A pós um período de dois anos à frente da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), Paulo Mattos passa a cadeira de presidente ao empresário Giuliano Donini na próxima quarta-feira, dia 16 de março. Entusiasmado por uma sucessão que traz à entidade um representante da nova geração, Mattos diz sair satisfeito pelo trabalho de fortalecimento aos negócios em diversos segmentos mesmo com um cenário de instabilidade econômica e política. Enfrentar essa adversidade, para ele, foi desafiador.
Mesmo destacando a firmeza das empresas para driblar a crise, Mattos afirma que o momento é de apreensão para a região que tem perdido a liderança em índices de crescimento. A falta de infraestrutura e a falta de determinações concretas do governo federal são apontadas pelo presidente como os principais fatores para estagnar o desenvolvimento econômico.
“Fica um momento muito difícil para as instituições que têm responsabilidade com sua região, porque as ações precisam ser harmonizadas. E quando não tem ambiente para harmonizar, você fica com a bandeira, sozinho. Para a região ainda é um momento de apreensão, o empresariado e a associação se sentem também inoperantes em relação a essas ações”, destaca Mattos, que na entrevista a seguir faz um balanço da sua gestão e do momento econômico e político que o Brasil enfrenta.
OCP Online - Como foi sua experiência à frente da gestão da Acijs nesses últimos dois anos?
Paulo Mattos - Para a associação foi um período desafiador porque passamos por um momento de muita turbulência. Nós nos deparamos com dois anos de dificuldade no Brasil que teve repercussão em Jaraguá do Sul. Mas, por outro lado, criamos um ambiente de criatividade e reinvenção. Nossas empresas passaram por esse processo de buscar alternativas, principalmente, no campo da tecnologia. Foi um período de muita provação, de muita persistência. No campo da infraestrutura nós patinamos bastante. Observando a questão das rodovias, quando pensamos que tínhamos dado passos certeiros, passos adiante, com a conclusão dos projetos de duplicação e a assinatura dos contratos, mesmo assim a luta continuou sendo inglória. Passamos por uma fase muito delicada com o governo federal, uma decrescente credibilidade e um crescente descrédito. Nossa atual presidente tem 10% de aprovação, e isso demonstra claramente as dificuldades que a gente tem para fazer com que as reivindicações tenham eco e que a região seja contemplada com o que tem de direito. Nós contribuímos muito e recebemos pouco.
Como a região reagiu ao cenário econômico nacional, quais foram os desafios?
Eu tenho muito claro que as dificuldades econômicas que estamos vivendo estão diretamente ligadas com a crise política. A crise política reflete na economia, no ânimo das pessoas e na aposta do mercado internacional no Brasil. Há recursos para serem investidos em países emergentes como o Brasil e esses recursos não chegam. No instante que nós resolvermos essa ausência de credibilidade, os investimentos virão e poderemos crescer a passos largos. Eu acredito em uma reversão rápida do cenário que estamos vivendo. Ano passado a economia fechou com déficit em torno de 4% e esse ano se projeta para esse índice novamente. Estamos chegando a uma encruzilhada. Não há solução milagrosa. Esse impacto econômico é uma cadeia e já afeta, primeiro, os municípios, depois Estados e a União. Isso é muito preocupante. Tudo isso é a roda da economia que deixa de girar.
Qual a saída para turbulência política nacional?
Nós não temos saída. Ou tiramos esse governo que está aí ou o país vai passar por dificuldades ainda maiores. O governo atual não tem mais razão de ser. Como não tem credibilidade e confiança, ele não gera mais expectativa para a sociedade. A alternativa que nos resta é mudar as pessoas que estão no poder. Para sair dessa crise, precisamos mudar os governantes. Seja através do julgamento do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], porque tem elementos para isso, para a impugnação da diplomação e é isso que pretende a ação. Ou mesmo pelo impeachment. Qualquer que seja o desfecho, ainda que a gente tenha que passar por um período de transição, isso vai sinalizar para algo mais positivo. No instante que o TSE ou Congresso decidirem outro futuro para o país vamos criar essa bolha de esperança e colocar o Brasil nos eixos.
Temos em frente um ano de eleição. Como a administração municipal tem impactado no desenvolvimento do município?
Tenho certeza que experimentamos um novo tempo com essa atual gestão. Temos uma administração muito correta, comprometida, não há qualquer notícia de escândalo, o que é muito positivo para o município. Mas para os próximos anos, temos que ser ainda mais pró-ativos. A administração municipal, sob a minha ótica, precisa ser um maestro para fomentar também a economia. Temos uma questão a combater que é burocracia. Simplificar precisa ser o norte da próxima administração, seja a atual ou um nova. A administração é fundamental, há 10 anos tínhamos um ritmo de crescimento e nós desaceleramos. Temos que continuar buscando a área de tecnologia, com esse processo de inovação que acontece da parceria do município com a Acijs. Acho que vamos criar um ambiente favorável para isso.
Na próxima semana, o empresário Giuliano Donini assume a liderança da associação e o senhor deixa a cadeira. Como vê esse fim e o começo de um novo ciclo?
Estou muito satisfeito com a sucessão na Acijs, acertamos a mão na escolha do presidente. É uma pessoa que vem com energia nova, com ideias novas e o que a gente procura fazer é trazer as novas gerações para o comando. Aposto muito na capacidade de liderança do Giuliano e vejo com muito entusiasmo o quanto ele está envolvido para fazer que a entidade mantenha a representatividade. Com relação a minha experiência, não é a primeira vez que estou na associação. Os tempos são completamente diferentes, vim 12 anos depois de uma gestão que foi baseada também em muito trabalho. A gente vê que teve uma geração que assumiu os comandos das nossas empresas e que tem novos pensamentos, sintonizados com tecnologia, com a comunicação, o que é positivo e retrata essa grande revolução que experimentamos, eu diria, nos últimos cinco anos. Saio satisfeito. Em qualquer trabalho que a gente se propõe a fazer é preciso fazer com que o grupo traga um ganho para a sociedade.