Dentre as dinâmicas realizadas pelo Serviço de Convivência no Cras João Pessoa, uma chama atenção: as atividades na panificadora montadas na unidade. “Precisamos sempre, fazer uso e tirar o melhor proveito dos recursos que possuímos. Diante disso, procuramos correlacionar os temas e os percursos com os instrumentos que temos ao nosso redor, e um deles e o espaço da Panificadora”, explicou a educadora social, Rosane Batistela. Segundo ela, quinzenalmente, os encontros dos grupos de adolescentes, adultos e idosos, acontecem neste espaço. “Já os grupos de crianças e pré-adolescentes fazem uso de forma mais esporádica”, completou.

De acordo com a supervisora da unidade, a psicóloga Tânia Aparecida Furtado de Sousa, o trabalho no local é desenvolvidos semanalmente junto a diferentes faixa etárias. No dia da entrevista, sexta-feira, 8 de julho, o grupo que estava sendo assistido era o de crianças de 6 a 9 anos.

Mais que o preparo de uma receitas o que acontece ali são interações, trocas, vivências de novas experiências, estimulando-os à convivência baseada na cooperação e solidariedade. “Cada receita precisa ser pensada a partir dos ingredientes que temos, e assim todos colocam a ‘mão na massa’ literalmente, se organizam, fazem suas escolhas, dividem as tarefas do início da receita, até na limpeza dos utensílios e organização do espaço”, comentou a educadora social.

Quanto ao grupo com crianças, a educadora acrescenta que estes momentos fazem parte do “Dia do Faz de Conta” quando preparam os alimentos brincando. “Todas as etapas sob supervisão e auxílio do educador social, principalmente quando há uso de forno ou fogão pelas turmas de crianças, pré-adolescentes e adolescentes. O que é preparado no dia, serve de alimento na hora do lanche do grupo que o preparou.”

“Neste serviço de convivência são desenvolvidas várias temáticas e o desenvolvimento delas ocorre, na prática, de diferentes maneiras. Seja através de um desenho, de uma contação de história, de um faz de conta ou até mesmo uma brincadeira no parque, que levam a uma reflexão sobre o tema. São vários meios adotados para trabalhar essas temáticas dentro do serviço de convivência”.

Atualmente, o Cras João Pessoa trabalha com 10 grupos de diferentes faixas etárias que vão de crianças de 6 a 9 anos passando por pré-adolescentes, adolescentes, adultos e idosos. “ Ao todo são 60 usuários do serviço de 43 famílias. Somente de crianças que é este de 6 a 9 anos são quatro grupos. E eles vêm uma vez por semana”, explicou a técnica do Cras, a pedagoga Fernanda Silva de Azevedo Gomes.

A exemplo de outros Cras do Município, a unidade do João Pessoa precisou adotar novas estratégias para evitar que o serviço fosse interrompido durante a auge da pandemia de Covid-19. “Não podíamos realizar nenhum atendimento presencial por isso, precisamos nos reorganizar para não deixar de atender nosso público. Principalmente por entenderemos que era o momento que eles estavam mais vulneráveis. Principalmente crianças que sofreram algum tipo de violência, bem como mulheres e idosos… ficavam todos juntos dentro de casa”, lembra Fernanda.

Mesmo diante desta situação, a equipe técnica do Cras continuou com as temáticas do SCFV. “Nossa educadora social, Rosane Batistela, planejava kits de atividades e e pelo menos uma vez ao mês íamos até a casa de todos os usuários para fazer a entrega dessas atividades. “As famosas visitas de portão para manter o distanciamento. Além disso, criamos também grupos pelo whatsapp para ter contato semanal com eles. Os grupos de idosos e de adultos também tinham encontro virtual através de chamada de vídeo. Já comas crianças e os adolescentes, os contatos eram mais através das visitas. Também foram desenvolvidas atividades online com os pré-adolescentes, através de um grupo fechado do Facebook”, relembrou a pedagoga.

Em outubro de 2021, de forma gradativa, foram retomadas as atividades presenciais. “No começo oi diminuída a quantidade pessoas nos grupos intercalando o atendimento de 15 em 15 dias para não aglomerar muito”, disse Fernanda.

Tânia destaca que são planejados temas a serem desenvolvidos tanto pela equipe técnica do Programa de Atenção Integral da Família (PAIF) quanto pelo SCFV. “Por exemplo: agora eles estão trabalhando o tema festa junina, mas no mês passado trabalhamos dois temas: a campanha da não violência contra o idoso e a erradicação do trabalho infantil. A Rosane trouxe uma introdução sobre o tema do tipo: como é o idoso para você? A medida que eles estabelecem um dialogo sobre o assunto, acabam ampliando o conhecimento espontâneo deles. A partir da reflexão, o grupo vai expressar sua opinião na forma de um desenhos de um faz de conta, teatro, uma atividade com massinha , ou seja, ele vai materializar essa reflexão”, ponderou. “O legal que alguns cartazes que eles fizeram durante este trabalho foram usados em recentes caminhadas temáticas promovidas pela Secretaria de Assistência Social”, emendou Fernanda.