Uma reunião com a Defesa Civil na manhã de hoje ainda deverá apontar detalhes dos estragos causados principalmente pelas chuvas dos dias 27 e 28 de dezembro. O decreto municipal permite ao poder público contratar os serviços de recuperação por dispensa de licitação, explica o secretário de Administração e Fazenda, Ademar Possamai. Com menos burocracia, o município consegue realizar serviços desde que seja comprovada a urgência, por comprometer a segurança de pessoas ou de bens públicos ou particulares. Segundo o secretário, o procedimento também abre caminho para o município buscar recursos estaduais e federais. “Neste momento econômico, qualquer R$ 1 milhão faz falta. Muitas desses estragos já recuperamos, mas colocados tudo no papel para ter um relatório real”, disse. Em termos financeiros, a recuperação de pavimentações é o que mais pesou no orçamento. A região que teve ruas mais atingidas foi a localidade de Águas Claras, no bairro Ilha da Figueira. A maior urgência está na reconstrução de pontes e pontilhões, que foram atingidas principalmente no Ribeirão Grande do Norte, segundo a Prefeitura. O secretário da Defesa Civil, Leocádio Neves e Silva, lembra que durante os dois dias foram mais de 135 milímetros de chuva. A intensidade de precipitação nesse período de tempo, somada às condições climáticas que se arrastavam ao longo dos últimos três meses, alastraram os danos, segundo o órgão. Comprovar os danos por meio do decreto, reforçou Silva, é um dos trâmites para facilitar o aporte financeiro. “Temos de pensar que ainda poderemos ter problemas. No verão é natural a indecência de chuva. Até o final da estação vamos enfrentar essas ocorrências climáticas”, alertou. Chuva agrava situação e aumenta demanda por obras na cidade O volume de chuva registrado na madrugada do último domingo (10) foi suficiente para agravar a situação de algumas localidades anteriormente afetadas pelas tempestades em Jaraguá do Sul. Segundo a Secretaria de Obras e Serviços Públicos do município, entre os principais problemas estão o assoreamento de tubos, a erosão do solo, o acúmulo de entulhos e a danificação do asfalto. Para lidar com a situação, o órgão montou um cronograma de reparos, mas a equipe reduzida, a falta de equipamentos e o alto número de incidências têm dificultado o andamento dos trabalhos, alega o setor. Na manhã de ontem, por exemplo, a equipe contou com o apoio de profissionais terceirizados para reparar uma rua nas Águas Claras, onde os tubos foram tomados pela terra. A equipe precisou abrir uma cratera em meio às casas para procurar a tubulação e efetuar a manutenção. O local é o mesmo onde um carro foi levado pela chuva e quase atingiu uma casa, em dezembro do ano passado. O aposentado Mario Jarocziski, que reside há vinte anos na localidade, disse que o problema ocorreu em 2008. “A água corre com muita força e aí começa a corroer tudo. Dá medo de dar algum problema maior”, diz ele. “Não foi feito antes porque poucas pessoas estavam de plantão. A época do ano dificultou muito. Temos que fazer uma triagem e ver as reais emergências para primeiro garantir a segurança de todos”, afirma o encarregado da Secretaria Danison Witthoeft. “Alguns moradores nos ligam pedindo urgência para resolver um problema, mas às vezes as máquinas estão ocupadas e simplesmente não temos como atender naquele momento”, desabafa ele sobre a grande demanda pelo setor. Segundo o secretário da pasta, Hideraldo Colle, diante das chuvas, a programação de obras precisa ser constantemente revista e readequada, o que também acaba atrasando alguns reparos. “Ontem, por exemplo, nosso cronograma foi interrompido para atender a um chamado na Estrada Nova, onde um tubo assoreado causou um alagamento. Por mais que haja outros problemas, procuramos dar prioridade aos mais graves”, destaca. Com o contingente normal de trabalhadores de volta à ativa no dia 25 de janeiro, o cronograma deve entrar nos eixos, acredita o secretário. Até lá, a Secretaria pede que os moradores de localidades menos afetadas tenham paciência. Entre os reparos previstos estão ações para o controle da erosão do solo, o conserto de ruas, a construção de passarelas e pontes de madeira, a limpeza de tubos e o recolhimento de entulhos. O objetivo é finalizar todas as ações até março deste ano.