Porque a SC-418 vem sendo chamada de rodovia da morte

Porque a SC-418 vem sendo chamada de rodovia da morte Porque a SC-418 vem sendo chamada de rodovia da morte

Cotidiano

Por: Windson Prado

quarta-feira, 02:00 - 28/02/2018

Windson Prado
Pelo menos 67 pessoas morreram na rodovia SC-418 entre o quilômetro 0 da rodovia, em Joinville, e o km 67 que fica em São Bento do Sul, nos últimos quatro anos. Os dados são da PMRV (Polícia Militar Rodoviária), que neste período registrou 1.213 acidentes. A estatística ajuda a explicar porque muita gente chama a SC-418 de rodovia da morte. De acordo com o sargento da PMRV, Sandro Ludovico Moecke, comandante do policiamento neste trecho da estrada, dois terços dos acidentes são registrados em dias de chuva, garoa e neblina, a maioria durante o dia. O sábado é o dia da semana com mais ocorrências. “Podemos dizer que estes incidentes são registrados por três fatores: negligência, imperícia e imprudência por parte dos motoristas. Percebemos muitos condutores desatentos e com falta da técnica necessária para dirigir”, comenta Moecke. Ele explica. “Se um veículo ultrapassar na curva é imprudência, porque faltou cautela. Portanto, a chance de acontecer um acidente é grande. Se o condutor está ao celular é negligência e crime, porque ele está agindo com desatenção para a via”, segundo o sargento da PMRV Sandro Moecke. 8,5 mil veículos transitam na SC-418 todos os dias O movimento da SC-418 entre São Bento do Sul e Joinville é bastante intenso, com uma média diária de 8,5 mil veículos, com picos de até 13 mil na alta temporada. Só para termos um comparativo, a praça de pedágio da BR-101, em Garuva – um dos trechos de maior movimento nas estradas catarinense – registrou média de 27 mil veículos, no dia 19 de dezembro. A estatística da Polícia Militar Rodoviária aponta que nestes primeiros dois meses de 2018, o trecho da SC-418 registrou mais de 69 acidentes, envolvendo 113 veículos. Ao todo, 31 pessoas ficaram feridas e uma morreu. A região da serra é o mais preocupante computando 16 ocorrências só em 2018.
Fonte PMRV | Infografia Jornal de Joinville
E os números só crescem quando comparados ano a ano. Em 2017 foram contabilizados 429 acidentes entre o km 0 e 67 da SC-418. No ano anterior foram 331 casos. Se por um lado o número de acidentes subiu, o de mortes vem diminuindo. O ano de 2015 foi o mais violento da história com 55 mortes, sendo 51 delas em um único acidente registrado no dia 14 de março, depois que um ônibus da empresa Costa e Mar Turismo caiu em uma ribanceira da serra, protagonizando a maior tragédia rodoviária do Estado e do País. Em 2016, sete pessoas morreram no trecho que liga Joinville a São Bento do Sul. Já no ano passado, foram seis mortes entre os quilômetros 0 e 67.
Fonte PMRV | Infografia Jornal de Joinville
Neste ano um acidente na Serra Dona Francisca foi destaque nacional. O caso envolveu um casal que após cair em uma ribanceira no quilômetro 16,8 da SC-418 ficou mais de 36 horas à espera de socorro. Os dois passam bem. Serra Dona Francisca é o ponto mais crítico O sargento da Polícia Militar Rodoviária, Sandro Ludovico Moecke, cita que quatro pontos da Serra Dona Francisca são mais preocupantes quando o assunto é acidentes na rodovia SC-418. Eles ficam nos quilômetros 13,3, 15,1, 15,9 e 16,7, todos em curvas fechadas. “A rodovia em si não tem graves problemas, mas devido às chuvas que assolam a região, há buracos. Com o calor a vegetação que margeia a pista crescem rapidamente. Alguns pontos precisam de manutenção, principalmente de placas de sinalização que foram destruídas”, destaca o comandante do policiamento na rodovia.
A curva fechada no quilômetro 16,7 é uma das mais perigosas. Muitos motoristas acabam se perdendo e caíndo pela ribanceira | Foto PRMV
Sargento Moecke diz também que os grandes problemas que existem na serra “são a falta de área de telefonia e a falta de iluminação pública no trecho da serra” – O Jornal de Joinville mostrou na reportagem desta terça-feira (27) que isso se deve aos constantes furtos da fiação elétrica no local. O policial cita ainda a necessidade da instalação de câmeras de vigilância na rodovia. Fiscalização como prevenção Na tentativa de reduzir o número de acidentes, a PMRV aposta na fiscalizações e blitz educativas com motoristas e futuros condutores. “Este é um trabalho que fazemos com frequência, tanto por meio de radares quando em abordagens. Também temos dialogado com o Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), em busca de melhorias para a nossa região”, informa o sargento da PMRV Sandro Moecke. Ele finaliza a entrevista deixando uma mensagem aos motoristas. “A sociedade deve ter respeito pela rodovia, pois é um bem imensurável a todos, e que se houver conscientização em cumprir o que preceitua o Código de Trânsito Brasileiro as estatísticas de acidentes e mortes diminuíram drasticamente”.
Manutenção de placas e da iluminação são maiores problemas da Serra Dona Francisca | Foto Cristian Porto/Arquivo Jornal Notícias do Dia de Joinville
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