Quem se aproxima da residência da família Alchini, no Ribeirão Grande do Norte, durante a época de Páscoa, certamente reduz o ritmo para apreciar os singelos detalhes. Somada à bela paisagem rural e jardim bem cuidado, uma árvore tradicional exibe milhares de casquinhas. Logo adiante, mais ovinhos coloridos em um balaio e uma bicicleta com coelhinhos no cesto.

Adentrando a casa onde vive Bentinha Alchini, há mais decoração nas paredes, mesa, estantes e guirlandas nas portas. A decoração transforma a atmosfera da casa de madeira branca à beira do rio.

Segundo a moradora, faz 6 anos que a tradição de montar a árvore e colocar os adornos no jardim começou. Mas gostar de decoração em datas comemorativas é algo que já vinha na família.

“Logo que me aposentei, pensei: agora vou tirar um tempinho para montar a minha árvore”, relembra. Foi então que um grupo de seis amigas se formou para, anualmente, fazer a decoração.

Bentinha prepara a decoração há 6 anos. Foto: Natália Trentini/OCP News

“É gostoso porque a gente vai preparando isso. Uns dias antes eu vou achar uma árvore legal e todo mundo colabora. Além de ficar bonito, a gente interage”, complementa.

Essa união para preparar os itens decorativos fortalece o espírito com a comunidade. Algo que, para ela, tem tudo a ver com a Páscoa.

Além disso, a casa vira uma espécie de atração turística. Ainda mais porque a rua é rota de cicloturistas e para quem quer espairecer de carro, aproveitando o encanto do interior.

Bentinha até se impressiona com a quantidade de pessoas que param para bater fotos e realmente contemplar os detalhes do jardim enfeitado.

“O dia que nós estávamos decorando teve um senhor que parou, bateu foto e já postou no Face. Essas coisas são bacanas, eu gosto”, afirma.

Quem passa pela rua costuma parar para tirar fotos na árvore. Foto: Arquivo Pessoal

Bentinha pensa em seguir fazendo a decoração anualmente, assim como acontece no Natal e já planeja novos itens para o próximo ano.

De avó para netos

Preparar decorações, as cestinhas do coelhinho e casquinhas era algo que Áurea Schmitz fazia quando criança com os irmãos. Hoje, depois de compartilhar com os filhos essa tradição, o momento de preparação para a Páscoa acontece com os netos Ellen de 3 anos, e Rafael de 5 anos.

As semanas que antecedem a data têm incluído atividades manuais que divertem as crianças e reforçam a conexão familiar. “Pintamos casquinhas para nos ocuparmos com trabalhos saudáveis que mudam nossos dias”, comenta Áurea.

Áurea compartilha preparação com os netos Ellen e Rafael. Foto: Arquivo Pessoal

As celebrações em família também incluem a parte espiritual. Por conta da pandemia, a família veio acompanhando virtualmente a Semana Santa, com as celebrações online, mantendo as orações.

“Com todos os cuidados necessários neste momento de pandemia temos que estar unidos com esperança de que tudo vai passar e celebrar a ressurreição de Jesus, que veio ao mundo para nos salvar”, comenta.

Memórias em família

Páscoa sempre traz um gostinho de infância. A estudante Isabelle Stringari Ribeiro, 18 anos, relembra de quando era pequena e fazia a caça aos ovos conduzida pela família para ela e os primos.

“A celebração da Páscoa é uma tradição na minha família, sempre celebramos ela com a família reunida, tios, avós, primos todos juntos em um almoço no domingo”, comenta.

Neste ano, como a família é pequena, mora perto, e os avós e outros membros da família já foram vacinados contra a Covid-19, Isabelle comemora a possibilidade de estarem todos reunidos.

Lembrança da caça à cestas de Páscoa na infância é relembrada por Isabelle. Foto: Arquivo Pessoal

“As datas comemorativas servem como um incentivo para conseguirmos passar por esse momento tão crítico que estamos vivendo”, pondera.

Segundo a estudante, a família busca sempre passar o significado espiritual da data.

“Desde pequena meus pais e minha avó me ensinaram a olhar para além dos ovos de chocolate e o coelho da Páscoa, me ensinaram a olhar para Jesus Cristo, que é o verdadeiro significado por trás dessa data e assim celebrar a ressurreição dele”, diz.

Momento de ter fé e ser melhor

Para o pároco da Matriz São Sebastião Hélio Feuser, a celebração do significado da Páscoa é ainda mais importante nesse momento difícil que a humanidade tem passado com a pandemia de Covid-19.

O padre ressalta que ao longo da história sempre houveram momentos de incertezas e dificuldades coletivas, mas a fé têm sido o fundamento para que as pessoas possam se tornar melhores, mesmo em situações tão adversas.

Hélio Feuser ressalta que as pessoas devem buscar ser melhores. Foto: Divulgação

“Por isso celebrar a Páscoa, significa renovar a nossa fé, renovar a nossa esperança, ter a certeza de que vamos ressuscitar. Páscoa significa vida nova”, completa.

O pastor Rafael Coelho, da Comunidade Luterana Apóstolo Pedro, reforça que a pandemia deixou claro como a vida humana é frágil e finita, e com isso a realidade da morte e do sofrimento está muito próxima de todos.

“Quanto nós falamos sobre a Páscoa, falamos que Jesus venceu a morte, que Jesus venceu todo sofrimento, que aquilo que ele fez na cruz veio como salvação para todos nós. A Páscoa deve ser a data mais comemorada da nossa vida, mais comemorada do que aniversário, mais comemorada do que casamento, do que formatura, porque a Páscoa nos diz que o que nós celebramos nela é que Jesus venceu o nosso maior inimigo, que é a morte”, reforça o pastor.

Para o pastor Rafael, Páscoa deve ser a data mais celebrada pelos fiéis. Foto: Divulgação

Padre Hélio acredita que esse momento será vencido, mas deixará marcas para todos, por isso é preciso encarar os ensinamentos vivenciados com a pandemia.

“Nós queremos superar para nos tornar melhores, pessoas melhores, Cristo nos traz a grande mensagem da paz, de que somos irmãos, que possamos colocar isso no nosso coração”, diz. “Por isso eu desejo que todos façam essa experiência da passagem da ressurreição, mas também de ser melhor como pessoa em sua casa, no seu trabalho, onde quer que você esteja."

O padre considera importante que as pessoas tirem um momento para vivenciar esse momento religioso como uma forma de renovar e cultivar a própria fé e trazer mais coerência.

“A fé é o fundamento que nos torna pessoas melhores, que de fato a gente possa ter aprendido com tudo aqui que estamos vivendo e também nos tornar pessoas que possam através da fé demonstrar o verdadeiro sentido da vida”, finaliza.

 

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