O borrachudo é facilmente um dos insetos mais odiados pelas pessoas. Nas tardes abafadas e perto do fim do dia, eles aparecem infernizando a população.

No episódio desta segunda-feira (10) do "Panorama Agrícola", do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/Ciram), os técnicos da instituição explicaram como combater os borrachudos.

Primeiro, é preciso entender o ciclo reprodutivo destes animais para compreender quais ações surtem efeitos ou não.

Inicialmente, a fêmea deposita os ovos nos rios, que são levados pela correnteza e se fixam nos materiais depositados nos cursos d'água.

Após isso, as larvas crescem por 21 dias dentro do rio e chegam à fase de pupa, que dura aproximadamente cinco dias.

Foto: Reprodução/ Pragas e Eventos

As fêmeas sempre depositam os ovos no mesmo local.

Cada fêmea pode colocar até 600 ovos, por reprodução.

Como combater

  • Não lance esterco, fezes humanas e água usada de cozinha em riachos e rios.
  • Mantenha os rios e riachos livres de qualquer lixo. Retire, ou peça a algum adulto que retire galhos, troncos e outros entulhos que tenham caído na água, pois os ovos ficam presos ali.
  • Proteja as matas das margens dos cursos d'água, pois elas abrigam pássaros e insetos que se alimentam dos borrachudos. Refloreste onde já foi desmatado.
  • Faça compostagem.
  • Preserve os inimigos naturais dos borrachudos, como, por exemplo, os peixes, os sapos e as libélulas.
  • Converse com especialistas para aplicação do bacilo BTI, Bacillus thuringiensis israelensis, que combate os borrachudos.
  • As ações precisam ser coletivas, as ações individuais não são efetivas.

Doenças transmitidas

O borrachudo pode trazer diversos problemas, não só para os humanos, mas também aos animais.

No gado, os borrachudos podem causar choque anafilático (alergia grave), queda na produtividade, como diminuição na produção de leite e de peso e em casos extremos até a morte de gado e aves, como frangos, patos e perus.

Além disso, nas vacas, quando são picadas em áreas como das glândulas mamárias, podem causar mastite.

Nos humanos, várias doenças são causadas pelos borrachudos. Uma delas é a verminose oncocercose, com nódulos onde cada um deles tem um casal de filárias que produzirão mais de um milhão de microfilárias por ano durante 10 a 15 anos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em grávidas, quando infectadas pelo parasita, a glândula pituitária (ou hipófise) de fetos pode ser afetada, resultando no nascimento de indivíduos anões por deficiência da produção do hormônio de crescimento.

O borrachudo pode também causar o prurigo estrófulo, que são pequenas bolhas avermelhadas, acompanhadas de coceira intensa e causando lesões. Ao coçar repetidamente, as bolhas se rompam e deixam feridas cobertas de crostas amareladas ou de sangue coagulado.