Preservação garante proteção para os rios

Os efeitos da falta de vegetação nativa, causa de desbarrancamentos, é visível em diversos pontos (Foto: Eduardo Montecino/OCP Online) Os efeitos da falta de vegetação nativa, causa de desbarrancamentos, é visível em diversos pontos (Foto: Eduardo Montecino/OCP Online)

Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

terça-feira, 07:37 - 14/06/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Da mesma forma que os cílios são a maior proteção dos olhos de uma pessoa, a mata ciliar – e daí vem o nome –, vegetação nativa vista nas margens de rios e mananciais, é uma espécie de protetor dos cursos d’água. Uma das principais funções é evitar o processo não natural de assoreamento de rios. O desmatamento nestas áreas, que geralmente são transformadas em pastagens e lavouras, mesmo que sejam de preservação permanente de acordo com o Código Florestal, leva um volume anormal de sedimentos para as águas. Com isso, reduz de forma crítica o nível de profundidade dos rios e, ainda, afeta a reprodução de peixes entre outros danos ao meio ambiente. O estagiário em gestão ambiental no Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Jaraguá do Sul, Christian Raboch Lempek, lembra que a mata ciliar tem a mesma importância para rios de maior porte, como o Itapocu e o Jaraguá, ou para seus afluentes menores. “Trata-se de vegetação nativa, com raízes profundas, que seguram a terra ao longo das margens, evitando que o volume de sedimentos (terra, pedras e outros entulhos) que caem nas águas durante chuvas fortes e enxurradas seja bem maior que o normal, assoreando de forma acelerada o leito dos rios e afetando diretamente a sua profundidade”, explica. Os dois maiores rios da região são exemplos clássicos: em muitos trechos estão com seus leitos bastante rasos, dificultando a navegação e com várias novas ilhas pluviais (artificiais). A preocupação aumenta quando se constata, segundo Lempek, que em todo o território do município não há uma área de mata ciliar bem preservada. De Corupá, onde se forma com a junção dos rios Novo e Humboldt, até desaguar no Oceano Atlântico, em Barra Velha, o Rio Itapocu percorre 4.684 quilômetros. Seu maior afluente, o Rio Jaraguá, é o resultado da junção de vários córregos na região da Tifa dos Húngaros, percorrendo depois os Bairros Jaraguá 99, Barra do Rio Cerro, Barra do Rio Molha, Jaraguá Esquerdo e Vila Nova. Mas este tipo de vegetação, tanto em áreas urbanas como rurais, tem outras funções importantes na natureza. Uma delas é agir diretamente na temperatura das águas dos rios, o que também influencia na reprodução de peixes. “As nascentes estão em áreas mais altas e, se a velocidade da água for ideal em trajetos com sombra das árvores, teremos temperaturas mais amenas”, explica Lempke, que tem feito palestras sobre o tema para alunos de escolas públicas em programação do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último dia 5 de junho. Outra importante função da mata ciliar, além de preservar a mata nativa, é servir como habitat natural e corredor de mobilidade para pequenos animais, aves, repteis e insetos, entre outras formas de vida.  “Na pressa natural imposta pelo mundo moderno, as pessoas não param para olhar ‘para dentro’ desta vegetação, mas suas árvores abrigam ninhos de pássaros, que se alimentam de pequenos frutos, que também caem nas águas servindo de alimento para os peixes”, observa Lempke. De fato, bandos de aracuãs, sabiás, sanhaçus, entre muitas outras espécies de aves habitam estas áreas. “É uma corrente de vida” acrescenta.   Conciliando interesses Por conta do projeto de construção da Estação de Tratamento de Água, no Bairro Água Verde, iniciada em janeiro deste ano com conclusão prevista para dois anos, o Samae está em fase de desenvolvimento de um projeto de preservação e replantio da mata ciliar nativa naquela região. “A proposta é evitar novas obras de enrocamento das margens dos rios com o uso de pedras, um trabalho caro e com consequências futuras, aplicando estratégias que possam conciliar todos os interesses envolvidos”, diz Crhistian Kempke. A ação será desenvolvida em áreas particulares já degradadas. A preocupação se justifica, afinal a nova ETA representa investimentos de R$ 35 milhões de recursos públicos, garantindo água tratada suficiente para mais 25 anos.
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