Quer ter uma vida mais longa? Desligue o seu smartphone, deixe o aplicativo de mensagens e as redes sociais de lado e vá ler um livro. A recomendação é a conclusão de um estudo publicado este mês na revista científica “Social Science and Medicine”. De acordo com a pesquisa, quem cultiva o hábito da leitura diária vive mais. Para chegar ao resultado, cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, umas das mais prestigiadas dos Estados Unidos, analisaram dados de 3.635 pessoas acima dos 60 anos que informaram sobre seus hábitos alimentares, de exercícios e, claro, de leitura, entre outros. Durante a pesquisa, os participantes foram divididos, a partir das informações prestadas, em três grupos: os que leem até três horas e meia por semana, os que leem mais que isso e os que nunca leem. Depois de analisarem outros fatores como idade, gênero, educação e renda, a equipe descobriu que, em geral, quem lê livros vive até dois anos a mais que quem não lê nada. Os benefícios sobem de acordo com o tempo você gasta lendo durante a semana. Ler jornais e revistas também ajuda, mas os livros ficam no topo da lista. “Livros davam um benefício maior que ler jornais ou revistas. Descobrimos que esse efeito é porque livros ‘interagem’ mais com a mente do leitor, beneficiando mais os processos cognitivos e, assim, aumentando o tempo de vida”, afirma no trabalho a pesquisadora Avni Bavishi. Comportamento Outra pesquisa, feita pela Universidade de Nova York (NYU) em parceria com o Instituto Alfa e Beto (IAB) e o IDados, revelou que a rotina de ler para os filhos traz ganhos como 14% de incremento no vocabulário das crianças, 27% de aumento na memória de trabalho, além de crescimento de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. A pesquisa foi realizada com 1.250 responsáveis e 1.250 crianças do município de Boa Vista, em Roraima, onde a administração municipal em parceria com o IAB desenvolve o programa “Família que acolhe”, que promove políticas públicas voltadas para a primeira infância na rede municipal integrando as áreas de saúde, assistência social e educação. “As diferenças nas crianças que leem com os pais são impressionantes. Tanto do ponto de vista de objetivos como vocabulário, como aspectos cognitivos da memória, e também comportamentais. Essa prática reduz a violência e o tratamento brusco em relação à criança. Os responsáveis aprendem a discutir as questões, dá a eles mais instrumentos que não só a chibatada”, comenta o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira. O relatório aponta ainda para um melhor desenvolvimento fonológico das crianças, que auxilia na hora da alfabetização e ocorrência de menos punição física por parte dos pais, que aprendem a conversar com os filhos e buscar novas maneiras de resolver as questões.