Considerada a primeira estrutura dedicada à educação infantil em Jaraguá do Sul, o Centro Educacional Constância Piazera completa, no dia 24 de setembro, 50 anos de atuação na cidade.

A instituição comemora seu aniversário ainda lidando com desafios trazidos pela pandemia de Covid-19, mas com olhar para o futuro, usando os exemplos das gerações de alunos que passaram pelo lugar. Neste ano, a comemoração será voltada aos alunos e convidados especiais, com um café da manhã na sexta-feira (23).

Desde o início da sua história, o Centro Educacional segue no mesmo endereço – Rua Expedicionário Gumercindo da Silva, 402, Centro, em terreno doado pela família de Constância Piazera – e segue com o caráter sem fins lucrativos, sendo mantido pela Ação Social de Jaraguá do Sul, além de diversos voluntários. Uma dessas pessoas é a presidente da entidade mantenedora, Marita Mahfud da Silva, que há mais de 30 anos auxilia na manutenção do primeiro Centro Educacional da cidade, desempenhando as mais diversas atividades.

Foto: divulgação

“Se formos falar da história de voluntariado, estamos falando 58 anos de história, com a criação da Ação Social, no Salão Cristo Rei (da Paróquia São Sebastião, no Centro)“, destaca.

Fundada em 15 de novembro de 1964, a Ação Social colaborava com a distribuição de alimentos do Programa Aliança para o Progresso. Depois, atuou com cursos de culinária, datilografia, corte e costura, tricô, crochê e outros.

Um grupo de voluntárias deu início ao trabalho de assistência aos filhos das senhoras que participavam dos cursos e esse era o início da primeira creche de Jaraguá do Sul.

Naquele tempo, as atividades ocorriam de forma precária, sob as escadarias da Igreja São Sebastião e, posteriormente, no Salão Cristo Rei. O engajamento voluntário permitiu que, em 1972, a Ação Social mudasse para a sede própria, onde até hoje funciona o Centro Educacional Constância Piazera.

Boas lembranças

Uma das marcas da história do Centro Educacional é a possibilidade dada às mulheres jaraguaenses de deixar seus filhos e filhas em um espaço seguro para que elas pudessem trabalhar, em um momento em que a industrialização da cidade acontecia a passos largos.

O estudante de design, Nicolas Cani, ex-aluno da instituição, foi uma das centenas de crianças que passaram pelas mãos das professoras nesses 50 anos e carrega boas lembranças da época em que estudou por lá.

“Eu lembro das brincadeiras, das atividades que fazíamos nas aulas e nas datas comemorativas, mas lembro muito dos momentos de cuidado, até do achocolatado que a gente ganhava. São detalhes muito pequenos, mas que trazem significado até hoje na minha vida, a gente aprendeu desde cedo a liberar a criatividade, pois o que a gente tinha que fazer era brincar”, disse Cani.

Foto: divulgação

A ideia de “aprender brincando” acompanha quem passou e quem está até hoje no Centro Educacional. A professora Cristiane Gonçalves se encantou pela profissão ao ver a mãe, que também trabalhou na instituição, atuando com as crianças.

“Um dia vim ao encontro da minha mãe, esperando a hora dela sair do trabalho para irmos juntas para casa e perguntaram se eu não queria substituir uma professora que não pode vir. Foi a primeira vez que entrei em uma sala de aula e, depois de 28 anos, posso dizer que a Constância Piazera é a minha segunda casa”, disse.

Apoio da comunidade é fundamental

Se o apoio da comunidade foi tão importante na trajetória da instituição, agora ele é fundamental. As mudanças causadas pela pandemia tiraram muitos alunos do Centro Educacional, diminuindo sua fonte de recursos. A diretora da instituição, Juciane Benedet, destaca que boa parte dos eventos que eram realizados antes de 2020 estão voltando, mas o Centro Educacional ainda precisa da população, tanto pelo voluntariado, quanto pela busca por novos alunos.

“O trabalho feito por aqui é histórico e jamais vai se perder, mas é preciso que essa iniciativa tenha fôlego para se manter ativa. Toda contribuição, seja financeira, social ou material, é importantíssima para fortalecer o trabalho da Ação Social e do Centro Educacional Constância Piazera”, disse a diretora.

Se quem convive com os alunos diariamente olha com apelo para a causa educacional, os ex-alunos se comovem ainda mais.

“Eu só tenho boas lembranças daqui, e vim para cá muito jovem. Quero muito que mais e mais crianças possam ter a experiência feliz que eu tive aqui na Constância”, comentou Cani.