouco tempo parado, de forma intermitente, mantenha o tanque cheio.

 

Combustíveis têm prazo de validade | Foto Divulgação

Recomendações técnicas

  • Após um longo período com os veículos parados, faça uma verificação antes de ligá-lo. Verifique embaixo do capô e veja se está tudo em ordem. Parece improvável, mas é muito comum que ratos façam ninhos, ou acabem roendo cintas e cabos.
  • Verifique se as borrachas dos limpa-vidros estão ressecadas e quebradiças.
  • Cheque os freios antes de sair, pois pode haver acúmulo de ferrugem no sistema, o que pode ocasionar mau-funcionamento, mas que na maioria passam depois de dirigir alguns minutos.
  • Cheque o nível dos fluídos. É necessário que se faça uma revisão das pastilhas e disco de freio, filtro do motor, filtro do ar-condicionado e higienização do veículo.

 

Aos motoristas de aplicativo recomenda-se os padrões de higienização pessoal | Foto Arquivo/OCP News

Recomendações aos motoristas de aplicativo

  • Aos motoristas de aplicativo recomenda-se que utilizem de todos os padrões de higienização pessoal, a utilização de máscaras e a substituição das mesmas a cada 2h, utilização de álcool em gel nas mãos, no volante, câmbio, freio de mão e demais partes.
  • Ao final do dia, é indicado uma lavagem dos tapetes, higienização com álcool 70% dos bancos, maçanetas e porta-trecos.
  • Como medida preventiva, é importante evitar a utilização e recebimento de dinheiro e moedas em espécie.

 

Álcool em gel dentro do carro

  • O armazenamento de pequenos frascos individuais dentro do carro não oferece risco, desde que não estejam expostos diretamente a radiação solar.
  • Não é recomendado o armazenamento de fracos a partir de 500ml dentro do carro, pois a temperatura de combustão espontânea do álcool 70% está acima dos 300ºC e, ainda assim, a partir dos 16,6ºC o álcool já libera substâncias e vapores que, em contato com fontes de ignição como faíscas, podem gerar uma combustão dentro do veículo.
  • Dessa maneira, o álcool em gel deve ser armazenado em pequenas embalagens de uso pessoal e carregado junto ao proprietário do automóvel.

 

 

Receba as notícias do OCP no seu aplicativo de mensagens favorito:

WhatsApp